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Coronavírus, bolsonarismo e a produção da ignorância

2020.08.31 00:32 pqamarks Coronavírus, bolsonarismo e a produção da ignorância

Coronavírus, bolsonarismo e a produção da ignorância
A “agnotologia” é o estudo da produção cultural da ignorância. Um exemplo de produção e difusão cultural da ignorância é a forma como a pandemia foi tratada pelo presidente Bolsonaro e grupos bolsonaristas.
Essa ignorância é promovida diariamente a partir do negacionismo científico de grupos favoráveis ao governo e que têm grande poder de influência através de redes sociais. Visitando páginas de sites como Youtube, Twitter, Facebook, entre outras, é possível verificar inúmeras publicações que distorcem dados, mentem e bestializam o público-alvo. Essas postagens, no contexto da pandemia, insistem em negar e, posteriormente, ignorar a gravidade da crise sanitária e a efetividade do isolamento social. Nestes tweets, vídeos do YouTube, posts do Facebook, etc, encontra-se espaço para a difusão irresponsável de teorias da conspiração e fake news que, finalmente, acabam resultando na morte da população brasileira, graças a uma forma de populismo digital.
A desinformação promovida por esses grupos leva ao descrédito da gravidade da pandemia, assassinando indiretamente várias pessoas que deixam de seguir as recomendações de isolamento social, já que acreditam em dados equivocados que são divulgados irresponsavelmente. A obviedade de que sair de casa leva as pessoas ao contágio, fazendo com que elas se tornem vetores (muitas vezes até assintomáticos) e levando indivíduos do grupo de risco a óbito é relativizada. As evidências facilmente encontradas em livros de epidemiologia e virologia são desprezadas e os mecanismos de transmissibilidade do vírus, descritos na literatura médica, são sempre relativizados, quando não são negados.
Um exemplo de desinformador das massas é o “médico” Osmar Terra, que se posicionou contra o fechamento de escolas, desprezando os mecanismos de circulação do vírus e a possibilidade de contágio a partir das idas às salas de aula, como foi confirmado posteriormente em estudo da Escola Médica de Harvard. Em abril, chegou a dizer que a epidemia em São Paulo terminaria em 30 dias. Em maio, negou a efetividade da quarentena e das medidas de isolamento social, publicando um estudo baseado em resultados de testes rápidos, que podem ter até 75% de erro, gerando vários falsos negativos nos testes rápidos de IgG. Não obstante, os autores do estudo deixaram claro que esses dados eram provisórios e nem ao menos citaram a quarentena no artigo. O maior problema disso é ver a opinião geral e observar que a grande maioria de seus seguidores nem ao menos se deu ao trabalho de ler o artigo, simplesmente concordando com o que foi publicado, o que confirma a produção e difusão de ignorância por parte de grupos bolsonaristas.
Outro exemplo é o grupo “Médicos Pela Liberdade”, que diariamente produz propaganda bolsonarista, pede a abertura das escolas, questiona as medidas de isolamento social, critica o uso de máscaras, etc, desprezando vários casos de contato social que infelizmente levaram pessoas a óbito e sendo cúmplice da necropolítica instaurada pelo atual governo. É rotineiro que esses “médicos” façam propaganda das ideias do guru Olavo de Carvalho, idolatrado pelos bolsonaristas. Aliás, é lamentável que “médicos” elogiem alguém que, no início da pandemia, negou as mortes por coronavírus, mentindo descaradamente e que se posiciona contrariamente às vacinas. A existência dessa página é um grande desserviço à saúde pública e, sem dúvida alguma, é um imenso desatino algum profissional de saúde se posicionar a favor de tantas insanidades. Esses "Médicos Pela Liberdade" são uma vergonha para a classe médica e a atuação deles frente à pandemia vai totalmente contra aquilo que está no Código de Ética Médica. Segundo o Art. 112 do Capítulo XII (Publicidade Médica), "É vedado ao médico: Divulgar informação sobre assunto médico de forma sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico", o que mostra que esses "médicos" não lutam pela vida, mas sim pela idolatria a um populista criminoso e incompetente. Aliás, no Capítulo XII é possível identificar várias outras quebras do CEM por parte desse grupo cujas atitudes são incompatíveis com os princípios da boa medicina.
O trabalho de Bernardo Küster, assim como os outros exemplos citados, minimiza a perda de vidas humanas (e ainda tem a cara de pau de se dizer "cristão") e desinforma milhares de pessoas diariamente propagando ideias anti-científicas, que inclusive são compartilhadas pelo filho do presidente, como é possível ver na imagem a seguir, publicada no artigo:

A produção da ignorância nas redes sociais bolsonaristas. Fonte: imagem obtida na rede social Facebook (2020).
O objetivo desta publicação é, obviamente, ridicularizar as medidas de isolamento social, produzindo ignorância em massa de forma muito rápida, através de publicações curtas. E o que é mais preocupante: é possível ver que, no momento em que o printscreen foi tirado, houve 3,5 mil compartilhamentos e, desses mais de 3 mil compartilhamentos, aqueles que se encontram nas listas de amigos das pessoas que compartilharam a publicação também compartilharam as publicações, levando a um efeito de “viralização”, literalmente, já que este post com certeza fez diversas pessoas se infectarem com o vírus, levando outros indivíduos a óbito, configurando um efeito em cascata, tanto digital, quanto biológico.
O aumento de óbitos foi gigantesco, mas foi negado pelos difusores de ignorância, como pode-se ver no infame Jornal “Brasil Sem Medo”, que inclui Bernardo Küster e Olavo de Carvalho entre os autores. Alguns dias depois da publicação da mentirosa matéria “A pandemia que não aumenta o número de mortos”, as informações foram refutadas por uma agência de fact-checking. Inclusive é possível verificar os números do genocídio presenciado em 2020 na própria fonte citada pelo jornaleco conservador de quinta categoria, com um aumento de mais de 70 mil óbitos em relação a 2019. Acessando o site do Portal da Transparência, vê-se que estamos tendo um verdadeiro massacre da população brasileira. Só de 16/3 a 03/8, em comparação entre 2019 e 2020, já vemos respectivamente 466.610 e 545.384 mortes, ou seja, um aumento de 78.774 mortes de 2019 para 2020, com números passíveis de mudança, já que o site do Registro Civil é dinâmico e as certidões de óbito demoram semanas para serem registradas. Enfim, no dia em que este texto foi escrito, esses eram os números, o que infelizmente mostra a grande derrota do Brasil contra a pandemia.
Em 2019, é possível ver que 652 pessoas morreram por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

Em 2020, o número de óbitos por SRAG subiu para 11.123, aumentando em mais de 15 vezes. Isto é, obviamente, resultado da falta de testes e confirmações de óbitos por COVID-19, graças à incompetência do governo que não tem um ministro da saúde há mais de 100 dias.
Outro ponto importante a ser discutido é a mentalidade paranoica dos bolsonaristas, que tanto temem uma “conspiração globalista da esquerda”, inclusive se negando a chamar o vírus pelo nome correto (que, de acordo com toda a literatura médica e bibliografia oficial, é o coronavírus, ou SARS-CoV-2), mas sim de “vírus chinês”, o que mostra o anseio de relativizar e reescrever a história. Imagina-se que o “comunismo internacional” está por trás da pandemia e que há um grande plano mundial de dominação do Brasil e destruição do governo Bolsonaro, inclusive com possibilidade de a China ter “criado o vírus em laboratórios”, copiando a narrativa republicana dos Estados Unidos, uma vez que o comportamento dos apoiadores de Donald Trump se assemelha bastante àquele dos bolsonaristas. Ambas narrativas propagam a ideia de que a extrema-direita é anti-establishment e que existe “um outro lado da história” que é censurado pela comunidade científica e pela mídia tradicional. Essa visão distorcida da realidade despreza fatos comprovados a partir de estudos de coorte, ensaios clínicos e revisões sistemáticas, que são estudos de alto grau de evidência, e que comprovam a eficiência das vacinas, as mudanças climáticas, a teoria da Evolução, o heliocentrismo e, inclusive, que a Terra não é plana (chega até a ser engraçado escrever isso). A Pirâmide de Evidência ilustra bem os níveis de evidência científica:

Vale lembrar que \"opinião de experts\" está na base da pirâmide.
Por fim, conclui-se que o bolsonarismo é uma complexa rede de produção de ignorância operada por meios digitais. Essa rede nega a complexidade dos fatos e a verificação daquilo que é publicado, utilizando métodos que induzem os leitores ao fanatismo a partir de mensagens rápidas que permitam que seus seguidores repitam palavras-chave, tais como “vírus chinês”, “Olavo tem razão”, “Osmar Terra tem razão”, “Bolsonaro tem razão”, entre outras sandices, sempre desprezando o senso crítico e apenas repetindo frases prontas. É um grande desafio para as ciências sociais, bem como para as ciências médicas, combater essa perigosa mentalidade que já levou pessoas a invadirem hospitais devido a falas proferidas por Bolsonaro e até a agressões físicas a profissionais de saúde. O bolsonarismo assumiu todas as características de uma seita cujos membros estão dispostos a seguir seu líder incondicionalmente, até a morte.
Me baseei no artigo Coronavírus, bolsonarismo e a produção da ignorância, cujo autor é o Jean Miguel, para a escrita desse texto.
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2020.08.31 00:22 pqamarks Coronavírus, bolsonarismo e a produção da ignorância

Coronavírus, bolsonarismo e a produção da ignorância
A “agnotologia” é o estudo da produção cultural da ignorância. Um exemplo de produção e difusão cultural da ignorância é a forma como a pandemia foi tratada pelo presidente Bolsonaro e grupos bolsonaristas.
Essa ignorância é promovida diariamente a partir do negacionismo científico de grupos favoráveis ao governo e que têm grande poder de influência através de redes sociais. Visitando páginas de sites como Youtube, Twitter, Facebook, entre outras, é possível verificar inúmeras publicações que distorcem dados, mentem e bestializam o público-alvo. Essas postagens, no contexto da pandemia, insistem em negar e, posteriormente, ignorar a gravidade da crise sanitária e a efetividade do isolamento social. Nestes tweets, vídeos do YouTube, posts do Facebook, etc, encontra-se espaço para a difusão irresponsável de teorias da conspiração e fake news que, finalmente, acabam resultando na morte da população brasileira, graças a uma forma de populismo digital.
A desinformação promovida por esses grupos leva ao descrédito da gravidade da pandemia, assassinando indiretamente várias pessoas que deixam de seguir as recomendações de isolamento social, já que acreditam em dados equivocados que são divulgados irresponsavelmente. A obviedade de que sair de casa leva as pessoas ao contágio, fazendo com que elas se tornem vetores (muitas vezes até assintomáticos) e levando indivíduos do grupo de risco a óbito é relativizada. As evidências facilmente encontradas em livros de epidemiologia e virologia são desprezadas e os mecanismos de transmissibilidade do vírus, descritos na literatura médica, são sempre relativizados, quando não são negados.
Um exemplo de desinformador das massas é o “médico” Osmar Terra, que se posicionou contra o fechamento de escolas, desprezando os mecanismos de circulação do vírus e a possibilidade de contágio a partir das idas às salas de aula, como foi confirmado posteriormente em estudo da Escola Médica de Harvard. Em abril, chegou a dizer que a epidemia em São Paulo terminaria em 30 dias. Em maio, negou a efetividade da quarentena e das medidas de isolamento social, publicando um estudo baseado em resultados de testes rápidos, que podem ter até 75% de erro, gerando vários falsos negativos nos testes rápidos de IgG. Não obstante, os autores do estudo deixaram claro que esses dados eram provisórios e nem ao menos citaram a quarentena no artigo. O maior problema disso é ver a opinião geral e observar que a grande maioria de seus seguidores nem ao menos se deu ao trabalho de ler o artigo, simplesmente concordando com o que foi publicado, o que confirma a produção e difusão de ignorância por parte de grupos bolsonaristas.
Outro exemplo é o grupo “Médicos Pela Liberdade”, que diariamente produz propaganda bolsonarista, pede a abertura das escolas, questiona as medidas de isolamento social, critica o uso de máscaras, etc, desprezando vários casos de contato social que infelizmente levaram pessoas a óbito e sendo cúmplice da necropolítica instaurada pelo atual governo. É rotineiro que esses “médicos” façam propaganda das ideias do guru Olavo de Carvalho, idolatrado pelos bolsonaristas. Aliás, é lamentável que “médicos” elogiem alguém que, no início da pandemia, negou as mortes por coronavírus, mentindo descaradamente e que se posiciona contrariamente às vacinas. A existência dessa página é um grande desserviço à saúde pública e, sem dúvida alguma, é um imenso desatino algum profissional de saúde se posicionar a favor de tantas insanidades. Esses "Médicos Pela Liberdade" são uma vergonha para a classe médica e a atuação deles frente à pandemia vai totalmente contra aquilo que está no Código de Ética Médica. Segundo o Art. 112 do Capítulo XII (Publicidade Médica), "É vedado ao médico: Divulgar informação sobre assunto médico de forma sensacionalista, promocional ou de conteúdo inverídico", o que mostra que esses "médicos" não lutam pela vida, mas sim pela idolatria a um populista criminoso e incompetente. Aliás, no Capítulo XII é possível identificar várias outras quebras do CEM por parte desse grupo cujas atitudes são incompatíveis com os princípios da boa medicina.
O trabalho de Bernardo Küster, assim como os outros exemplos citados, minimiza a perda de vidas humanas (e ainda tem a cara de pau de se dizer "cristão") e desinforma milhares de pessoas diariamente propagando ideias anti-científicas, que inclusive são compartilhadas pelo filho do presidente, como é possível ver na imagem a seguir, publicada no artigo:

A produção da ignorância nas redes sociais bolsonaristas. Fonte: imagem obtida na rede social Facebook (2020).
O objetivo desta publicação é, obviamente, ridicularizar as medidas de isolamento social, produzindo ignorância em massa de forma muito rápida, através de publicações curtas. E o que é mais preocupante: é possível ver que, no momento em que o printscreen foi tirado, houve 3,5 mil compartilhamentos e, desses mais de 3 mil compartilhamentos, aqueles que se encontram nas listas de amigos das pessoas que compartilharam a publicação também compartilharam as publicações, levando a um efeito de “viralização”, literalmente, já que este post com certeza fez diversas pessoas se infectarem com o vírus, levando outros indivíduos a óbito, configurando um efeito em cascata, tanto digital, quanto biológico.
O aumento de óbitos foi gigantesco, mas foi negado pelos difusores de ignorância, como pode-se ver no infame Jornal “Brasil Sem Medo”, que inclui Bernardo Küster e Olavo de Carvalho entre os autores. Alguns dias depois da publicação da mentirosa matéria “A pandemia que não aumenta o número de mortos”, as informações foram refutadas por uma agência de fact-checking. Inclusive é possível verificar os números do genocídio presenciado em 2020 na própria fonte citada pelo jornaleco conservador de quinta categoria, com um aumento de mais de 70 mil óbitos em relação a 2019. Acessando o site do Portal da Transparência, vê-se que estamos tendo um verdadeiro massacre da população brasileira. Só de 16/3 a 03/8, em comparação entre 2019 e 2020, já vemos respectivamente 466.610 e 545.384 mortes, ou seja, um aumento de 78.774 mortes de 2019 para 2020, com números passíveis de mudança, já que o site do Registro Civil é dinâmico e as certidões de óbito podem demorar para serem registradas. Enfim, no dia em que este texto foi escrito, esses eram os números, o que infelizmente mostra a grande derrota do Brasil contra a pandemia.
Em 2019, é possível ver que 652 pessoas morreram por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
Em 2020, o número de óbitos por SRAG subiu para 11.123, aumentando em mais de 15 vezes. Isto é, obviamente, resultado da falta de testes e confirmações de óbitos por COVID-19, graças à incompetência do governo que não tem um ministro da saúde há mais de 100 dias.
Outro ponto importante a ser discutido é a mentalidade paranoica dos bolsonaristas, que tanto temem uma “conspiração globalista da esquerda”, inclusive se negando a chamar o vírus pelo nome correto (que, de acordo com toda a literatura médica e bibliografia oficial, é o coronavírus, ou SARS-CoV-2), mas sim de “vírus chinês”, o que mostra o anseio de relativizar e reescrever a história. Imagina-se que o “comunismo internacional” está por trás da pandemia e que há um grande plano mundial de dominação do Brasil e destruição do governo Bolsonaro, inclusive com possibilidade de a China ter “criado o vírus em laboratórios”, copiando a narrativa republicana dos Estados Unidos, uma vez que o comportamento dos apoiadores de Donald Trump se assemelha bastante àquele dos bolsonaristas. Ambas narrativas propagam a ideia de que a extrema-direita é anti-establishment e que existe “um outro lado da história” que é censurado pela comunidade científica e pela mídia tradicional. Essa visão distorcida da realidade despreza fatos comprovados a partir de estudos de coorte, ensaios clínicos e revisões sistemáticas, que são estudos de alto grau de evidência, e que comprovam a eficiência das vacinas, as mudanças climáticas, a teoria da Evolução, o heliocentrismo e, inclusive, que a Terra não é plana (chega até a ser engraçado escrever isso). A Pirâmide de Evidência ilustra bem os níveis de evidência científica:
Vale lembrar que \"opinião de experts\" está na base da pirâmide.
Por fim, conclui-se que o bolsonarismo é uma complexa rede de produção de ignorância operada por meios digitais. Essa rede nega a complexidade dos fatos e a verificação daquilo que é publicado, utilizando métodos que induzem os leitores ao fanatismo a partir de mensagens rápidas que permitam que seus seguidores repitam palavras-chave, tais como “vírus chinês”, “Olavo tem razão”, “Osmar Terra tem razão”, “Bolsonaro tem razão”, entre outras sandices, sempre desprezando o senso crítico e apenas repetindo frases prontas. É um grande desafio para as ciências sociais, bem como para as ciências médicas, combater essa perigosa mentalidade que já levou pessoas a invadirem hospitais devido a falas proferidas por Bolsonaro e até a agressões físicas a profissionais de saúde. O bolsonarismo assumiu todas as características de uma seita cujos membros estão dispostos a seguir seu líder incondicionalmente, até a morte.

