Casamento russa

A política brasileira se tornou um Kubanacan

2020.04.25 16:06 ValisCode A política brasileira se tornou um Kubanacan

As novelas brasileiras são famosas no mundo todo. Outro dia fui tomar um chope com amigas russas que eram loucas por Escrava Isaura e O Clone. Com episódios diários ao longo de oito ou nove meses, as novelas têm uma característica quase universal: nada acontece.
Você pode ir ao banheiro no meio do capítulo, perder um ou outro episódio ou até ir tirar férias com a CVC. Quando volta, a trama se moveu pouquíssimo. Nada que aquele resuminho no jornal em menos de 140 caracteres não resolva, mesmo nas semanas mais críticas.
O ano de 2003 trouxe uma virada significativa na sociedade brasileira. De repente, uma novela trouxe uma proposta completamente diferente: Kubanacan se passava em uma ilha tropical e contava a história do Pescador Parrudo, que era o Marcos Pasquim sem camisa.
É possível que você nunca tenha ouvido falar em Kubanacan e não conheça nada do "misterioso pais del amor" Basicamente, era um lugar muito louco no caribe, comandado por um ditador ambicioso e cheio de fenômenos sobrenaturais. Uma mistura de Uga Uga e Lost com um tempero latino.
Ao contrário das novelas tradicionais, tudo acontecia ao mesmo tempo em Kubanacan! Você olhava para o lado e um gêmeo malvado tinha aparecido na história. Piscava o olho e o gêmeo já tinha sido assassinado. Uma bomba ia explodir a qualquer momento, mas desaparecia sem explicação.
A novela era tão doida que só Marcos Pasquim interpretou 3 personagens diferentes - um deles ainda tinha uma segunda personalidade chamada Dark Esteban. O roteiro não fazia o menor sentido. Aliás, em alguns momentos pairava a dúvida se havia roteiro ou se era tudo improviso.
Mas, debaixo de toda essa loucura, havia um segredo enterrado em Kubanacan: na verdade, nada acontecia. As coisas se mexiam, explodiam, mas a história não saía do lugar. Se você fosse no banheiro, perdia muito... Se ficasse um mês sem assistir, na verdade não perdia nada.
Ao contrário das novelas tradicionais, com looongos arcos e evoluções lentas que eventualmente levam a algum lugar (geralmente casamento ou queda de penhasco), Kubanacan se baseava em histórias curtas e inesperadas, mas que não acrescentavam nada para a trama geral.
A política nacional, que sempre foi uma novela do Manoel Carlos passada no Leblon, daquelas bem lentas e articuladas, se tornou um Kubanacan do caralho.
Todo dia o noticiário mostra um novo escândalo. Todo dia uma surpresa. Do 7x1 pra cá, a cada semana paira a dúvida se há roteiro ou é tudo improviso. A gente já nem lembra das notícias da semana passada... No meio desse roteiro doido, aparece até uma pandemia.
Agora o presidente vai na TV pra dizer que o filho passou o rodo no Vivendas, que a sogra é traficante, que ele chamou uma mulher de gorda, que desligou o aquecedor que já era solar, que não deixou trocarem o taxímetro... Foi tanta coisa que até me perdi. Um suco de Kubanacan.
São tantas histórias, tantos personagens e tão pouca lógica que a cabeça gira. Mas, na verdade, se a gente se afastar um pouco, percebe que não dá pra ficar surpreso com nada que está acontecendo. Nada. É só uma longa história se desdobrando.
Se você perde um capítulo, acaba perdendo muita coisa - e o capítulo de hoje foi brabo. Se fica sem assistir por mais tempo, no entanto, parece que nada mudou. Uma nota de repúdio aqui, uma briga acolá... Mas o barco segue - e segue sem rumo - num ciclo aparentemente perpétuo.
Resta saber o que vai sobrar do Brasil para contar a história. Enquanto isso, a gente segue tomando no Kubanacan.
PS: esse texto foi escrito há quase três anos. Só precisei adaptar meia dúzia de frases. O fato de ele conversar tanto com o momento atual só mostra que vivemos mesmo na ilha do Pescador Parrudo.
Texto desviado ilegalmente (ou não) daqui: https://mobile.twitter.com/teofb/status/1253858466105565185
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2020.03.02 22:53 AghilasBR Putin vai mudar a Constituição Russa, emendas mencionam Deus e estipulam que o casamento é uma união de um homem e uma mulher.