Me baseei no artigo Coronavírus, bolsonarismo e a produção da ignorância, cujo autor é o Jean Miguel, para a escrita desse texto.
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2020.08.05 14:39 lariodiniz Comunismo: Simplificando o Manifesto

A palavra “COMUNISMO” tem sido utilizada de forma pejorativa por pessoas intencionadas a distorcer o seu real significado. Dessa forma, é necessário apresentar as visões de mundo, os objetivos e as tendências do comunismo, para, assim, desmistificar a palavra e os homens e mulheres que lutam por ele.
1. A SOCIEDADE.
A luta de classes é uma constante na história, de um lado os opressores e de outro os oprimidos, em oposição. Essa luta ora termina em transformação revolucionária da sociedade, ora na destruição das classes em conflito.
Existem duas classes em confronto: (i) BURGUESIA, as pessoas deste grupo detém as grandes propriedades privadas e capital; (ii) O PROLETARIADO, que trabalham e, em troca, recebem salário para sobreviver.
Trabalho é uma atividade mental ou física que produz bens e serviços, ou seja, transforma a natureza para ser melhor aproveitada pela sociedade, todo trabalho necessita dos meios de produção, conjunto formado pelos meios de trabalho e os objetos de trabalho que incluem as fábricas, as ferramentas, as instalações, as matérias primas, os combustíveis e os meios de transporte. Desta forma dizemos que valor é o aproveitável, o útil na sociedade que foi gerado pelo trabalho.
Sobre a propriedade privada é importante esclarecer que somente é considerado nessa terminologia os meios de produção que pertencem a um indivíduo ou pequeno grupo de indivíduos que são utilizadas para explorar o valor gerado pelo trabalho alheio. Um meio de produção que pertence a todos os membros da sociedade é uma propriedade social.
Nesse sentido, a burguesia utiliza a propriedade privada para explorar o valor gerado pelo trabalhador, ou seja, no lugar de pagar o valor real do trabalho a burguesia paga o mínimo necessário para o trabalhador sobreviver e rouba o resto deste valor. A diferença do valor real de um trabalho e o que a burguesia paga pelo mesmo é chamada de mais-valia.
A burguesia transforma a mais-valia em capital, isto é, um tipo de poder social, que pode resultar em recursos ou mais propriedade privada. Importante salientar que somente quem detém o capital é capitalista, ou seja, ocupa a posição social de explorador do trabalho alheio na produção.
Também existe uma terceira classe que não está em confronto direto, chamada de pequeno-burgueses, é constituída pelos pequenos comerciantes, pequenos agricultores e donos de pequenas empresas que empregam trabalhadores assalariados, mas não tem grandes propriedades privadas e capital. Devido o avanço dos grandes burgueses, como quando abrem grandes franquias próximo aos pequenos comerciantes ou tomam as terras dos pequenos agricultores, os membros dessa classe são sempre transformados em trabalhadores para sobreviver e por isso estão do lado do proletariado na luta de classes.
Cabe esclarecer que os trabalhadores e os pequeno-burgueses não têm propriedade privada, porque casas, carros, celulares, computadores, roupas, etc, são consideradas propriedades individuais, ou seja, essa propriedade não é meio de produção utilizado para explorar o valor gerado pelo trabalho alheio.
O estado moderno é apenas um comitê para gerir os negócios comuns de toda a classe burguesa, assegurando a propriedade privada apenas nas suas mãos. Através desse poder de controle da sociedade pela propriedade privada, a burguesia estabeleceu uma única liberdade: A do comércio.
Na sociedade atual os trabalhadores não têm propriedade privada, o acúmulo de capital pela burguesia é a única coisa que importa, fazendo com que a mesma explore o recurso de outros países mais pobres e com isso aumente seus ganhos, tirando assim o caráter nacional do trabalho e as leis, a moral e as religiões dominantes são meros artifícios que ocultam outros tantos interesses burgueses.
É necessário desfazer a SOCIEDADE BURGUESA para que o movimento proletário (autônomo e em proveito da maioria) se erga.
2 . OBJETIVO DO COMUNISMO
Nós comunistas estamos do mesmo lado dos trabalhadores, temos os mesmos interesses e os mesmos princípios, nós somos trabalhadores.
Distinguimos em apenas dois pontos: (i) Prevalência dos interesses comuns dos trabalhadores, independente da nacionalidade; (ii) Representação dos interesses dos trabalhadores na luta de classes contra a burguesia.
Nosso objetivo é a propagação da consciência de classe para todo o proletariado, ou seja, que todo trabalhador entenda que ele pertence a classe trabalhadora e que o mesmo está em constante conflito de interesses com a burguesia; a derrubada da supremacia burguesa e a conquista do poder político pelos trabalhadores.
Além disso, não queremos a abolição da propriedade em geral, mas a abolição da propriedade privada que, repita-se, são as propriedades pertencente a burguesia que são utilizadas para roubar o valor produzido pelos trabalhadores e com isso gerar poder e dominação da massa, diversa da propriedade individual.
Outro objetivo é que os trabalhadores recebam pelo seu trabalho tudo que eles precisam para ter uma vida confortável e que os excedentes produzidos sejam utilizados para melhorar a vida de todos os trabalhadores.
Não queremos privar ninguém da sua parte do valor produzido pelo próprio trabalho, queremos que acabe a apropriação do valor do trabalho dos outros, não queremos o fim da produção, queremos o fim do acúmulo do capital na mão da burguesia, não queremos o fim da cultura, queremos o fim da cultura burguesa que é apenas um adestramento que transforma seres humanos em máquinas, não queremos os fim das leis, queremos o fim do direito burguês, que é apenas a vontade da burguesia transformada em leis.
Nós comunistas não queremos o fim da família, queremos o fim dos fundamentos da família burguesa que são: As mulheres como instrumentos de produção, objetos que os burgueses podem usar, tendo a sua disposição as mulheres trabalhadoras, a prostituição oficial e um singular prazer em conquistar as esposas uns dos outros.
Para a burguesia nossas crianças são simples artigos de comércio e a educação burguesa serve apenas para transformar nossas crianças em máquinas sem senso crítico, queremos a substituição da educação burguesa por uma educação pública e gratuita que incentive nossas crianças.
Queremos dar o poder político para os trabalhadores, tornando-os na classe que controla a nação, nessa medida, o comunismo é nacional, mas de modo algum no sentido burguês da palavra.
A supremacia dos trabalhadores fará os isolamentos e antagonismos nacionais entre os povos desaparecerem, com o fim da exploração dos seres humanos será suprimido também a exploração de uma nação por outra, com o fim da luta de classes, terá fim a hostilidade entre as nações.
Nada temos a dizer sobre a religião, filosofia e ideologia em geral, entendemos que ao mudarmos as relações de vida dos seres humanos, as suas relações sociais e existência social, mudam também as concepções de todos esses conceitos.
As ideias dominantes de uma época são ideias da classe dominante, logo, quando os trabalhadores forem a classe dominante eles definirão essas ideias.
Nós comunistas apoiamos em toda parte qualquer movimento revolucionário contra a burguesia. Em todos esses movimentos porém, colocamos em destaque como questão fundamental o fim da propriedade privada, alguns exemplos de movimentos revolucionários que apoiamos é a revolução Curda em Rojava, os movimentos Zapatistas no México e a insurreição Comunista da Índia.
Trabalhamos pela união e pelo entendimento dos partidos democráticos de todos os países, deixando clara a nossa opinião de que nossos objetivos só podem ser alcançados com o fim da exploração burguesa.
Acreditamos que a revolução comunista ocorrerá em duas fases. A primeira fase, que chamamos de socialismo, é os trabalhadores se tornando a classe dominante da sociedade, quando isso ocorrer o proletariado arrancará todo o capital da burguesia, centralizando todos os instrumentos de produção nas mãos dos trabalhadores e aumentará o mais rápido possível as forças produtivas. Para isso ocorrer algumas medidas serão postas em prática, elas serão diferentes para cada país, contudo, algumas delas poderão ser:
  1. Retirada das terras de quem tem grandes hectares e distribuição entre os trabalhadores.
  2. Imposto maior para os mais ricos e menor para os mais pobres.
  3. Fim do direito de herança
  4. Confisco da propriedade privada de toda a burguesia.
  5. Educação pública, gratuita e emancipatória para todas as crianças; Fim do trabalho Infantil.
Dessa Forma, se os trabalhadores se organizarem como classe, se tornarem a classe dominante e destruírem as relações de produção da burguesia, destruirão também as condições do antagonismo de classes, não existirá mais burguês e pequeno-burguês, todos serão trabalhadores e, com isso, destruirá sua própria dominação como classe.
Em lugar da sociedade atual, surgirá uma associação na qual o livre desenvolvimento de cada um é a condição para o livre desenvolvimento de todos, onde cada um produzirá o que pode, consumirá o que necessita e o excedente será usado para ampliar, enriquecer e promover a existência de todos, estaremos então na segunda fase da revolução, o comunismo.
Que as classes dominantes tremam à idéia de uma revolução comunista! Nela trabalhadores nada tem a perder a não ser as suas correntes, têm o mundo a ganhar!
Proletários de todos os países, uni-vos!
3. Apêndice.
Este texto foi escrito baseado no livro Manifesto Comunista / Teses de Abril da Editora Boitempo [1].
Seu intuito é simplificar e condensar as principais ideias do manifesto comunista em um linguajar mais simples e acessível para os dias de hoje servindo como um texto introdutório para os conceitos demonstrados no livro.
Para um aprofundamento nas ideias comunistas leia o Manifesto Comunista [2] e acompanhe alguns canais do youtube [3] e podcasts [4].
1: https://www.boitempoeditorial.com.bproduto/manifesto-comunista-teses-de-abril-692
2: http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/manifestocomunista.pdf
3:
4:
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2020.08.04 16:46 ninja_hamster69 Uma dúvida sobre livros brasileiros. Não sei se este é o sítio correto para perguntar.

Olá! Tenho 18 anos e vou a Portugal no próximo ano para começar meus estudos superiores. O problema é que, devido à política de bagagem, terei de deixar um bocado de livros meus e comprá-los aí. Por isso, gostaria de saber como é a obtenção de títulos brasileiros aí por terras portugas (físicos, uma vez que são mais fáceis para estudo e consulta).
Andei a procurar na net mas não encontrei muitos em forma física para vender na Europa.
Exemplos de alguns livros:
O jardim das aflições
O imbecil coletivo
História da Literatura Ocidental
A Vida Intelectual
Como Ler Livros
O Trivium
Quadrivium
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2020.06.16 04:01 O_estoico HEA que fábricas eram proibidas no Brasil em 1785

Estou desenvolvendo algumas pesquisas acadêmicas e encontrei esse texto: http://portal.mec.gov.bsetec/arquivos/centenario/historico_educacao_profissional.pdf
Nele encontrei o seguinte trecho: "O desenvolvimento tecnológico do Brasil ficou estagnado com a proibição da existência de fábricas em 1785. Isso aconteceu devido à consciência dos portugueses de que “O Brasil é o país mais fértil do mundo em frutos e produção da terra. Os seus habitantes têm por meio da cultura, não só tudo quanto lhes é necessário para o sustento da vida, mais ainda artigos importantíssimos, para fazerem, como fazem, um extenso comércio e navegação. Ora, se a estas incontáveis vantagens reunirem as das indústrias e das artes para o vestuário, luxo e outras comodidades, ficarão os mesmos totalmente independentes da metrópole. É, por conseguinte, de absoluta necessidade acabar com todas as fábricas e manufaturas no Brasil”, (Alvará de 05.01.1785 in Fonseca, 1961)."

Fiquei um pouco estarrecido com isso, concordam que é absurdo?
Pensando a respeito vejo que isso tem muito impacto na nossa cultura de fabricação e nos fenômenos recentes de desindustrialização no Brasil.
Logo relacionei os fatos acima descritos aos movimento de volta da monarquia no Brasil. Como alguém pode defender um período tão retrogrado de nossa história?
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2020.05.18 20:10 Dannzsche Sites referência - Aberto a contribuições

Referências Anarquistas e Anti-capitalistas em geral

Index organizado pelo ItsGoingDown - Maior parte em inglês, com algumas referências em francês, alemão e tcheco (?) - https://www.reddit.com/ItsGoingDown/wiki/index
Internacional Confederation of Labour-Confederación International del Trabajo (Inglés-Espanhol) - https://www.icl-cit.org/
Federação das Organizações Sindicalistas Revolucionárias do Brasil - https://lutafob.wordpres
Centro de Mídia Independente - https://midiaindependente.org
Agência de Notícias Anarquistas - https://noticiasanarquistas.noblogs.org
Anarcopunk - https://anarcopunk.org/v1/
Instituto de Teoria e História Anarquista - https://ithanarquista.wordpress.com
Asranarchism - Anarchist Union of Afghanistan and Iran (Inglês/Árabe, e um pouco em outras linguas também)- https://asranarshism.com/
Indigenous Anarchist Federation (Inglês)
Libcom - Noticias, artigos, livros, imagens e recursos diversos (Inglês) - http://libcom.org
Anarkismo - muita coisas em muitas línguas - https://www.anarkismo.net/index.php
Traficantes de Suenos - https://www.traficantes.net/
Periodico Anarquista: La boina (Espanhol) - https://periodicolaboina.wordpress.com
Enlace Zapatista -http://enlacezapatista.ezln.org.mx
Portal Libertário Oaca (Espanhol) - https://www.portaloaca.com
União Anarquista - https://uniaoanarquista.wordpress.com
Coordenação Anarquista Brasileira - http://cabanarquista.org
CAB no youtube - https://www.youtube.com/usefederacaoanarquista/featured
C4ss - https://c4ss.org/content/category/portuguese
Passa Palavra - https://passapalavra.info
Biblioteca Anarquista Português - https://bibliotecaanarquista.org/special/index
Anarquismo pdf - materiais preciosíssimos sobre anarquismo na África, America Latina e China, a maioria em espanhol - https://www.facebook.com/pg/pedagogialibertarialarevuelta/photos/?tab=album&album_id=1745862925662925&ref=page_internal
Contribuição de materiais variados: https://drive.google.com/folderview?id=1RuFzKcbOjlsEQQKSt-jIelkf6zNO6lIc
Biblioteca Anarquista Básica (Google drive) - https://drive.google.com/drive/folders/0B_HdxH8_WkufQnRsdXFOVkdUak0
Biblioteca Anarquistas Inglês - https://theanarchistlibrary.org/special/index
Facção Fictícia - https://faccaoficticia.noblogs.org
Editora Terra sem Amos - https://terrasemamos.wordpress.com
Outras Palavras - https://outraspalavras.net/sobre/
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2020.01.28 15:31 Charles_Bronsonaro Finlandês responde: Qual é a diferença entre o socialismo nos países nórdicos e na Venezuela?

Eu sou um finlandês, eu posso responder essa questão de cabo a rabo. Do nosso ponto de vista essa pergunta é um insulto, mas eu acredito que você não queria nos insultar, então eu vou lhe perdoar.
Na história dos países nórdicos (Suécia, Finlândia, Noruega, Dinamarca e Islândia), houve duas tentativas de implantação do socialismo: em 1918 e 1939–1944. Vamos dar uma passada por esses eventos pra melhor entender como nós nos sentimos com relação ao socialismo, e depois eu vou escrever sobre alguns fatores que permitiram um fortalecimento das economias nórdicas, até o que elas são hoje em dia.
Assim que a Finlândia declarou a sua independência em dezembro de 1917, eclodiu a guerra civil finlandesa entre os brancos e os vermelhos, em janeiro de 1918. Os brancos eram liderados pelo Senado finlandês, já os vermelhos eram alguns esquerdistas finlandeses sustentados e abastecidos de armas pela União Soviética. Os vermelhos queriam trazer o socialismo para a Finlândia, mas os brancos - isto é, o exército finlandês de fato - venceram e o país continuou como uma democracia ocidental.
Na segunda tentativa, a União Soviética atacou a Finlândia em novembro de 1939, no que ficou conhecido como a guerra de inverno. A Sociedade das Nações, precursora das Nações Unidas, considerou o ataque ilegal e expulsou a União Soviética da organização.
O plano do exército vermelho era tomar a Finlândia em algumas poucas semanas, começando com uma declaração de guerra e um ataque massivo. Os finlandeses se defenderam com todas as suas forças e o país jamais foi ocupado. A Finlândia, entretanto, perdeu partes da Carélia, Salla, Kuusamo e Petsamo para a União Soviética. Essas áreas, que foram anexadas à URSS, converteram-se ao socialismo e foram transformadas de lugares ricos para a pobreza.
Os arquivos da União Soviética depois revelaram os planos da União Soviética para o conjunto de operações do noroeste em 1939–1944. Os políticos decidiram que deveriam tomar as terras dos outros países. Isso é socialismo, e é contrário a qualquer código moral.
Eu acredito que você não quis perguntar a respeito dessas pequenas interferências do socialismo na nossa história, em vez disso, você quis saber o modelo nórdico de estado de bem estar social. A diferença deve ser cristalina:
No socialismo, os meios de produção, como as terras e as fábricas devem ser de propriedade coletiva, normalmente do Estado. Socialismo quer dizer confiscar as propriedades das pessoas. Aqui, entre os nórdicos, nós chamamos isso de roubo e é ilegal.
Entre os países nórdicos, nós escolhemos um caminho bem diferente, promover os direitos humanos individuais e o bem estar social. No nosso modelo, nós investimos em duas áreas: educação e assistência à saúde. Nenhuma delas tem nada que ver com socialismo.
Então eu vou mudar a questão para: por que é que o modelo nórdico é tão exitoso?
A resposta é: porque o retorno sobre o investimento em educação e saúde é alto. Os nórdicos criaram um ciclo virtuoso: crianças saudáveis + boa educação -> empresas inovadoras e lucrativas -> contratar novas pessoas -> pagar melhores salários -> arrecadar mais imposto de renda -> arrecadação para manter um bom nível de educação e de assistência à saúde.
Eu vejo a Finlândia e outros países nórdicos investirem continuamente no futuro; educar as novas gerações; cuidar da saúde; empoderar novos negócios.
Você usou a expressão "incrivelmente exitoso". Eu diria o mesmo, mas de uma maneira mais precisa. Nós finlandeses somos uma gente modesta, então eu vou apenas listar alguns rankings mundialmente aceitos.
A Finlândia tem uma das maiores rendas per capita do mundo. Além disso, o país está entre os primeiros em várias métricas de desempenho comparativo entre países, desde educação, competitividade e liberdades civis, como:
Esses feitos não vieram de graça. Você não pode ter um PIB alto e um bem estar social sem empresas lucrativas pra pagar os impostos. Qual é a fonte de renda dos países nórdicos? Bom, cada país nórdico tem a sua história a respeito.
Conforme um dos requisitos do acordo de paz, a Finlândia teve que pagar reparações de guerra no valor de cinco bilhões de dólares em valores atuais para a União Soviética. Então, para entregar dezenas de milhares de máquinas, locomotivas e navios no período entre 1944 e 1952, a Finlândia agrária precisou se industrializar rápido. Desde aquela época, o país se escorou em inovações tecnológicas. Você pode dar uma olhada no índice global de inovação, dois países nórdicos estão entre os cinco primeiros países: a Suécia e a Finlândia. Essas inovação catalizaram novos ramos de negócio, por exemplo: a indústria naval entre as décadas de cinquenta e sessenta, a de telefones celulares entre as décadas de oitenta e noventa e a de jogos para telefones móveis entre as décadas de 2000 e 2010.
Vamos pensar em escala agora de uma maneira mais concreta: a Finlândia é um país pequenininho, de apenas cinco milhões de habitantes. Entretanto, nada mais nada menos que 60% dos navios quebra-gelo foram construídos no país. Em 2016 a participação da Finlândia no total de receitas de 35 bilhões do negócio de jogos para celular foi de 7%. Entre alguns jogos bem famosos desenvolvidos na Finlândia estão: Angry Birds, Boom Beach e Best Fiends.
Na Suécia, eles também são muito bons na criação de novos modelos de negócio globais, como os da Ikea e do Spotify.
O modelo nórdico não quer dizer um apetite por empresas estatais. Ao redor do mundo, muitos países têm os serviços ferroviário e de correios nas mãos do estado. Os países nórdicos, por um outro lado, os privatizaram. Sim, isso diminuiu a qualidade do serviço e causou aumentos nos preços, mas mesmo assim não iremos voltar atrás. Na competição global valem as regras da economia de mercado. Quanto mais nós jogarmos por essas mesmas regras, mais chance teremos de vencermos.
Uma vez que somos países pequenos, nós aprendemos a perseguir sempre a cooperação, para que possamos inclusive sobreviver. Vamos dar uma olhada em um case de negócios.
No final da década de setenta, as operadores de telefonia dos países nórdicos se reuniram e especificaram a primeira rede de telefonia móvel totalmente automática, para substituir as antigas redes ARP (Auto Rádio Fone). O novo padrão se chamou NMT, cuja tradução é Telefonia Móvel Nórdica, que começou a funcionar em 1981. As especificações do NMT eram livres e abertas, o que permitiu a muitas empresas produzir equipamentos segundo o padrão, reduzindo, por consequência, os preços. Redes NMT foram construídas em cerca de vinte países.
Entre os fabricantes de equipamentos NMT estavam: a Nokia da Finlândia (fundada em 1865); a Ericsson sueca (de 1876); a Storno dinamarquesa e depois adquirida pela General Eletric e por fim pela Motorola; a AP, outra dinamarquesa adquirida pela Philips; e a Simonsen Telecom norueguesa (fundada em 1970).
Dez anos depois, outras companhias de telefonias se juntaram ao barco e criaram o próximo padrão de telefonia móvel: o GSM, também conhecido por 2G. A primeira ligação GSM foi realizada na Finlândia em dezembro de 1991.
Os padrões abertos permitiram uma competição acirrada entre os fabricantes, mas mais acirrada ainda era aquela entre as operadoras de telefonia. Enquanto que ao redor do mundo predominava o monopólio de uma única empresa a nível nacional, na Finlândia, havia bastante competição: além da operadora nacional de telefonia estatal, existiam muitas operadoras privadas regionais. No final dos anos 1980, cinquenta operadoras de telefonia operavam na Finlândia, isso era mais do que o número total de operadoras atuando em todos os demais países europeus.
A competição feroz pelos clientes domésticos, disputados entre a operadora de telefonia estatal e seus competidores privados, impulsionou o desenvolvimento de produtos na unidade de maior crescimento da Nokia: a Telenokia, entre os anos oitenta e noventa. Isso preparou a empresa para competir nos mercados globais. Agora, três décadas depois sobraram apenas três grandes marcas de equipamentos de redes de telefonia: a Nokia da Finlândia, a Ericsson sueca e a Huawei da China.
E sim, voltemos ao estado de bem estar social. Sem uma ambiente de negócios bem lucrativo, não há estado de bem estar social. O papel dos políticos é propiciar investimentos a longo prazo na infraestrutura que irá fomentar os negócios. Os investimentos em educação e saúde já provaram ter um alto retorno.
É claro que nem todos os países podem copiar essa mesma trajetória de negócios para sustentar o bem estar social, e nem todos precisam.
As empresas suecas, por um outro lado, provavelmente não fizeram tantas inovações tecnológicas mas criaram modelos de negócio mais revolucionários, como exemplo: a Ikea e o Spotify. As empresas norueguesas sempre puderam contar com a pesca. Em 1969, eles ainda encontraram petróleo sob o mar. Esse tesouro foi transformado em um fundo. Citando os noruegueses: "o objetivo do fundo é garantir uma gestão responsável das receitas da Noruega com gás e petróleo no Mar do Norte de modo que essa riqueza possa beneficiar as gerações atuais e futuras. O nome oficial do fundo é Fundo Global de Pensões Governamentais." Os islandeses também são bons em pesca. As necessidades energéticas deles foram supridas por fontes naturais geotermais e hidrelétricas (do mar). 99,9% da eletricidade na Islândia é gerada a partir de fontes renováveis. Na Dinamarca, a agricultura é bem desenvolvida, e o turismo cresceu a ponto de se tornar o segundo maior negócio.
Você já deve ter lido vários artigos sobre os finlandeses podendo aproveitar da educação grátis e do sistema de saúde grátis. Gostaria apenas de lembrá-lo que nós temos também a opção de escolas privadas e da saúde privada. O desafio do setor público é manter a qualidade tão alta, de modo que as pessoas o prefiram.
Já falei muito sobre números, vamos concluir com algumas histórias:
Sobre educação: na minha juventude eu estudei por muitos anos numa escola pública, então mudei para uma escola privada (que são igualmente pagas, assim como nos EUA), porque eu queria me especializar em algumas matérias, aí eu mudei de novo para outra escola pública, que era considerada a melhor do país. O que eu percebi foi que todas eram igualmente boas. O investimento a longo prazo em educação (e na formação dos professores) criou uma competição tão acirrada que no final das contas as diferenças entre as escolas é pequena. Se você não confia em mim, já que eu sou finlandês, você pode confiar no relatório das Nações Unidas sobre o melhor sistema educacional do mundo.
Já sobre a saúde: minha mãe era filha de fazendeiros, nascida em 1931. Quando ela tinha catorze anos, conseguiu um trabalho de estagiária em um hospital local. Alguns anos depois se formou enfermeira especializada em cirurgias. Ela trabalhou em hospitais privados e públicos. Ao longo da vida dela, ele teve alguns problemas de saúde, como muitas outras pessoas, desde infartos até um derrame que deixou metade do seu corpo paralisado. Em outras palavras, ela conhece bem o sistema de saúde da Finlândia, mas em uma coisa ela é bem teimosa. Sempre que eu sugiro a ela que vá a um médico particular ou a um hospital particular, se recusa. Ela quer ir para o sistema público de saúde, mas não é porque ela acha que o sistema de saúde particular é ruim, com 88 anos, ele prefere realmente o sistema público, que sempre cuidou bem dela. É como uma lealdade a uma marca.
Ah sim, e quanto à Venezuela? Acredito que eles não se esforçaram muito em prover uma boa educação ou um sistema de saúde de alta qualidade. Em vez disso, eles tentaram o socialismo.
O modelo nórdico se preocupa em investir no futuro, enquanto o socialismo se preocupa em roubar do presente. O fundamento do modelo nórdico é permitir às pessoas escolherem o que elas querem, e garantir ao menos bons serviços públicos para suprir as suas necessidades.
Então, respondendo a pergunta:
O socialismo e o modelo nórdico são abordagem opostas, então é mais do que natural que uma dessas abordagens pareça ter alcançado sucesso enquanto a outra é um desastre completo.

FONTE: https://pt.quora.com/Qual-%C3%A9-a-diferen%C3%A7a-entre-o-socialismo-nos-pa%C3%ADses-n%C3%B3rdicos-e-na-Venezuela
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2019.12.22 08:17 MinistroPauloCats A História da Criminalidade no Rio de Janeiro

A HISTÓRIA DA CRIMINALIDADE NO RIO DE JANEIRO


O professor de história Carlos Eduardo aponta os fatores que levaram o Rio de Janeiro a se tornar uma referência negativa no que tange a criminalidade.

A seguir uma descrição do que aconteceu em todos os governos desde o final daquele que antecedeu o governo Brizola em diante para entender como é que se deu essa crescente violência do Rio de Janeiro.

Em primeiro lugar eu gostaria de voltar um pouquinho no tempo, quando a capital saiu para Brasília. Eu considero uma tremenda lástima a saída da capital do Rio de Janeiro para Brasília.

Primeiro, porque ela foi baseada numa falácia: que iria desenvolver o Centro-Oeste. Na verdade o que desenvolveu o Centro-Oeste foi o agronegócio. Cidades já existiam e apenas cresceram. Brasília nada produz.

Segundo lugar, tirou o poder de junto do povo. Hoje em dia é impossível você chegar junto de qualquer autoridade para reivindicar qualquer coisa em Brasília, em parte por causa da distância. Quando Brasília foi construída era possível chegar do Rio de Janeiro de São Paulo, de Belo Horizonte em 3 horas. Hoje em dia não existem mais trens passageiros no Brasil. Então você tinha uma facilidade imensa de levar as pessoas até lá, se bem que quando chegassem lá essas pessoas também não teriam mobilidade, mas era possível chegar.

A cerca de quatro anos depois da construção de Brasília esses trens foram suprimidos. Então Brasília hoje é um lugar isolado. Ninguém vai para Brasília por menos de 3-4 mil reais. Quando a capital saiu daqui, foi para Brasília, o poder se distanciou do povo.

Surgiu então uma questão secundária: o que fazer com isso aqui. A PDF - Prefeitura do Distrito Federal - foi criada ainda no tempo do Império, no tempo das diligências, através do ato adicional que criou o Município Neutro, que não fazia parte do estado do Rio de Janeiro.

Então eles resolveram criar um novo estado aqui: o estado da Guanabara. Esse estado da Guanabara teve um governador que foi talvez um dos melhores governadores que o Brasil já teve chamado Carlos Lacerda. Ele não era perfeito, cometeu grandes erros, mas Lacerda foi um exemplo, um divisor de águas na administração pública brasileira.

Um desses erros que infelizmente Lacerda cometeu foi a política de erradicar algumas favelas extremamente incômodas, as populações consideradas problemáticas que ficavam na Zona Sul da cidade e transferir essas favelas para grandes conjuntos habitacionais na Zona Oeste na zona rural da época.

Então depois de Lacerda tivemos o governador Negrão de Lima, que foi um governador absolutamente apagado, e tivemos o governador Antônio de Pádua Chagas Freitas, que era dono do jornal O Dia. Na época era um jornal popular do tipo que se espremesse saía sangue. Hoje tem uma linha editorial totalmente diferente, mas antigamente era mais especializado em funcionários públicos e outras notícias assim.

Pois bem, esse governador Chagas Freitas era um governador extremamente impopular. Ele ficou dois mandatos, um pelo estado da Guanabara, depois ele ficou mais um tempo como governador do estado do Rio uma vez que houve fusão do estado do Rio de Janeiro com o estado da Guanabara.

Quando houve essa fusão, o tipo de política que se fazia no estado do Rio de Janeiro era bastante ruim, baseada em na figura dos chamados coronéis. A política do Rio de Janeiro era muito personalista, e esse tipo de política é baseado em compra de votos, nomeação de cargos públicos, de funcionários públicos sem concurso apenas por conhecer um político. Esse tipo de vício político invadiu estado da Guanabara e ao mesmo tempo a riqueza do estado da Guanabara - que era o segundo estado mais rico da federação e participava com mais de 30 por cento da economia do Brasil - essa riqueza toda passou pra esses políticos do interior.