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2019.12.30 18:44 qohelet1212 Ana Karenina, de Leo Tolstoy (Tradução de João Netto, Europa-América) [CORRIGIDO]


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SINOPSE
Considerado uma das obras-primas de Tolstoi, «Ana Karenina» desenrola-se no final do século XIX e narra a história de uma mulher da alta sociedade russa que, em consequência do seu casamento infeliz, se envolve numa relação adúltera.
Versão corrigida da anteriormente partilhada, que tinha alguns termos com grafia em português do Brasil. Também coloquei a capa correta.
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2019.12.30 18:40 qohelet1212 Ana Karenina, de Leo Tolstoy (Tradução de Vasco Valdez, Centaur)


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SINOPSE
Considerado uma das obras-primas de Tolstoi, «Ana Karenina» desenrola-se no final do século XIX e narra a história de uma mulher da alta sociedade russa que, em consequência do seu casamento infeliz, se envolve numa relação adúltera.
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2018.11.12 17:14 aureliano_babilonia_ Masculinidade tóxica é uma fábrica de homens infelizes e inseguros

Um casal de amigos meus está se separando após quase 10 anos juntos, contando namoro e casamento. Somos de um círculo de amigos bem fechados e bem próximos, todo mundo se conhece desde a adolescência. Então acaba ficando mais fácil a gente saber exatamente o que está se passando com cada um.
Combinei com uma amiga minha dela se aproximar e ficar mais atenta à mulher do relacionamento enquanto eu fazia minha parte com o homem. O básico mesmo. Escutar, chamar para sair, sondar para ver se tinha alguma esperança de retorno, estar presente para os momentos mais tensos.
Diante disso tudo, me deixa realmente triste como a masculinidade tóxica é imbecil e fode o homem sem que ele perceba. Nem vou entrar aqui no mérito do impacto deste mesmo comportamento na vida das mulheres, mais para o lado de como a insegurança quebra a pessoa justamente nos momentos em que ele mais preciso.
O lado dela: minha amiga é muito próxima da mulher separada nesse caso, então é o tipo de pessoa para quem ela faz as principais confissões. Na boa, ela está fazendo tudo que - pelo menos eu considero - é certo.
Não está saindo com ninguém. Está aproveitando esse momento inicial do divórcio para focar no trabalho e numa pós na qual se inscreveu para distrair a cabeça. Tá vestindo um luto emocional mesmo aos finais de semana, no máximo sai para correr ou visitar os pais, aproveitando para botar os livros e séries em dia. Está triste para caralho, mas está sóbria e dando um passo de casa vez. E cabe falar aqui: é muito bonita, podia estar aloprando agora se quisesse. Mas disse que quer ficar na dela um bom tempo antes de qualquer coisa, até para ter certeza da decisão sobre o divórcio.
O lado dele: é um cara meio em cima do muro politicamente, não é de esquerda e nem de direita. Mas foi criado numa casa bem conservadora, então é o tipo de cara que tem vergonha de andar de rosa ou de acharem que ele é gay porque ele não pegou determinada mulher.
Quase tudo que você pode entender como masculinidade tóxica ou machismo, ele tem. É um daqueles man-child que não sabe cozinhar, arrumar a casa ou manejar finanças. Ganha bem, mas não guarda dinheiro. Só conseguiu dar uma estruturada financeira na vida e fez alguns investimentos porque a esposa pentelhou.
Assim que terminou o casamento, começou a sair com garotas de programa de luxo. Trabalha em um segmento em que quase todo mundo do trabalho é full "tradicional família brasileira - versão fake". Ou seja, 'conservadores' que conhecem o mapa dos puteiros do Centro do Rio como a palma da mão (não estou dizendo que todo conservador é assim, até porque muita gente à esquerda tem o mesmo comportamento).
As recomendações dos caras são estapafúrdias. Tem até um adepto dessas técnicas de pick-up artist (PUA) que está aconselhando ele também. "Tenho que mostrar para ela quem é que manda e que estou bem". Saiu com uma menina no Tinder e fez questão de mandar a foto da menina para a ex-mulher, só para vocês entenderem o nível da falta de noção.
A gente corre junto algumas vezes por semana e as primeiras semanas pós-divórcio ele anda full influenciado pela galera do trabalho. "Não vou ficar sem foder, né?". "Na verdade, esse divórcio foi uma benção". "Vou aproveitar tudo o que eu queria agora". "Vou mostrar para ela que sou muito maior do que ela e do que tudo isso".
Agora o cara vive numa montanha-russa emocional absurda. Tentei dar uns conselhos. Pedi para ele esperar a poeira baixar antes de sair com alguém, que sair comendo qualquer uma não ia curar nenhuma ressaca emocional. Que esse papo de "não posso ficar um mês sem comer ninguém" é papo de retardado, a não ser que ele seja o Tiger Woods e realmente tenha probleminha na cabeça.
Quando eu soube por ele dessa história de mandar essa foto da menina com quem saiu uma vez para ela (primeiro a mulher contou para a nossa amiga, algumas semanas depois ele me confessou isso chorando), só expliquei que ele cada vez mais confirmava as reclamações dela. Que ele era inseguro, que ele era impulsivo, que ele era imaturo. Nas brigas, queria sempre tentar sair por cima para manter a moral. E tudo que ele andava fazendo era queimar pontes.
Não é a primeira vez que vejo um divórcio ou fim de um longo relacionamento acabar dessa forma. Geralmente é o homem tentando mostrar que é homem e negando que a tristeza existe. Aliás, além dessa masculinidade tóxica, outra coisa que as pessoas parecem cada vez mais se negar a aceitar é a própria tristeza. Repetir mantras de que você é feliz ou emanar good vibes não aplaca a solidão ou a depressão de ninguém, só reforça essa falsa sensação de que todo mundo ao seu redor está feliz - só você que não.
Entre mulheres, ainda vejo mais suporte. Ainda vejo mulheres que admitem estar tristes ou que se abrem com mais facilidade para amigas. Entre homens, muitas vezes rola aquela questão da 'fraqueza', de não expor, de ter que mostrar que você é forte. E aí a gente cria essa geração imatura que não sabe lidar com tristezas e frustrações em geral.
Enfim, só queria dividir esse desabafo e essa história. Não é a primeira vez que vejo homem agindo assim após relacionamento, e sei que não vai ser a última.
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2018.10.30 15:08 Mises137273 O Mal