Nesse contexto nós tivemos o segundo governo do Chagas Freitas e aí veio o processo chamado Abertura. Então o governador Brizola voltou. Brizola era um antigo conhecido dos cariocas. Brizola uma vez boicotou a vinda do chamado feijão preto para o estado da Guanabara. Por uma particularidade que eu não sei explicar porquê, o Rio de Janeiro é o único estado da federação que o feijão preto é a base alimentar. O feijão preto era plantado no Rio Grande do Sul apenas para abastecer o estado do Rio de Janeiro. Nos outros estados o feijão preto é consumido mais como exceção, mas aqui é consumido diariamente, inclusive tem muita gente que como feijoada diariamente. Mas enfim, o Brizola, então governador do Rio Grande do Sul, por várias maneiras conseguiu impedir a vinda de trens, de caminhão, de navegação de cabotagem com gêneros alimentícios para o estado da Guanabara.

Embora a capital oficialmente já tivesse saído para Brasília, a capital de facto ainda era aqui. Tanto é que no dia 31 de março, o saudoso general Olímpio Mourão Filho desceu de Juiz de Fora para colocar fim ao comunismo de João Goulart. Ele desceu para o estado da Guanabara.

Muitas estatais estavam aqui, muitos ministérios estavam aqui e há até hoje: a Petrobrás está aqui, a Ancine está aqui, acho que o IPI também, o Instituto de Pesos e Medidas, a Biblioteca Nacional, o próprio Museu Nacional que pegou fogo, o palácio da Quinta da Boa Vista, ainda tem muita coisa federal aqui.

Quando os militares abriram as portas, o senhor Leonel Brizola, que foi o homem escolhido para implantar o comunismo no Brasil, um comunismo do tipo cubano, esperou um tempo para ter certeza que teria segurança.

Ele era um homem que, pelo rádio, conclamava o povo incitava o povo a fazer pequenas milícias de guerrilha para derrubar o governo militar, aliás ele tramava para derrubar o próprio cunhado dele João Goulart - era completamente obcecado pelo poder.

Esse homem perturbou imensamente o governo de Carlos Lacerda. Ele e Brizola eram inimigos figadais, eles tinham um ódio irreconciliável. Mas como Lacerda foi um excelente governador, ele praticamente pavimentou todas as ruas do Rio de Janeiro, ele acabou com a questão da vala negra a céu aberto, ele asfaltou muitas ruas. Infelizmente ele acabou com o bonde, fez algumas coisas erradas. Todos esses conjuntos habitacionais foram também muito ruins, mas de um modo geral, só o fato de ele acabar com o problema da falta d'água já foi uma coisa maravilhosa.

As pessoas contavam, eu escutava isso das pessoas antigas e ficava imaginando: pessoas que tinham que trabalhar às seis horas da manhã no dia seguinte levantavam às 5 horas da manhã, eles ficavam acordados na calçada das casas até meia-noite às vezes, até uma hora, esperando barulhinho de cair um ou dois palmos de água na caixa d'água.

Isso era o Rio de Janeiro antes de Lacerda, havia o racionamento. Eles um dia apagavam a Zona Sul, no outro dia apagavam o Centro. Imagina as pessoas que estivessem dentro dos elevadores!

Havia uma hora certa que a luz seria desligada então a Light orientava todos os motorneiros de bondes a destrancar os cruzamentos. O negócio era muito bem cronometrado para que não acontecesse dos bondes pararem justamente dentro dos cruzamentos. E depois nos outros dias eles apagavam a zona rural e a Baixada Fluminense.

A Light era concessionária tanto do estado da Guanabara como de parte do estado do Rio. O consumo era muito pequeno por aqui então eles apagavam tudo junto e o Lacerda conseguiu acabar com isso. Fez uma termelétrica em Santa Cruz.

Então o povo começou a gostar muito do Lacerda e ao mesmo tempo começou até essa ojeriza do Brizolismo.

Mas em 1980, de repente Brizola volta. Na eleição Brizola era considerado um azarão a a pessoa mais cotada para ser a governadora era a deputada, na época a ex-ministra da Educação, professora Sandra Cavalcanti, que era da linhagem política direta de Carlos Lacerda.

Sandra Cavalcanti já estava praticamente eleita quando de repente acontece uma reviravolta na mídia e a contagem dos votos revela Brizola com 32% dos votos! Muito estranho!

O voto era feito de papel e quem contava o voto eram apenas funcionários públicos, a esmagadora maioria. Na hora de contar os votos tinham fé pública, ou seja, o que eles diziam que tinha na urna era aceito sem questionamento.

Os títulos de eleitor que tinham digital da pessoa, tinham apenas uma foto que muitas vezes era a foto de infância. Então o processo eleitoral foi bastante turbulento. A apuração demorava muito em lugares extremamente quentes e abafados e as pessoas contando votos de muita má vontade, embora o funcionário público ganhasse dias para fazer aquilo. Era uma fraude tremenda em todos os níveis. As pessoas hoje reclamam da urna eletrônica mas as pessoas não têm noção do que era a fraude no voto de papel.

De repente, no segundo turno Brizola se elege com 32-33% dos votos. Ninguém teve maioria absoluta. Carlos Lacerda tinha morrido seis anos antes e a memória dele ainda estava recente. Mas a professora Sandra Cavalcanti era da linhagem direta dele e foi alijada do sistema.

O governador Chagas Freitas havia se envolvido numa coisa que eu considero um dos maiores erros políticos no Brasil que é praticado desde o presidente Marechal Hermes até os dias de hoje: a política dos grandes conjuntos habitacionais.

Esses grandes conjuntos habitacionais eram conjuntos pra mil, 1700, 1800, 2300 famílias. O MDB na época viu que os grandes conjuntos habitacionais no Rio eram um celeiro de votos. Muitos políticos viram e perceberam isso então eles faziam todo um esquema de obras parciais.

O que eram essas obras parciais? Por exemplo: pavimentar uma rua até a metade e essa pavimentação acabaria exatamente no dia da eleição. Colocar água numa rua até a metade e iluminar uma rua até a metade. Isso gerava muitos votos.

Então eles deixaram todo o esquema pronto para o Brizolismo se implantar. O Brizolismo chegou e pegou essa população extremamente carente e extremamente cansada de mentiras, vivendo em condições péssimas.

Um dos pilares do Brizolismo, que acabou sendo um dos pilares da esquerda hoje, é a militância a nível local, a capilaridade - isso falta muito à nossa direita hoje. Eles colocavam ou pegavam ali naquela rua quem era o sujeito mais ligado pra fazer essas coisas, tipo falar em público, com disposição pra contato com as autoridades, capaz de fazer abaixo-assinado, etc.

Pegava aquele sujeito e dava o telefone do Palácio e aí, para surpresa de todos, aquele sujeito ia num orelhão - na época ninguém tinha telefone em casa - e telefonava para o palácio e, por incrível que pareça, o senhor governador Brizola atendia pessoalmente.

Atendia esse cidadão que fazia a queixa lá de alguma coisa e no dia seguinte o governador passava por cima de prefeitura, passava por cima de secretarias, passava por cima de todos os órgãos para executar aquele serviço.

A Constituição de 67 dizia que nas capitais e nas grandes cidades e nas áreas de segurança nacional, o prefeito seria nomeado pelo governador. Isso é um cenário maravilhoso se você tivesse todos os governadores alinhados. Mas de repente você tem um Brizola governador, então o prefeito aqui era chamado na época pelos jornais com um apelido pejorativo - "domésticas" - era um tanto preconceituoso. Então tinha o "empregadinha" do governador, "doméstica" do governador de modo que a prefeitura era uma ficção jurídica e o estado era que mandava.

Esses grandes conjuntos habitacionais rendiam milhares e milhares de votos. Esse é o primeiro ponto. Foram essas pessoas que faziam a ponte direta entre o partido PDT.

O segundo ponto que firmou Brizolismo, mas extremamente nocivo à população, foi não combater mais o narcotráfico. Então há a partir dali a venda de drogas, de qualquer tipo de entorpecente. A cocaína na época ainda era uma droga cara demais, se vendia bem pouco. Mas a maconha sempre foi mais barata e mais fácil de produzir.

Enfim então foram dadas ordens explícitas à Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro que não subisse o morro, que não combatesse os traficantes de drogas. Isso aí nas favelas que ficavam nas regiões ricas da cidade, a Zona Sul, no Centro. A Zona Norte na época não estava tão favelizada como hoje em dia. Assim, além do consumo local começou a ter um consumo de uma elite, classe média, que começou a parar ali e comprar.

O terceiro ponto do Brizolismo é o funcionário público. O Brizolismo não tinha qualquer tipo de responsabilidade financeira com o Erário. Em outras palavras eles colocavam aumento em cima de aumento do salário do funcionário público. Pra você ter uma idéia nós estávamos na época com taxas de inflação volta de 16 a 20 por cento ao mês. Talvez um pouco menos. E todo mês havia reajuste automático sendo que a cada três ou quatro meses mais uma folha complementar.

Imagina você gastar todo seu dinheiro, completamente afogado em dívidas e de repente vem o seu patrão, que é o governo do estado, governo do município, e diz "agora você vai ter dois pagamentos de salários". Então foi o caso de amor à primeira vista né!

Quando o Brizola fez alguma pouca coisa certa a gente tem que elogiar: ele fez um rigoroso combate ao funcionário fantasma. Ele combateu muito funcionário fantasma, mesmo porque ele precisava de dinheiro. Talvez não fosse tanto pelo aspecto da moralidade mas por um aspecto estratégico e precisava de dinheiro.

Então funcionário público teve acréscimo do padrão de vida dele que foi absurdo e isso fez o terceiro pé do Brizolismo.

Então você tem funcionários públicos completamente fanatizados, você tem esses líderes comunitários - isto é, mais tarde foram chamados de líderes comunitários mas geralmente eram gente de igreja. Gente da Igreja Católica, formada pela esquerda católica, que se tornaram líderes de ruas e associações de moradores, etc, a começar a formar um poder paralelo.

Você não precisava mais falar com o administrador regional, nem com o secretário de obras, nem falar com o prefeito, dependendo da sua condição só falava diretamente com o governador.

O terceiro ponto que foi essa liberação... liberação tática, obviamente. Não podia liberar da lei mas foi a liberação do tráfico - não só do tráfico mas a liberação ao furto de serviços da concessionária. A Light começou a ter uma uma evasão de energia elétrica imensa mas não podia mais cortar. A CEDAE que era a concessionária de águas e esgotos nem se fala! Os canos passam por debaixo da terra e era tanto gato mas tanto gato que nem a CEDAE sabia mais quanta água estava sendo consumida em determinado bairro.

Tudo isso e ninguém podia cortar o serviço. O sujeito simplesmente recebia conta d'água e engavetava, que não era cortado o fornecimento.

Isso tudo foi criando hábitos: o muro da linha do trem - nós temos aqui um serviço de trens elétricos que foram os últimos dois grandes serviços de trens elétricos que sobraram no Brasil. Começaram a fazer um monte de buracos na muralha da linha do trem e as pessoas entravam na faixa de domínio, ficavam sem pagar o trem, pulavam o muro, faziam buracos, etc. Então se criou essa cultura perversa do não pagar.

Não há como uma sociedade baseada nisso prosperar. Pelo contrário, costumo dizer que o Rio de Janeiro hoje é um cadáver de 35 dias. O Rio de janeiro está podre e já está acabado mas só não desistimos isso aqui primeiro porque nós amamos muito e segundo porque isso aqui é fundamental para o resgate do Brasil. O futuro do Brasil passa por aqui e a terceira coisa, nós temos nossas famílias, temos nossos empregos, nós temos os nossos negócios aqui, apesar de toda a violência, toda criminalidade, ainda sobrevivemos isso aqui.

Por incrível que pareça ainda existem empregos aqui, embora o Brizolismo tenha matado a indústria do Rio de Janeiro a unha. Havia um órgão ambiental chamado FEEMA. A FEEMA destruiu por exemplo a indústria cimenteira do Rio de Janeiro, destruiu a indústria química. Eram multas e regulamentações e não só a FEEMA, qualquer tipo de órgão.

Perto aqui da minha casa existe uma estação chamada Benjamim do Monte e um grupo japonês de estaleiros chamado Ishikawajima fundou uma empresa chamada Ishibrás. Era um grupo que tinha uma montadora de peças para navios. As peças brutas eles faziam junto do mar e as peças mais leves eram feitas numa fábrica aqui em Campo Grande.

Quando foi instalada aqui a primeira coisa que descobriram é que não tinha como tirar a carga porque nas ruas tudo contribuía para travar o caminho dos caminhões. Nem memso pela linha do trem podia mais porque a rede ferroviária proibiu o tráfego de cargas nas linhas de subúrbio.

Então não tinham mais como descer as peças deles de trem - eram peças pequenas, mais sofisticadas, mas pequeno para o navio ainda é muito grande. Então aquilo passava batendo em sinal de trânsito, batia em fiação, enfim, causava problemas com a vizinhança e conflitos.

Depois de 12 anos ele simplesmente abandonaram aquilo e saíram. Largaram tudo e a indústria naval do Rio de Janeiro foi destruída. Hoje em dia eu sei que esse fenômeno não foi apenas aqui no Rio de Janeiro, foi no Ocidente inteiro.

A indústria naval foi destruída nessa época entre os anos 80 e 2000 e hoje a gente sabe o resultado. A indústria naval foi destruída e foi toda levada à China. Não é uma mera coincidência.

O que sobrou de indústria no Rio de Janeiro? Bancos, por exemplo, não temos mais nenhum. Você pensa, por exemplo, naquele piloto de Fórmula 1 que sofreu um acidente terrível nos anos 70 chamado Nikki Lauda. Ele tomou um concorde e veio para o Rio de Janeiro para ser operado pela equipe do cirurgião Ivo Pitangui na Santa Casa de Misericórdia - que aliás tinha uma ala que foi administrada pelo Doutor Enéas Ferreira Carneiro. Foi operada aqui a primeira linha comercial do Concorde, o avião supersônico, foi de Rio de Janeiro a Paris.

E você pensa o que é o Rio de Janeiro hoje? O que virou isso aqui? É triste demais! Eu tenho vontade de chorar. É deprimente, mas isso também não quer dizer que nós vamos entregar os pontos.

Mas porque os governos que vieram depois não foram consertando o que o Brizola deixou? Tivemos quatro anos de Brizola numa época que a Constituição lhe dava praticamente plenos poderes. Ele podia mexer como ele queria com o orçamento, podia dar plenas ordens à Polícia Militar, não tinha Ministério Público, não tinha uma imprensa cáustica no pé dele o tempo todo, não tinha políticos de grande porte que se opusessem a ele.

Então com quatro anos você estraga demais uma sociedade, principalmente uma sociedade que está acostumada à benesse. Ele dava muitas benesses pra funcionário público e donos de associações de moradores e para políticos, deixando-os governarem junto com ele.

Moreira Franco chegou e interrompeu o ciclo Brizola. Moreira Franco foi eleito dentro da onda do Plano Cruzado. Queiramos ou não, Brizola na época foi o único que denunciou o estelionato eleitoral do Plano Cruzado. Esse plano não seria apenas um congelamento de preço. Havia todo um arcabouço ali de cortar despesas públicas e de privatizar estatais - já naquela época se pensava isso - mas o governo Sarney não deixou. Não pagou o preço político e apenas fez o congelamento e o segurou o quanto pôde até às eleições.

Então você tem um Moreira Franco enfraquecido. Ele já não era querido das pessoas. Na eleição do Brizola ele chegou em segundo lugar e tinha sido prefeito de Niterói e muita gente o detestava completamente.

Então o governo Moreira Franco foi um governo fraco. Foi um governo que tentou ainda combater um pouco a bandidagem. Esse mérito tem que ser dado, mas a coisa já estava muito enraizada. Ele ganhou uma antipatia absoluta do funcionário público porque ele fechou a torneira do dinheiro e os salários foram achatados, foram reduzidos à realidade. Muito dinheiro que era mandado para manutenção de escolas e hospitais e outras repartições foi cortado pois o Erário estava completamente falido.

Então quatro anos depois você tem o Brizola 2. Nesse segundo governo Brizola se concentra não mais na política dos CIEPs. CIEPs são escolas em concreto pré moldado que ele dizia que era para 500 alunos, mas na verdade eram dois turnos de 250. O CIEP inaugurou essa essa concepção que nós temos hoje de escola-prisão: você tem que prender a criança dentro da escola, não pode deixar a criança em sua casa, não pode deixar a criança sair... Há 220 dias letivos por ano, então é um público cativo para doutrinação.