Existe algo que é mal por si mesmo? Ou é todo um contexto que pode fazer algo ser mal?
Eu vi um vídeo do filósofo Gregory Salmieri em que ele fala sobre como Ayn Rand via Kant e ali ele diz coisas interessantes sobre a percepção do que é mal para Rand. Ela achava que Kant era mal porque fez filosofia imerso em um ideário de condenação moral das pessoas que realizavam suas tarefas e seus trabalhos e faziam coisas que o alemão julgava moralmente errado, como um ferreiro transar com sua namorada antes do casamento, e que todo o pensamento de Kant por ter sido gerado em um “ambiente cristão mental” de julgamento seria mal propositalmente, como que punindo as pessoas porque faziam coisas que queriam e ele não.
Seja essa história uma coisa real ou não, temos já material para discutir o que é mal ou não e se pode ser considerado mal por si só.
A escritora russa, a Ayn Rand, comete um erro curioso aqui – mesmo que essa história não seja real; e se não for, a pessoa com o nome Ayn Rand a quem imputo esse erro... –, ela diz que construir uma filosofia gerada num ambiente de julgamento, como quem diz que o Kant escreveu por “recalque” as coisas que escreveu, é por si só um erro de julgamento e um erro moral.
Quando você “veste uma roupa ou veste um bordado de um conceito”, quando se diz libertário ou cristão ou liberal etc., quando arroga a si uma estirpe cujo teor moral é considerado bom, não deve criticar um outro pensador e dizer que ele é mal porque julgava as pessoas: ao fazer isso você está cometendo exatamente o erro que acusa moralmente.
Porém, uma coisa é bastante clara aqui, a meu ver, não existe necessariamente maldade no que um filósofo como Kant fez. Dizer que as consequências do pensamento kantiano historicamente são más, sim, isso pode ser colocado sem que haja erro algum na colocação, porque Kant abre espaço para Hegel o qual gera espaço para Marx e este permite genocídios e uma concentração de poder garantida pela força policial do aparato estatal como nunca antes imaginado. Acusar o outro, pessoalizar uma culpa, imputar em um outro algo de negativo, sob pretexto de ser aquilo que foi concebido algo que fosse negativo na raiz, isso não é correto: porque diz mais de você do que daquele que é acusado.
Quando uma pessoa acusa demais qualquer que seja a outra pessoa, ela o faz apenas para disfarçar seus próprios defeitos.
Não estou falando que um roubo de propriedade não seja errado por si só, porque aí é um erro dos mais graves possíveis, porque quando você rouba algo de alguém, você tira da pessoa uma parte dela mesma: e isso é muito grave, obviamente; fere com o princípio da não-agressão do Rothbard. Logo, podemos concluir que erradas quase que necessariamente serão todas as agressões pessoais que firam com a integridade física da pessoa, seja numa parte do corpo dela, seja numa parte de uma extensão de corpo dela.
Erros são fundamentalmente aqueles que vão fazer que não flua a sociedade, todo o erro moral é um erro contra a liberdade e a propriedade de uma outra pessoa. Agora, erros que dependam de uns “óculos distorcidos ou pessoalizados”, de uma moral peculiar ou particular que dependa de cooptação e coerção moral: isso é fraude, isso é um erro.
Agora, temos que defender a liberdade das pessoas de escolher por elas mesmas para pensar todo e qualquer tipo de besteira, mesmo que não concordemos. Elas devem saber que devem responder por suas escolhas e suas ações e que ninguém força elas escolher nada, porém. Mas devem saber que devem, não que podem, que devem tomar o poder de controlar seu corpo e sua mente e sua propriedade para fazer aquilo que quiserem e que ter responsabilidade moral e social para as iguais escolhas de todas as outras pessoas possam formar um tecido social harmônico.
Erro, que não seja, claro, uma afronta à propriedade, e em consequência à auto-propriedade, individual não é ele mesmo um erro stricto sensu; e, portanto, o mal como dependente da totalidade ou da configuração completa de situação, não pode ser um atributo de uma coisa qualquer nela e por ela mesma.


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