Brizola gastou muito dinheiro com CIEPs e Moreira Franco abandonou aquilo. Quando Brizola retoma quatro anos depois, ele pega boa parte do dinheiro do Erário, conclui aqueles CIEPs e começa novas obras de CIEPs e coloca o pé numa nova fronteira política, que é legalizar as grandes invasões de terrenos, grandes invasões de terras.

Então você tinha enormes áreas da zona rural que eram destinadas à agropecuária. Em Campo Grande havia a Manteiga Campo Grande que era vendida pro Brasil inteiro e de repente essas áreas todas se tornam imensas favelas. Um caos absoluto onde cada um, sem qualquer critério, sem necessidade alguma, pessoas que já tinham casa, pessoas que já tinham terrenos e bens, iam lá e pegavam de 4 a 7 lotes cercados com barbante, e 2 ou 3 meses depois o estado desapropriava aquela área e dava títulos de posse a quem quer que fosse.

Em pouco tempo depois nessas áreas, os bandidos e traficantes de drogas, já bastante fortalecidos, colocaram aquele pessoal todo pra fora e tomaram um monte desses imóveis.

Então você hoje tem imensas áreas no Rio de Janeiro que são áreas oriundas dessa situação, com ruas de três metros de largura, sem espaço de arejamento, sem espaço pra escola ou lazer. O lazer lá hoje em dia são bailes feitos pela bandidagem infelizmente. Esse empreendimento foi tomado realmente pelo submundo.

Então aquilo espalhou o caos por todas as áreas. Hoje em dia praticamente não sobra uma área plana no Rio de Janeiro que não tenha sofrido algum tipo de invasão.

Com isso foi reforçada ainda mais a base eleitoral Brizolista. Quando Brizola saiu entrou o advogado Nilo Batista que é conhecido por ser um grande defensor de perseguidos pelo governo militar. Depois do Batista veio o governo Marcello Alencar, que já pegou isso aqui completamente destruído. O próprio Marcello Alencar era filho político de Brizola e depois veio Cesar Maia, que também era filho político de Brizola, fez muito proselitismo com o funcionário público e muito proselitismo com a terceira idade.

Depois veio uma figura completamente obscura que era um simples deputado estadual chamado Sérgio Cabral Filho. O pai dele era do movimento comunista e inclusive teve que deixar o Brasil durante o governo militar. O Sérgio Cabral Filho viu nesse filão aí da terceira idade o nicho de plataforma política no qual poderia conseguir o governo dele.

Depois veio o governo Garotinho. Os Garotinhos são um pessoal que veio de Campos e foi um desastre total para Campos. É aquele mesmo modo de fazer política do estado do Rio daquela época antiga.

Então nós não tivemos ninguém. Só agora o Wilson Witzel começou a enfrentar a bandidagem, coisa que não se fazia com seriedade há muito tempo.

E de fato ele não pode ser penalizado pelo estado de caos depois de 30 anos... 30 anos é mais de uma geração!

As pessoas hoje simplesmente não sabem pensar fora da gaiola. Um exemplo: eu falava com uma pessoa que é autoridade sobre questão de faixa de domínio da ferrovia invadida. Um sujeito simplesmente foi lá e fez o barraco dele em cima dos trilhos. Literalmente, o tráfego foi interrompido por um motivo qualquer e passados alguns anos o sujeito foi lá e fez uma casa. A gente estava falando do ramal de Mangaratiba. Já fizeram 140 casas em cima da linha do trem, que é terra da União. A resposta dele foi "ah mas nós temos que indenizar inclusive são casas boas, não sei o quê, temos que indenizar..."

Peraí como é que é isso? Onde nós estamos? Ele é uma pessoa boa, uma pessoa sensata e honesta, mas as pessoas já não conseguem mais pensar fora da gaiola. Como assim tem que indenizar quem invadiu o espaço público? Tem que indenizar quem edificou no canteiro central de uma avenida?

As pessoas perderam a noção do belo, a noção da funcionalidade do espaço, e também perderam completamente aquela alegria que o carioca tinha. O Rio de Janeiro era uma das poucas cidades nos anos 90 em que você estava andando pela rua e um estranho começava a conversar com você - em cidade grande isso não existe mais em nenhum lugar do mundo.

O Rio de Janeiro foi uma das últimas cidades que teve isso. Hoje isso foi perdido. Hoje o carioca é calado e introspectivo e só se solta realmente quando está em grupo de confiança. Não fala mais, completamente manietado e não sabe pensar diferente daquilo, pois, é claro, durante 30 anos só recebeu esse tipo de doutrinação, inclusive na escola, uma escola feita para imbecilizar. É difícil!

Mas nós temos jeito sim. Nós vamos conseguir dar a volta. Talvez nós não vejamos, talvez seja a próxima geração, mas essa semente tem que ser plantada agora. O país precisa ser limpo, ser preparado agora e
nós nunca mais teremos esse tipo de problema. Teremos outros problemas mas não esse tipo de problema.

https://www.youtube.com/watch?v=lfCFLYm2rDo
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2019.11.25 18:33 AntonioMachado Histórias de embalar

«Era uma vez uma bela e frágil donzela, a Dona Democracia, que foi violentada e abusada por dois brutamontes ao mesmo tempo, o Fascista e o Comunista... até que um belo dia um valente cavalheiro, o Sr. Liberal, os derrotou a ambos e a salvou. Tomando-a nos braços, viveram felizes para sempre.»
Com a implosão da União Soviética e o culminar da Guerra Fria, esta historieta, repetida ad nauseam, tornou-se popular a nível mundial. Já a devem ter ouvido certamente. O magnífico Losurdo desmonta essa narrativa de forma brilhante; pelo que deixo um resumo aqui: https://www.reddit.com/investigate_this/comments/byht92015_domenico_losurdo_revolu%C3%A7%C3%A3o_de_outubro_e/
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Com o intuito de ajudar a impedir a sua deriva para a direita, este post pretende ser o primeiro de uma série de publicações dedicada às estratégias da pior direita para colonizar o portugal. Assim, inspirado pelo mestre Losurdo, a presente publicação pretende ajudar a desconstruir uma outra historieta, a de que o 25 de Novembro de 1975 "salvou" a democracia, e que é tão querida do portugal. Partilho alguns recursos, e deixo também algumas questões, que visam problematizar a leitura ideológica que certa direita quer fazer do 25 de Novembro. Se tiverem recursos que considerem importantes, solicito que também os partilhem aqui.
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Recursos:
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Questões para reaccionários:
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2019.11.12 15:28 ebookrevenda Como funciona o marketing multinível?

O marketing multinível é um modelo de trabalho onde você produtor de determinado produto vai oferecer a outras pessoas a possibilidade de estar revendendo este produto ganhando comissões por cada venda realizada “mas abaixo vou citar um exemplo” a grande vantagem de se utilizar o marketing multinível é que você não terá o trabalho de ficar sozinho divulgando o seu produto caso você tenha uma boa estratégia para usar o marketing multinível é um produto que se adeque certamente você vai conseguir muitos seguidores dispostos a divulgar o seu produto.
Hoje as maiores empresas online tem sistemas de marketing multinível onde pagam comissões pela venda de seus produtos, a grande vantagem aí está na quantidade de pessoas que podem ser atingidas ao se utilizar o marketing multinível.
Você deve Sempre Estar atento a motivação de seus revendedores, nunca deixá-los cair na mesmice, sempre incentivá-los a fazer as divulgações, pagar boas comissões, manter o contato com eles, pois tenha sempre em mente que quanto mais eles vendem mais você ganha, logicamente que eles também ganham mas sem eles você não teria o mesmo rendimento.
Um exemplo prático de marketing multinível Eu trabalho com vendas online desde 2009, sempre focado em Sistemas de marketing multinível, você pode participar tanto dos sistemas apenas como revendedor, ou você mesmo pode montar o seu próprio sistema de marketing multinível, o sistema Ao qual eu já participo há um bom tempo é o do programa PCG programa classificados grátis Por que se trata de um software de Publicidade online e após fazer aquisição do mesmo percebi que eu podia também revende-lo, Bastando copiar um link e enviar esse link para outras pessoas para indicar o programa, a comissão por cada venda realizada chega a quase 50% o que é excelente se você for verificar outros sistemas do tipo.
Porque escolhi esse Sistema: a primeira coisa que você deve ter em mente é que não adianta ter um produto para divulgar se o produto não vai chamar a atenção das pessoas, não adianta morrer fazendo divulgações sendo que você não vai vender nenhuma cópia do produto Então a primeira coisa se verificar se o produto realmente é chamativo e se tem a possibilidade de você fazer vendas do mesmo, nesse caso foi a primeira coisa que verifiquei pois o programa serve para se fazer marketing online e na internet temos milhões de pessoas interessadas em divulgação então com poucas divulgações eu posso fazer vendas do produto, caso ainda não conheça surgiram que de uma olhadinha no site e entenda melhor como funciona PCG programa classificados grátis .
Como você pode ver o marketing multinível pode te fazer passar para outro nível em seu negócio online, ao implementar um sistema de marketing multinível você não vai mais estar trabalhando sozinho, você pode conseguir centenas de outras pessoas para estar junto com você divulgando sua marca produto ou serviço e assim fazer muito mais vendas.
Muitas vezes o marketing multinível pode ser identificado erroneamente por pessoas que não conhecem muito bem esse sistema como sistemas de pirâmide, portanto Fique atento Pois existe uma grande diferença nesse tipo de sistema, Resumidamente, ele é um modelo de vendas diretas para o cliente final sem a intermediação de lojas ou de mercados. Você vende o produto direto de fábrica e recebe uma comissão por isso. “Você está fazendo uma venda direta”
Enfim: espero ter respondido a sua pergunta adequadamente, e Espero de coração que você possa obter algum proveito dessa resposta, agradeço se possível a seu voto Positivo já que não vai te custar nada “apenas um click”, desejo sucesso em seus negócios E caso venha a implantar um sistema de marketing multinível desejo ainda mais sucesso. até ;)
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2019.11.07 17:43 AntonioMachado [1967] Álvaro Cunhal - A questão do Estado: questão central de cada revolução

Artigo: http://www.hist-socialismo.com/docs/ACAQuestaodoEstado.pdf
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2019.09.12 14:47 O-Pensador Agorismo Egoísta

“A livre concorrência não é 'livre', porque me falta as coisas para a concorrência. Contra minha pessoa, nenhuma objeção pode ser feita, mas, como não tenho as coisas, minha pessoa também deve dar um passo para trás. E quem tem as coisas necessárias? Talvez esse fabricante? Ora, dele eu poderia levá-los embora! Não, o Estado os possui como propriedade, o fabricante apenas como feudo, como posse. ”
O egoísmo tem uma longa história entre anarquistas ilegalistas. Esses ilegalistas rejeitaram os ideais moralistas de seus camaradas, que argumentavam que a apreensão da propriedade da classe capitalista era um ato de recuperação: um que era justificado pela natureza injusta do atual sistema de propriedades. Mas os ilegalistas acharam essa justificativa desnecessária. Partindo do trabalho de Stirner, eles argumentaram que, uma vez que a própria lei é um sistema de aplicação moral, ela não tem autoridade. Eles não viram necessidade de seguir a lei.
Independentemente da tradição ilegalista, outra corrente de pensamento (com um desrespeito semelhante à lei) se desenvolveu. O agorismo emergiu como uma crítica da práxis da tradição anarcocapitalista existente e dos rothbardianos, que eles consideravam carentes dos meios para alcançar seu objetivo final. Em seu lugar, os agoristas adotaram uma rejeição da lei, a fim de se engajar no tipo de atividade de livre mercado que estavam tentando alcançar em um nível social mais amplo. Esse abraço do mercado negro e o desrespeito à lei os colocam bem de acordo com os princípios básicos dos ilegalistas e, portanto, tornam o agorismo uma abordagem atraente para os egoístas.
Stirner criticou a "livre concorrência" em O Único é a Sua Propriedade , por isso pode parecer incongruente alguém abraçar simultaneamente seus argumentos e a abordagem agorista. No entanto, sua crítica à "livre concorrência" era imanente, não conceitual. Sua objeção não era a livre concorrência em princípio, mas a livre concorrência na prática: mercados liberais criados pelo Estado, baseados na propriedade civil.
Para Stirner, a livre concorrência não é livre porque o estado restringe o acesso do indivíduo aos meios de competição. Benjamin Tucker levanta questões semelhantes quando fala do monopólio da terra - a imposição da propriedade de terras não utilizadas -, mas a crítica de Stirner é mais ampla. Stirner argumenta que prédios, materiais e capital inicial adicional são tanto um problema quanto um terreno.
Mas essa crítica também serve como uma acusação de qualquer sistema de propriedade imposto pelo Estado. A afirmação de Stirner é que, ao nos envolvermos em mercados livres estatistas, estamos agindo como um vassalo para o estado e a propriedade com a qual competimos é apenas nossa para usar, mas a propriedade é do estado. Ele afirma que o indivíduo não fica nem com a terra em que se encontra no regime de propriedade civil.
Dentro dessas críticas, encontramos uma base para uma práxis agorista Stirnerista. Se toda a propriedade imposta pelo Estado é realmente de propriedade do Estado, qualquer egoísta que deseje ter algo próprio deve encontrar propriedade fora da esfera do Estado. De fato, se um egoísta deseja buscar a livre concorrência real, deve abandonar todo o respeito pelo atual regime de propriedade civil e aceitar o que precisa para financiar sua própria concorrência. Quando o estado nos diz que não podemos participar desse tipo de concorrência no mercado, cabe a nós desafiá-lo para que possamos usufruir os ganhos dessa concorrência por nós mesmos.
É claro que, dada a natureza radical da crítica egoísta, um agorismo egoísta quebraria a concepção de agorismo de Samuel Konkin em vários pontos, mas a maior diferença estaria na questão dos “mercados vermelhos”. Konkin distingue entre mercados baseados na violência e roubo não aprovado pelo Estado ("mercados vermelhos") e mercados que existem fora da esfera estatista, mas são consistentes com o princípio de não agressão ("mercados negros"). No entanto, essa distinção não seria muito útil para um agorista egoísta. Sem a necessidade de justificativas morais como o princípio da não agressão, um agorista egoísta certamente encontraria um espaço para a atividade no mercado vermelho. Por exemplo, o mercado de assassinatos, proposto pelo criptoanarquista Tim May,
No entanto, apesar de nossas divergências, os agoristas egoístas e os agoristas mais tradicionais se encontrarão concordando com mais do que discordamos. Embora possamos ter justificativas diferentes para nossos pontos de vista e uma perspectiva diferente sobre os mercados vermelhos, temos muito em que concordar. Podemos concordar com a necessidade de construir uma contraeconomia para suplantar o Estado. Podemos concordar com a tolice da política eleitoral como um meio de alcançar nossos objetivos. Podemos concordar com a necessidade de agir agora para criar um mundo melhor, em vez de esperar que um movimento de massas se desenvolva. E, finalmente, podemos concordar em nos beneficiar pessoalmente de nossa desobediência ao Estado.
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2019.07.26 18:18 altovaliriano O nexo entre dragões e armas nucleares

Link: https://bit.ly/2JTfFOs
Autor: @Westmyer (gerente de projeto de segurança nuclear na CRDF Global, apresentador do Super Critical Podcast, aluno do Security Study Program da Georgetown University).

Na superfície, Game of Thrones é apenas mais uma série de TV a cabo com batalhas, traições na corte e personagens pouco (ou não) vestidos. Mas ele contém sentidos mais profundos no que concerne a um número inesperado de lições para a vida real sobre paz e segurança. Comentaristas de instituições como a Fletcher School of Diplomacy, Foreign Policy e o Atlantic.com escreveram sobre como este show da HBO - baseado na épica série de fantasia de George RR Martin, As Crônicas de Fogo e Gelo - ajuda a explicar as relações internacionais no mundo real.
Um paralelo, no entanto, escapou a análise: os dragões como metáforas vivas e igníferas para as armas nucleares. Apesar do cenário de fantasia, a história ensina muito sobre os perigos inerentes que vêm com o gerenciamento desses subversivos expedientes, sua propensão para acidentes, os benefícios circunstanciais que concedem aos seus mestres e a tensão que essas armas impõem sobre aqueles que os manuseiam.
"Os dragões são o dissuasor nuclear, e apenas [Daenerys Targaryen, uma das heroínas da série] os tem, o que de certa forma faz dela a pessoa mais poderosa do mundo", disse Martin em 2011. “Mas isso é suficiente? Esses são os tipos de problemas que estou tentando explorar. Os Estados Unidos têm agora a capacidade de destruir o mundo com o nosso arsenal nuclear, mas isso não significa que podemos alcançar objetivos geopolíticos específicos. O poder é mais sutil que isso. Você pode ter o poder de destruir, mas isso não lhe dá o poder de reformar, melhorar ou construir”.
Isso cria uma perspectiva sombria. Ou, como um personagem adverte repetidamente no primeiro episódio: "O inverno está chegando".

(Alerta de spoilers)

Dragões 101. Antes de prosseguir, o bê-á-bá dos dragões: Na concepção de Martin, os dragões são criaturas voadoras que vomitam fogo quente o suficiente para derreter aço, concreto e carne. Aqueles que os domesticam podem montar seus animais em batalha como armas de guerra quase invulneráveis. Um dragão nunca deixará de crescer “desde que tenha comida e liberdade” - assim como os arsenais nucleares crescem continuamente, em tamanho e letalidade, desde que tenham orçamentos inesgotáveis.
Na história, os dragões foram extintos antes que a exilada Daenerys os rearma-se, descobrindo como chocar três dragões a partir de ovos antigos, da mesma forma que os físicos descobriram como liberar o poder das forças elementares do universo. E, assim como as armas nucleares, os dragões não têm o monopólio da violência. Morte e sofrimento ocorrem em escala maciça sempre que as guerras convencionais assolam a terra, transformando jovens soldados em homens despedaçados e tratando a plebe como danos colaterais.
Mas, como o teórico militar Thomas Schelling escreveu em Arms and Influence, a destruição inerentemente acelerada separa as armas nucleares dos instrumentos de guerra usuais. Schelling sugeriu que “esta é a diferença entre armas nucleares e baionetas. Não é no número de pessoas que podem eventualmente matar, mas na velocidade com que pode ser feito ...”. Da mesma forma, a destruição em massa que acompanha o fogo do dragão os torna semelhantes a aviões bombardeiros pesados com cargas nucleares. Isto é especialmente verdade quando o objetivo é montar sua fera alada em batalha, tal qual o piloto de B-52 cavalgando uma bomba nuclear em Dr. Strangelove .
Tanto dragões quanto armas nucleares oferecem a seus donos uma defesa aparentemente barata. “Alguns países podem achar as armas nucleares uma alternativa mais barata e segura de concorrer nas economicamente lamentáveis e militarmente perigosas corridas armamentistas”, escreveu Kenneth Waltz em The Spread of Nuclear Weapons. Com apenas três dragões e menos de 2.000 combatentes, Aegon (o Conquistador) Targaryen já havia colocado a maior parte de um continente sob seu governo, sem tempo ou tesouro desperdiçado com reunião de tropas ou construção de frotas e armamentos. Os programas nucleares também são atraentes para os líderes que estão buscando o maior retorno para o dinheiro investido - ou “veado”, como a série chama a moeda corrente.
A tríade tem três cabeças. Profecias sobre o futuro, feitas por sábios eminentes ou em sonhos misteriosos, desempenham um papel fundamental na vida dos personagens da série. Seja um produto de orientação divina ou um ardil cínico, essas predições dirigem as ações dos personagens e, portanto, influenciam as mudanças nos rumos dos próximos eventos. Interpretar qualquer determinada profecia com precisão, entretanto, se mostra difícil, diante do descarte equivocado de certos fatos; as notícias do renascimento dos dragões, por exemplo, são desconsideradas. Por outro lado, rumores falsos podem ser erroneamente (ou convenientemente) aceitos como verdades absolutas - muito parecido com os relatórios de inteligência do governo Bush sobre supostas armas de destruição em massa no Iraque.
De forma similar, em uma visão durante seu exílio, a jovem Daenerys é informada de que “o dragão tem três cabeças”, levando-a a refletir sobre Aegon, o Conquistador, e suas irmãs montando um trio de dragões na batalha. Isso traz à mente a tríade nuclear dos Estados Unidos, com seus sistemas de distribuição separados baseados no ar, submarinos e terrestres. O atual ambiente orçamentário levou muitos especialistas a considerar fazer cortes na tríade. Entretanto, a resistência é forte entre alguns sábios nucleares, que advertem que o arsenal sempre deve ter três cabeças, caso uma delas seja impedida por falha do sistema ou decapitada por um ataque preventivo.
Outra maneira de interpretar a visão de Daenerys é como a necessidade de buscar aliados para compartilhar o fardo. Assim como Daenerys procura os cavaleiros de dragões para ajudá-la a conquistar o Trono de Ferro, os planejadores de defesa dos EUA tentaram impedir a agressão convencional soviética durante a Guerra Fria, trabalhando em estreita colaboração com os aliados da OTAN. Acordos de compartilhamento nuclear, alianças e ajuda aos programas de armas nucleares britânicos e franceses ajudaram os EUA a montar um dragão de três cabeças para enfrentar o urso soviético.
Dissuasão com dragões. A posse de uma ogiva nuclear não confere automaticamente uma dissuasão efetiva. O possuidor também deve ter os meios para atirar a arma em um alvo, detoná-la no tempo e lugar certos, comunicar intenções aos rivais e proteger seu arsenal de ataques.
Após nascerem, os dragões de Daenerys são frágeis e incapazes de voar grandes distâncias ou de soltar fogo com rendimentos mais altos. Durante seu estágio infantil, seus dragões se comportam mais como armas nucleares táticas do que aquelas adequadas para uma missão estratégica; eles são profícuos apenas em um teatro restrito, como dentro de um espaço fechado. Até que seus bebês-dragões se tornassem mais fortes, eles eram vulneráveis ao aço ou roubo. No entanto, enquanto pudessem sobreviver a um ataque preventivo, poderiam dissuadir o conflito, muito parecido com o que Waltz escreveu sobre pequenas forças nucleares. À medida que os dragões envelhecem, suas escamas endurecem para proteger contra flechas, assim como os silos de mísseis balísticos intercontinentais acabaram sendo fortificados contra tudo, exceto a uma explosão direta no solo. Essas são lições que todo jovem Estado nuclearmente armado precisa aprender.
A dissuasão nuclear é frequentemente caracterizada como impedimento a guerra entre duas ou mais potências nucleares. Mas conceitos estabilizadores como Destruição Mútua Assegurada não existem no mundo de Martin. Sendo a única com dragões, Daenerys saca cidades e incute o terror em seus adversários. Seu ancestral, Aegon, o Conquistador, era o único possuidor de dragões quando sua invasão mirou uma fortificação de pedra maciça; suas muralhas derreteram sob intenso fogo de dragão e agora existem sob um legado de maldição, como as tempestades de fogo que arrasaram Hiroshima e Nagasaki. Essas cidades se recuperaram em grande parte, mas o legado das doenças por radiação e do câncer perdura até hoje.
Os otimistas que aceitam as armas nucleares como uma influência estabilizadora insistem que, por sua própria natureza, essas armas fazem com que os líderes racionais de regimes estáveis mantenham controle estrito sobre os arsenais de seus estados e moderem seu comportamento - ou correrão risco de retaliação. Isso leva à pergunta: o que acontece quando as armas nucleares estão nas mãos de líderes irracionais, países menos estáveis ou agentes não estatais? Felizmente para Westeros, seu "Rei Louco" não tinha dragões à sua disposição. "Queime todos eles", ele rosnou enquanto ordenava que sua cidade fosse incendiada em vez de se render - mostrando como as ameaças retaliatórias pouco significam para alguém determinado à violência suicida.
Waltz rejeitou essas preocupações porque “em um mundo nuclear, agir de maneira descaradamente ofensiva é loucura”. Nestas circunstâncias, quantos generais obedeceriam aos comandos de um louco? Um dos principais personagens da série, Jaime Lannister, desonerou seu Rei Louco do comando ao invés de executar tais ordens, mas só é necessário um general obsequioso para iniciar o Armagedom.
Pois o efeito de tal armamento é devastador. O general Curtis Lemay, ex-chefe do Comando Aéreo Estratégico dos EUA, disse certa vez: “entre o pôr do sol de hoje e o nascer do sol amanhã de manhã, a União Soviética provavelmente deixaria de ser uma grande potência militar ou mesmo uma grande nação” se ele pudesse soltar sua bateria nuclear. O lema da família Targaryen “Fogo e Sangue” poderia facilmente ter enfeitado as bandeiras da Casa Lemay.
Limites ao poder bélico de dragões. Armas nucleares podem ajudar a prevenir ameaças existenciais, mas elas têm uso limitado em outras operações militares ou em metas de política externa. Como o personagem de Tywin Lannister refletiu, um “nenhum dragão ganhou uma guerra em 300 anos. Exércitos as vencem o tempo todo”.
Mesmo com seu triunvirato de dragão, Aegon, o Conquistador, não conseguiu forçar um reino resistente a dobrar o joelho. A maioria dos reinos fictícios de Thrones oferece um ambiente “rico em alvos”, com populações consideráveis vivendo em castelos e buscando estratégias adequadas para a batalha em campo aberto. O reino de Dorne, no entanto, consistia em uma paisagem rochosa, montanhosa, árida e desértica com cidades relativamente pequenas, populações dispersas e amplos esconderijos - o que o tornava mais resistente ao poder bélico de dragões. Após uma guerra prolongada, Aegon encerrou sua campanha porque seus exércitos foram repetidamente emboscados por combatentes da resistência que continuaram se retirando para o interior antes que os dragões pudessem chegar. A paz só foi alcançada através da diplomacia um século mais tarde, e a região preservou um grau mais amplo de costumes e liberdades do que o resto dos Sete Reinos, onde a maior parte da série acontece.
De maneira semelhante, durante a Guerra do Vietnã, os militares dos EUA enfrentaram uma campanha prolongada de guerrilheiros insuscetíveis ao estoque nuclear dos EUA. Um relatório secreto de 1967 produzido pelo grupo JASON determinou que as armas nucleares não ofereceriam nenhuma vantagem militar decisiva. O Vietnã era "pobre em alvos", com linhas de abastecimento difusas e tropas dispersas. Nosso envolvimento terminou quando os Acordos de Paz de Paris declararam que “os Estados Unidos e todos os outros países respeitam a independência, a soberania, a unidade e a integridade territorial do Vietnã”.
De mesma maneira bem parecida, uma Daenerys cheia de turbulência e inabalável confiança toma a antiga cidade de Meereen à força; ninguém ousa desafiar abertamente sua nova rainha ou arriscar a ira de um dragão. No entanto, quando ela começa a se defender, Daenerys encontra dilemas e desafios políticos em que os dragões oferecem pouca ajuda. Vários fãs comparam a luta de Daenerys para alimentar seu povo e acabar com uma insurgência local com a experiência dos EUA no Iraque e sobre as aventuras da União Soviética no Afeganistão. Nesses teatros, as armas nucleares eram inadequadas para alcançar objetivos específicos de política externa. Daenerys acaba confiando em seu exército para conduzir operações de contrainsurgência, e na diplomacia para alcançar uma paz desconfortável com seus vizinhos.
Comando e controle. Enquanto dizem que os senhores de dragão controlam suas feras com “chicote, cornos e feitiçaria”, o sistema de Comando e Controle Nuclear dos EUA depende de uma complexa infraestrutura de “planejamento, direção e controle de operações de armas nucleares das forças militares e das atividades que apoiam essas operações”. Quando Daenerys perde um dragão e aprisiona dois outros, isso leva a um estado de coisas semelhante ao desarmamento unilateral, já que ela não é mais capaz de controlar seu armamento. Se seus dragões se tornarem selvagens demais para ouvir sua mãe, os rivais poderão ver seu arsenal degradado a ponto de não ter a capacidade de mirar e lançar fogo. Os dragões não precisam de mira precisa para acertar os alvos, mas os senhores de dragão são apenas senhores de dragão se mantiverem um controle firme sobre seus sistemas de comando e controle.
Manter tal autoridade é difícil com vários personagens tentando controlar os dragões de Daenerys para suas próprias ambições geoestratégicas. Os filmes de ação de Hollywood estão repletos de conspirações sobre cientistas descontentes, terroristas, elementos do governo desonestos ou supercomputadores mal-intencionados tentando iniciar uma guerra nuclear com as bombas de outra pessoa.
No entanto, os dragões são cobiçados, mesmo que sejam itens difíceis de adquirir. Os proprietários de escravos em Astapor esperavam trocar um dos dragões de Daenerys por seu exército de super-soldados. Em vez disso, eles descobriram que um "dragão não é um escravo" e sua compra saiu pela culatra.
Segundo o professor da Universidade Estadual de Ohio, John Mueller, é improvável que os fornecedores nucleares confiem suas preciosas bombas a grupos que não consigam controlar totalmente. No mínimo, da próxima vez que alguém quiser comprar um dragão para uso pessoal, eles devem verificar se ele vem equipado com um interruptor de segurança ou qualquer coisa que impeça o uso não autorizado.
Uma lição que Daenerys deveria aprender é o valor dos investimentos em segurança nuclear. Durante uma estadia prolongada em uma antiga cidade comercial, seus adversários contornam os protocolos mínimos de segurança de Daenerys e roubam seus dragões. Sem a ajuda de algo como uma equipe de apoio a emergências nucleares, ela perambula pela cidade por dias antes de levá-los para casa. Ela perde o controle novamente quando seu maior dragão escapa.
Daenerys passa a lamentar o quão selvagem seus dragões se tornaram quando problemas domésticos desviam sua atenção de sua administração. Alyssa Rosenberg, escritora de cultura pop do The Washington Post, comparou esses dragões com livre circulação a “material físsil à solta”. Diante de uma situação semelhante na vida real, o presidente Barack Obama iniciou uma série de cúpulas sobre segurança nuclear para fazer um “esforço sério e continuado” para proteger material nuclear vulnerável em todo o mundo. Daenerys talvez devesse reunir conselheiros com uma agenda semelhante.
Pais orgulhosos. Depois de uma era centenária sem dragão, Daenerys proclama-se uma orgulhosa "mãe dos dragões". Hugh Gusterson, colunista do Bulletin e autor de People of the Bomb: Portraits of America’s Nuclear Complex, foi atingido pela "ausência de metáforas da morte e a superabundância de metáforas do nascimento” na emergente cultura de armas nucleares. O secretário de Estado Henry Stimson informou Winston Churchill sobre o primeiro teste nuclear com a seguinte nota: "os bebês nasceram a contento".
A felicidade precoce da paternidade - tanto para as bombas nucleares quanto para os dragões - acabou se desgastando à medida que a força destrutiva dessas armas se tornava aparente. Quando um pai de luto diz a Daenerys que um dragão comeu seu filho, ela fica horrorizada e tenta enjaular seus filhos de temperamento quente. Alguns cientistas nucleares intimamente envolvidos no Projeto Manhattan, como Niels Bohr, Hans Bethe e outros, expressaram preocupação com os perigos nucleares e fizeram lobby contra o uso do que haviam criado.
Perto do final do último livro de Martin, a busca da visão de Daenerys parece convencê-la a abraçar a tradição de conquista dos Targaryen. Reconciliada com seu dragão rebelde, ela aponta seu olhar para Westeros. Ao contrário de alguns de seus colegas do Manhattan Project, o físico Edward Teller perseguiu uma bomba de hidrogênio mais avançada, também conhecida como “Super”. Quando os Estados Unidos testaram essa bomba no Atol de Bikini durante a Operação Castelo em 1954, seu rendimento explosivo foi significativamente maior do que o esperado e espalhou precipitação radioativa por milhas. Muitas pessoas mais tarde sofreram de doença ou morte por radiação, incluindo membros da tripulação a bordo de um barco de pesca japonês chamado Fukuryu Maru - o “Dragão da Sorte”.
Se você brinca com fogo... Armas nucleares e dragões são perigosos mesmo em tempos de paz. Solarestival, um castelo em ruínas outrora usado pelos Targaryens como casa de veraneio, foi palco de uma misteriosa tragédia paralela ao desenvolvimento inicial da bomba nuclear. Membros da família Targaryen acidentalmente desencadearam uma calamidade que matou um de seus ancestrais durante um experimento para trazer dragões de volta ao mundo deles.
Da mesma forma, um relatório da Comissão de Energia Atômica dos EUA afirma que houve 26 ocorrências de exposições acidentais de radiação em experiências nucleares e seis mortes devido a acidentes de criticidade de 1943 a 1970. Em 1946, Louis Slotin, um cientista envolvido no Projeto Manhattan, sofreu uma dose letal de radiação ao calcular a massa crítica na qual ocorre uma reação em cadeia nuclear. O nome da técnica usada neste procedimento: Fazer Cócegas na Cauda do Dragão.
Os dragões de Daenerys são bastante populares entre os fãs dos livros e séries de TV. Se eles apreciam os fortes temas antiguerra adotados por Game of Thrones, eles podem optar por se compadecer pelo dilema de Daenerys ao invés de cobiçar seus rebentos. Martin disse que suas histórias tentam se um testemunho não apenas a glória da guerra, mas das consequências horrendas da violência - sobre inimigos, espectadores inocentes e, finalmente, sobre si mesmo. Dada essa perspectiva e os paralelos nucleares, seus dragões emergem como um dispositivo de enredo cheio de nuances; ao invés de simplesmente criaturas “legais” (ou excitantes), elas são criaturas complexas que podem ameaçar um personagem ou a população como um todo. Quando os livros e os shows terminarem, não seria surpreendente que os dragões de Daenerys tenham um fim trágico, como tantos personagens amados na série; os dragões poderiam se voltar contra seus senhores, Daenerys poderia ter que sacrificá-los em nome da paz, ou os dragões poderiam desencadear desolação involuntária em Westeros. Armas nucleares e dragões podem ajudar a conquistar, mas eles não podem garantir um governo pacífico e estabilidade.
Uma guerra nuclear em nosso mundo primeiro envolveria as cidades em chamas e depois inauguraria um inverno nuclear de uma geração - nosso canto do cisne de gelo e fogo da vida real.
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2019.01.08 17:39 guerrilheiro_urbano Paulo Arantes: Sobre a noção de ideologia

Em Sentimento da Dialética (https://www.youtube.com/watch?v=9jFywZtqFEA), comentando a perspectiva globalizante que a dialética assume em Roberto Schwarz (https://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Schwarz), você afirma: Roberto não só ia anotando o alcance mundial de nossas esquisitices nacionais como ia construindo uma plataforma de observação a partir da qual objetava esta mesma ordem universal. O que reconhecerá em ato no pensamento literário de Machado. Estava assim lançada a base de uma Ideologiekritik original. O mesmo chão histórico que barateava o pensamento e diminuía as chances de reflexão pois aqui se desmanchava o nexo entre idéias e pressuposto social, o que lhes roubava a dimensão cognitiva, devolvia a faculdade crítica com a outra mão, fazendo nossa anomalia expor a fratura constitutiva da normalidade moderna . Quais os alcances de uma tal Ideologiekritik (https://de.wikipedia.org/wiki/Ideologiekritik), e como você vê este conceito hoje?

Eu não sei se explico bem esse termo Ideologiekritik, acho até que renunciei a defini-lo no texto. Vou explicar um pouquinho para dizer o que há de original no Roberto e o que eu tinha na cabeça quando estava redigindo esse trecho. A crítica da ideologia aparece quando os clássicos do marxismo reinventaram a palavra ideologia e usam a idéia de crítica, advinda do século XVIII, do Iluminismo. É bom não esquecer, a palavra crítica está presente no subtítulo de "O Capital: Crítica da economia política" (https://www.marxists.org/portugues/marx/1867/capital/index.htm). Portanto não se trata de doutrina, mas de Crítica. Com Kant (https://onlinecursosgratuitos.com/18-livros-e-textos-em-pdf-de-immanuel-kant-para-baixa), a Crítica passou a ocupar o lugar da Teoria, como ele mostra na "Crítica do Juízo" e é o mote da grande tese de Lebrun, "Kant e o Fim da Metafísica" (https://www.estantevirtual.com.blivros/gerard-lebrun/kant-e-o-fim-da-metafisica/961172258).

Quando emprego o termo, estou pensando sobretudo na formulação dos frankfurtianos. Para eles, o termo ideologia não é mais pejorativo, a ponto de constatarem que a ordem capitalista regrediu tanto que nem mais ideologia produz. A ideologia sempre tem um fundamento de verdade. Ela não é inteiramente falsa, nem é inteiramente verdadeira, não é um mero engodo. A idéia de ideologia como uma manipulação de massa, em que se ludibria os indivíduos, é uma idéia iluminista é denúncia da superstição. A novidade do materialismo de Marx é que ele rompe com essa tradição iluminista, com a história do erro, com a idéia de que a difusão das luzes dissipará as trevas. E por si extrai da filosofia clássica alemã a idéia substantiva de aparência , que se converterá na idéia materialista de aparência socialmente necessária . A simples crítica raciocinante (como queriam os iluministas) não faz com que essa aparência se dissolva no ar.

Quando se fala em ideologia, pensa-se em racionalização. E não se trata apenas disso. Repito que a matriz da idéia de crítica da ideologia é o idealismo alemão, até porque ele mesmo é a transposição (não deliberada, é claro) do funcionamento real desse processo social de produção da ilusão. O primeiro a se dar conta desse novo âmbito material da Crítica foi Hegel (https://pt.wikipedia.org/wiki/Georg_Wilhelm_Friedrich_Hegel). A fonte de Marx, a idéia de crítica da ideologia, é a idéia de reflexão tal como ela aparece na Fenomenologia do Espírito, de Hegel. O que faz a consciência, segundo Hegel? Ela se ilude também, ela é uma fábrica de ideologias. Mas ela se distingue pela seguinte peculiaridade: a reflexão. Essa reflexão vai reaparecer em Marx, só que de maneira a um tempo fantasmagórica e real, objetiva. É o capital que se refere a si mesmo, o fetiche do fetiche. Ele funciona como se fosse uma consciência: valoriza-se a si mesmo, refere-se a si mesmo, mede as suas quantidades, etc.

Em Hegel (http://lelivros.love/?x=0&y=0&s=hegel), a consciência, ao mesmo tempo em que é uma fábrica de ideologias, é a crítica dessas ideologias, porque ela corrige a si mesma. Ela é a sua própria medida. Na formulação de Hegel: ela é o seu próprio conceito . Ela afirma uma verdade sobre si que até então desconhecia, e, ao expor essa verdade, ela a compara com a sua experiência dessa mesma verdade e, desse juízo passado sobre si mesma emerge algo como um sentimento dramático de seu descompasso, de sua divisão. Negação interna que procura resolver por uma nova operação crítica comandada pelo seu próprio padrão de medida. Portanto a ideologia e a falsa consciência não são inteiramente falsas, há um momento de verdade que é inconsciente e obscurecido, porque há uma relação de poder e de dominação na ideologia, o impulso do auto-engano, da racionalização, etc. De sorte que o conceito de Ideologia por assim dizer confia numa verdade substantiva que existe, e é expresso por idéias, que por sua vez são eminentemente práticas. Por isso a idéia que está embutida na ideologia é a que Kant tinha em mente, que é sempre idéia da razão, e necessariamente prática, pois tem a ver com sua realização ou não no mundo.

O que é chamado de ideologia burguesa, que vai do cristianismo já totalmente secularizado e racionalizado (no sentido weberiano https://pt.wikipedia.org/wiki/Max_Weber) até a arte, passando pelo direito natural e pela filosofia, é uma espécie de repositório de verdades da humanidade em seu progresso rumo a emancipação. Então justiça, liberdade, igualdade, fraternidade, universalidade, beleza são idéias verdadeiras. Só são falsas na medida em que na ordem burguesa se apresentam como já realizadas. Foi o jovem Marx quem começou a dizer isso: a crítica da ideologia nada mais é do que obrigar o mundo a confessar aquilo que ele já é, não estou acrescentando nada, ou seja, na hora em que o mundo se confessa, ele se corrige. E a revolução é essa confissão, em que ele reencontra a sua verdade, expressa na inconsciência da ideologia. A ideologia, portanto, transcende a realidade, está para além da realidade. A realidade está aquém, e a ideologia é falsa porque é uma promessa não cumprida. A crítica da ideologia é uma operação lógico-social, crítico-revolucionária como dizia o jovem Marx (https://www.youtube.com/watch?v=DlBa6lgr32k), que permite que essa verdade se reencontre consigo mesma. Ou seja, no momento em que aparece, implica necessariamente uma transformação social. Há, dessa forma, uma falsa universalidade que, confrontada com a sua realização defeituosa, por assim dizer se regenera coincidindo afinal consigo mesma. O que é isso? Uma pressuposição muito forte que implica numa concepção otimista da história. Trata-se, em suma, de uma filosofia da história. E a configuração derradeira dessa mola secreta da crítica da ideologia, sua incessante correção interna, é a famosa contradição entre forças produtivas e relações sociais de produção. A revolução é essa reviravolta, tal que há uma experiência da consciência no sentido hegeliano. De modo que há um sistema de universais que constitui o arcabouço da civilização liberal burguesa clássica, do século XIX até a grande crise entre 1914 e 1939, no interior do qual a crítica da ideologia funciona justamente como o impulso de realização do ideário burguês. Por isso que, nessa vertente originária do materialismo, o capital e a burguesia são progressistas por definição, liberalismo (https://pt.wikipedia.org/wiki/Liberalismo) e socialismo (https://pt.wikipedia.org/wiki/Socialismo) se implicam mutuamente. Nesse sentido, a crítica da ideologia funciona como uma negação determinada, no sentido hegeliano. No caso de Hegel, por se tratar de uma filosofia especulativa, essa identidade do conteúdo consigo mesmo já está assegurada, vai haver necessariamente um happy end (final feliz, tradução livre). Por isso, quando começa a "Fenomenologia do Espírito" (http://www.afoiceeomartelo.com.bposfsa/autores/hegel_friedrich/fenomenologia_do_espírito_parte_i.pdf), nós já sabemos que tudo vai dar certo, assistimos a consciência se educando através de sucessivas críticas movidas pela crítica imanente de seus castelos ideológicos, como nessa toada o negativo das perdas se converte em positivo, a consciência vai se enriquecendo à medida que é desenganada.

Mutatis mutandis (mudando o que tem de ser mudado, do latim), com o capital é o mesmo enredo. Ele permite tecnicamente superar pela primeira vez a escassez, e, portanto, permite à humanidade encontrar-se consigo mesma e encerrar a sua pré-história. A sua pré-história é a história dessas ilusões, a história de promessas emancipatórias de justiça, liberdade, igualdade etc. Mas uma emancipação por enquanto apenas negativa, que os sociólogos chamarão de modernização. E ninguém pode dizer que é contra tais promessas, até mesmo em relação à promessa da propriedade, pois é no socialismo que a propriedade vai se realizar como tal. Dessa forma, há um processo movido a ilusão, mas que traz consigo o germe da sua satisfação interna. A crítica, assim, é uma comparação consigo mesmo, como se o ideal burguês clássico fosse constantemente posto à prova e se saísse bem sempre dando um passo adiante.

Ora, no caso de Machado de Assis (https://pt.wikipedia.org/wiki/Machado_de_Assis), Roberto Schwarz não pensou mais nesses termos, quer dizer, nos termos de uma boa superação. O que ele descobriu? Que a idiossincrasia, a originalidade e a genialidade de Machado permitiram pela primeira vez verificar que a crítica da civilização burguesa, o que os clássicos chamaram de crítica da ideologia, estava funcionando de maneira diferente. Para Roberto, a razão pela qual a Ideologiekritik funcionara até então coerentemente na Europa liberal mas não no Brasil não estava no fato de que a experiência periférica da coexistência sistêmica de capitalismo e escravidão falseava a própria vigência dos padrões civilizatórios da idade liberal burguesa. O que ele está dizendo é o seguinte —e é isso que tento dizer no texto citado por vocês: nós temos a possibilidade, através de Machado, de entender o que está acontecendo na Europa. E o que estava acontecendo na Europa, na época de Machado, era a derrocada da civilização liberal burguesa. Para Roberto, os dois termos da crítica da ideologia, o universal e a sua realização particular, como que se relativizam e rebaixam mutuamente.

Dessa forma, não era porque éramos atrasados, coloniais, escravistas etc. que estropiávamos a universalidade do programa liberal burguês. É porque ele já estava contaminado desde a raiz, isto é, a nossa experiência demonstrava o formalismo da civilização liberal capitalista, mostrava que ela podia conviver com não importa qual tipo de barbaridade, como a escravidão, por exemplo. O caráter formal, ou seja, a equivalência generalizada e a abstração, fez com que essa civilização pudesse conviver com todos os tipos de retrocessos que, na verdade, nos tornavam seus contemporâneos. De modo que o motor da crítica clássica da ideologia já estava começando a falhar e foi, pouco adiante, desmoronar com o nazismo (https://pt.wikipedia.org/wiki/Nazismo), ou seja, com a crise terminal da civilização burguesa, que começou a madrugar com o imperialismo. Dessa forma, Machado, em seus próprios termos, estava refratando a experiência imperialista do desmoronamento da civilização liberal. A norma universal burguesa foi desmoralizada pela sua particularização local, que ela no entanto, ao mesmo tempo desqualificava.

Isso aparece quando as duas coisas se juntam e culminam na comédia ideológica de Machado, que é a relativização recíproca desses dois lados. Isso não estava nos clássicos, e apareceu pela primeira vez com os frankfurtianos (https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_de_Frankfurt), isto é, com o colapso da civilização burguesa quando caíram os dois lados: a norma ideológica geral e o impulso de elevar a realidade ao seu próprio padrão imanente. Consta que Horkheimer (https://pt.wikipedia.org/wiki/Max_Horkheimer) teria dito que falar em Negação Determinada ou Ideologiekritik (https://de.wikipedia.org/wiki/Negative_Dialektik) diante da ruptura histórica representada pelo III Reich parecia-lhe uma indecência. Então a crítica progressista da ideologia burguesa caiu por terra, o que Machado anteviu e foi tirando as conseqüências. Como artista, ele era radicalmente crítico em relação ao capitalismo, mas já não podia mais ser linearmente progressista. Se o fosse, seria mais um Silvio Romero (https://pt.wikipedia.org/wiki/Sílvio_Romero). Daí a invenção satírica do humanitismo , uma salada grotesca da fraseologia burguesa mais avançada para sacramentar barbaridades cá e lá. É nesse sentido que a crítica da ideologia foi renovada. Por isso o sexto sentido do Roberto foi lá e acertou, até hoje fico impressionado.
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2018.11.15 18:22 Kapzter Literatura Brasileira Parte 1 - Era Colonial I (1500-1700)

Olá! Eu (yung) vou começar a fazer uma série sobre literatura brasileira aqui no /fabricadenoobs. Por motivos de eu estar cheio de coisas da faculdade pra fazer agora, a parte 2 vai sair lá pro final de novembro/dezembro.
:dboa:

É possível distinguir cerca de 3 principais movimentos literários distintos nessa primeira fase da literatura colonial brasileira: literatura jesuítica, literatura de informação sobre o mundo novo e poesia. Os escritos dessa época tem como um de seus conteúdos principais exortar a nova terra descoberta e o Novo Mundo em geral, descrevendo rica e hiperbolicamente as belezas da terra, os índios, etc. Além disso, essa literatura reverbera principalmente as características estéticas da Literatura Portuguesa (ver Classicismo Português). Costuma-se, às vezes, chamar a literatura desse período de Quinhentista e Seiscentista.
Literatura Jesuítica: é composta principalmente por sermões escritos pelos Jesuítas durante seu período de atuação no Brasil (os jesuítas foram expulsos em 1759). A principal função dessa literatura era catequizar os índios, instruir o colono e dar-lhes assistência religiosa e moral. O maior expoente dessa literatura foi, sem dúvida, Pe. Antônio Vieira (Lisboa 1608-Salvador 1697). Padre Vieira também pregou muito sobre as injustiças cometidas contra os índios e muitas outras causas sociais e políticas.
Principais obras:
Informação Sobre o Mundo Novo: a novidade gerada pelo descobrimento também chegou na literatura. Uma dos gêneros literários mais consumidos na Europa da época eram as obras de viagens. Vários desbravadores estrangeiros vieram ao Brasil e escreveram sobre as suas viagens, como Hans Staden, André Thevet e Jean de Lery. Autores como esses ficaram conhecidos como cronistas. A estas obras falta, obviamente, um caráter científico e muitas vezes até literário, devido a intenção mais comercial de alguns autores. Apesar disso, essas obras têm grande importância para se conhecer o Brasil da época pelos olhos, principalmente, estrangeiros.
Principais obras:
Poesia: tem grande influência de estéticas europeias da época, principalmente de Portugal e Espanha. É composta por 3 grandes nomes: Bento Teixeira, Gregório de Matos e Manuel Botelho de Oliveira.
Principais obras:

Principais Fontes:
Anthologia Nacional ou Collecção de exerptos dos principaes escriptores da lingua Portugueza do 20º ao 16º seculo - Fausto Barreto e Carlos de Laet (1895)
História da Literatura Brasileira (Séculos XVI - XX) - Antonio Soares Amora (1955)
Antologia da Língua Portuguesa - Estêvão Cruz (1933)
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2018.05.19 15:38 rodrigoablima Livro: Alfa e Ômega - Uma Aventura nas Profundezas da Divindade Humana

CAPÍTULO 1 - A FUNDAÇÃO
Há incontáveis eras, um grupo de anciões, vitoriosos de batalhas anteriores, decidiram criar uma nova existência, pois se esgotaram as possibilidades e o mundo se tornou previsivelmente insuportável e tedioso. Além disso, em sua sabedoria acreditavam que, como antes, seria necessária uma renovação, bem como o desapego, aos resquícios e memórias do passado. A estes senhores, de nomes impronunciáveis com nossas gargantas primitivas, chamaremos de Arcontes da Alma, os famigerados Pais Arquetípicos, conhecidos na mitologia judaica como Elohim. Dentre estes senhores havia um que se destacava, por seu amor e justiça, sendo a expressão exata do Elevado, aquele que conheceu a primeira criação de todas as criações. Valente guerreiro e pai amoroso. O Verbo e Senhor dos vinte quatro Arcontes.
Sentados, em seus tronos, conversavam e planejavam os eventos que seriam vividos na nova origem. O lugar onde estavam era de beleza única e com uma atmosfera de poder e glória jamais imaginada por mortais, como eu e você. Um lugar que assusta e atemoriza qualquer criatura, impondo respeito aos seres das alturas, ou dos mais baixos abismos.
Todavia existia um lugar de maior significado e peso, um lugar inviolável, o santíssimo lugar, a morada do Eterno. Apenas o Pai e Filho do Verbo poderia adentrar neste ambiente e o fazia somente em ocasiões únicas, em importância e necessidade. Ali residia o Misterium Tremendum que nenhuma criatura ou Elohi poderia conhecer e compreender em sua plenitude, apenas o Elevado e seu unigênito comungavam daquele lugar. Uma casa, uma casa de carne, pois diziam que era o cordis ou o útero da criação.
Um enigma foi proposto, por um dos arcontes para servir como busca e sentido à nova existência, entretanto por mais que se esforçassem não conseguiam encaixar as peças, neste quebra cabeça cósmico, para dar sentido real, sabor e abundância de vida aos novos entes.
O Verbo teve que intervir, pois todos haviam percebido que fazia se propício ao Unigênito entrar na câmara santíssima e ali, diante da Presença Eterna conversar com o Inefável, em busca de algo que pudesse trazer abundância de vida aos neófitos.
Então, os enviados serventes da recamara do rei receberam ordens para preparar e purificar o átrio do templo célico, e assim o fizeram. Estes servos, os homens chamam de anjos, mas nada mais são que seres enviados para uma missão especial. Um destes Gadreel, que em hebraico pode ser escrito como ?????, também conhecido como Azazel, é a origem de muito conflito e debate. Certamente seu real título, princípio e incepção estão envoltos em mentiras e sombras. Nenhum mortal, e até mesmo seres imortais, podem afirmar com certeza sobre algo que teve o embuste como razão de ser, embora nada passa despercebido e impune pelo Eterno.
Enquanto realizava os preparos para consagração dos átrios e vestíbulos reais sua atenção foi desperta por uma pedra vermelha, um seixo de jaspe carmesim usado nas vestes sacerdotais pelo Verbo. Quero deixar claro que muito do que acontece aqui não poderia ser descrito com linguagem e palavras humanas se respeitada sua exatidão. O certo é que o que foi me passado e permitido lhe exponho da melhor forma que minhas mãos escrevem e minha mente concebe, por isso faço uso alegórico, dos eventos agora relatados, pois sem os quais jamais poderia escrever. Por isso, creia no conteúdo e não na forma, como conselho, prezado amigo, haja sempre assim, na vida, geralmente o contorno é enganoso embora a essência liberte. Se não fizeres isto, de um jeito ou de outro, aprenderás que as palavras nada dizem, todavia o que fazemos com elas sim.
Então, possuído de cobiça, apeteceu possuí-la, pois conhecia o propósito e sabia que facultaria habilidade de abrir portais e poder sobre as trevas, corrupção e mal, se usada sem consentimento e vontade do Verbo, pois em seu coração deixou entrar a dúvida sobre a bondade divina. Sem muito pensar, tomou-a para si, colocando outra de sárdio, semelhante em forma, em seu lugar. Leitor cabe aqui lembrar, que o ocorrido, apesar de não aprazer a Aquele que É, foi planificado por Ele antes de todas as Eternidades, nas eras ocultas em Deus e no Cordeiro (O primevo Æion, Kairós do Ego e do Ser) e quando terminar tu verás que falo a verdade.
Neste momento, um Mal Antigo foi desperto, transformando interior deste anjo, que agora chamaremos de Inferno, עזאזל em hebraico, pois como narrado antes, se mal-usado o Jaspe Carmesim, que simboliza o sangue do Cordeiro, porque quem o toma e usa, o faz para sua própria condenação, se não empregar o discernimento por meio Daquele que é o alimento da alma. Uma porta foi aberta e o Inferno a habita e é habitado por ele, o Filho da Perdição.
Que fique claro que o erro deste grigori não foi possuir a pedra, mas ser ladrão de algo que é livre a todo aquele que pedir ao Pneuma. O erro é a escravidão do espírito, pelo ego, que não se é refreado pelo Verbo. Neste momento, o horror primevo, entrou no corrompido anjo guardião dos aposentos reais.
Uma terrível tristeza abateu sobre o Verbo. Podia-se ver claramente no semblante do Cordeiro que algo muito sério o afligia. Porém, Ele sabia que era anseio do Eterno e conhecia muito bem os desígnios do coração de Deus. O Eterno, também estava aflito e pesaroso, pois isso não era de sua vontade ativa, mas permissiva.
Tudo foi preparado para o momento. E o Cristo entrou no santuário onde até os anjos temem ir. Ele vestia a indumentária sacerdotal completa. A Estola Sacerdotal ou Éfode uma peça parecida com um avental, confeccionada nas cores azul, púrpura, carmesim e o branco de linho fino retorcido. Sobre o Éfode um peitoral com as doze pedras, que representam os fundamentos que sustentam toda criação. Na cintura partindo do umbigo uma espécie de cordão de prata ligava as vestes ao cubo, o cubo de Metatron, uma máquina que permitia a entrada no santíssimo lugar, e assim, entrar em contado direto com o Arché. Arché é a substância primordial, constituinte de toda matéria do universo. Na verdade, Arché é um número que quando em execução conjunta com o cubo de Metatron possibilita a entrada no console fundamental que fornece uma interface para a criação da realidade. Uma vez conectado a máquina a realidade percebida pelo sumo sacerdote é mudada e este pode entrar no módulo de construção, uma espécie de programa de computador que funciona como um ambiente integrado que facilita a criação de realidades extraídas da lógica do número (ou programa) que inspira a vida.
Permita-me amigo explicar-lhe melhor o que é o Arché, também conhecido como unidade divina. Ele não é apenas um número qualquer, mas o padrão da perfeição, uma seqüência harmoniosa que encerra dentro de si todas as criações possíveis. Embora bastante próximo de Deus o Arché não é Deus. Podemos dizer que Deus é pleno quando o Verbo, a Lógica e a Materialidade trabalham em prol do sentido existencial, o tempero da vida, o Amor. O ator do Verbo é o Cordeiro, o ator da Lógica é o Arché e a Matéria é fruto da máquina de Metatron. Embora não percebamos todas as vezes, os três são e estão em Um e são vistos em plenitude no homem, mais corretamente no Filho do Homem e neste, sempre trabalham em Amor, afinal Deus é Amor!
Após todos os preparativos realizados então o Verbo adentra o santíssimo lugar. Imediatamente sua fisionomia se transforma. O módulo arquiteto estava carregado e o link foi estabelecido. Todo poder criativo de Deus estava ao dispor do Verbo, assim como, uma via de largura de fluxo inesgotável fornecia a comunicação direta entre Pai e Filho. Amigo, você deve estar perguntando por que essa conexão se fez necessária, visto que Pai e Filho são um, posso citar vários motivos, mas dois se destacam.
O primeiro é que nem sempre o Filho quer e precisa de todo poder criativo divino, há momentos que isso não se faz necessário nem desejável, lembre-se que o Filho nunca usou poder desnecessariamente. Ele nunca precisou de pirotecnia para mostrar sua identidade, poder e glória.
O segundo é que Ele, sempre quis se comportar como humano, deixe me explicar com um exemplo. Um alpinista poderia escalar uma montanha com um equipamento que facilitasse ao extremo a conquista do cume da montanha, podendo se quisesse subir até lá de helicóptero. No entanto que graça teria isso? E lembre-se a chave da vida está na graça. A graça é o Amor, divinamente humano e pessoal, em Movimento. Sem movimento, não há graça. Sem isso a vida se torna o “Trabalho de Sísifo”. Vazia, oca, sem sentido e niilista. O Verbo vivo deseja que a criação se pareça com a história arquetípica dando forma, beleza e sabor em abundância. A limitação torna as coisas mais interessantes. Embora haja sacrifícios e sofrimento, ao final, quando o montanhista tem a magnífica visão do fruto de seu esforço ele diz, valeu a pena!
Há uma terceira razão, também importante, mas em momento propício, querido neófito, lhe revelarei. Por agora basta dizer que nem todos têm fé a ponto de mover montanhas e nem só o Verbo pode usar a máquina de Metatron, mas só ele pode ir ao Aleph Santíssimo e compreender o mistério e causa da Vida.
Depois de tudo preparado, Adonai inicia seu trabalho. Como de igual maneira, em todas as criações, a primeira criação é a luz, então em um grito catártico, Fiat Lux, e a luz foi feita. A partir deste ponto não preciso entrar em detalhes, pois você conhece o desenrolar dessa história. Quero apenas focar em um ocorrido, e farei isso nos parágrafos seguintes.
***
O grigori ladrão da pedra, não era o mais forte dos anjos, porém o mais astuto e hábil na arte do falar e convencer. Ele sabia que seus dias celestes estavam por se findar e pouco tempo teria antes que fosse derribado. Além disso, as trevas em seu interior cresciam rapidamente, sempre a clamar por sangue, morte e destruição. Ele precisava agir e ligeiro. Ele carecia de seguidores, mais isso seria impossível se não houvesse separação entre Deus e os Vigilantes Universais. Ele precisava se tornar o poder, o dínamo que separa. E se possível ele separaria até Pai e Filho. Ele semearia a semente da discórdia entre os anjos superiores. A fé na bondade divina deveria ser abalada.
Uma voz gutural sussurrou em sua mente – “A chave para as trevas é a morte e com a mentira triunfarás”. Ele ainda não havia percebido, mas o dragão, em seu âmago crescia devorando seu espírito dia-a-dia. E na biblioteca celeste seu interesse pelo conhecimento proibido das eternidades precedentes crescia, em especial sobre a figura dracônica. Ele não teve maiores problemas em obter tal conhecimento, pois era o responsável pela manutenção do acervo da biblioteca real. Justamente o anjo que devia manter os livros em secreto traía o designo divino. Isso foi apenas o começo.
Um prazer perverso enchia-lhe o coração. Ele se via maior que o Criador, o que lhe enchia o espírito de orgulho e prepotência. Então enfim a semente do dragão germinou em sua mente. Ele percebeu que o seu sim, não precisava ser sim e o não, não precisava ser não. E o engano o fez sentir livre como nunca antes. O primeiro fruto da semente do dragão foi à mentira. A mentira que falsamente liberta.
Munido de conhecimento oculto e proibido se aproximou de Samyaza, o querubim do trono. O único anjo que conhecia o nome completo de Deus, o Logos, palavra passe que concedia acesso ao cubo de Metatron para alteração da realidade. Era poderoso em guerra e belo em formosura, sendo considerado o sinete da perfeição. Fazia sua morada junto às pedras afogueadas. Seu poder militar e anjos seguidores rivalizava com os de Miguel. Samyaza, não deixava transparecer, mas em seu interior deixou crescer certa inveja por Miguel, pois julgava desnecessário dois generais celestes.
Gadreel possuído pelo dragão havia percebido a insatisfação do querubim do trono. Sucessivamente alimentava o sentimento ínvido de Samyaza. Tornaram-se amigos. Gadreel em momento propício convidou-o para a biblioteca celeste e lá comungaram de conhecimento proibido. O dragão em Gadreel era ávido em devorar o espírito e sabia que não poderia abastecer-se ainda mais de sua morada, pois acabaria por destruir seu aliado por completo perdendo-o na morte e na loucura. Incentivou-o com sussurros semi-conscientes a fazer o Pacto de Execrações, descritos nos livros do primevo Aion, relatado no terceiro capítulo, “A criação do Dragão”.
Tão logo as juras do ritual se concretizaram o dragão entrou em Samyaza, lhe despertando dúvidas sobre a bondade divina. Ele sabia que o que fizera era errado, mas sentia um gozo maligno ao ver o mundo com os olhos do dragão. Enganado acreditava que o mal também poderia ser um bom trilhar e que as trevas eram belas. Não conseguiu compreender que o mal só atrai-o para a morte, e ao final consumiria seu espírito. Cabe neste momento dizer-lhe amigo que Deus deseja que sejamos um com Ele, mas Ele respeita nossa essência. Já o dragão devora-nos de forma que não somos um, mas acaba por amalgamar de forma indelével sua essência em nosso imo suplantando-a pela a dele. Sobrando somente ele. Sua fome é insaciável. E seu apetite irrefreável. E suas vítimas acabam por sucumbir, sem perceber a mordida do vampiro das almas.
Então por que Deus criou o dragão? Veja que o dragão é mal, pois assim foi criado, ele foi homicida, promotor da morte desde o princípio, e com justiça será tratado no final.
Nós eleitos, desde a fundação do mundo, somos vitoriosos de eternidade em eternidade. Somos mais que vencedores. Porém o dragão e sua semente serão derrotados de criação em criação. Como o vilão que em sua desgraça merecida abrilhanta a vitória do herói. A derrota do dragão é motivo de festa daqueles que viveram pelo Verbo. Isso está em nossos corações, implantado em nosso inconsciente. É a história arquetípica escrita na primeva incepção. Na criação anterior o dragão foi vencido pela força... Nesta, porém, o nosso inimigo está em nós e não será vencido pela força ou poder, mas pelo Espírito de Deus. Se a luta será terrível, a vitória será imensa. A vitória, no entanto, revelará sim de modo esplendoroso que o santuário santíssimo tem lugar em nosso mais íntimo, em nosso EU SOU. Seremos e já somos coparticipantes da natureza de Deus. O Misterium Tremendum, o galardão final, daqueles que são fiéis ao Verbo, será revelado e conheceremos como também somos conhecidos. E Deus fará tudo novo de novo!
Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou tudo para a existência, e as criaturas do mundo devem cooperar para a salvação. No entanto, a presença do mal permite o agir do bem. O Cristo teve a oportunidade de demonstrar seu amor, que em graça se transformou vertendo seu precioso sangue. E derrotada foi à morte e seu aguilhão e veneno será por fim destruído. Em alegria seremos transformados e o que hoje são sombras e névoas no porvir serão cores vivas como as luzes da aurora no esplendor do amanhecer.
O Eterno trabalha com ciclos. Como disse o sábio “Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou.”. Observe as estações do ano, os meses, as semanas e até mesmo os dias. Eles se repetem, mas sempre de forma diferente. A novidade não está exatamente naquilo que se vê, mas em como se vê.
Há tempo de destruição, de renovo, de trabalho, de descanso e neste fluir as eternidades passam. Ainda que em momentos de dor, mais perto chegamos do criador. Feliz aquele que achar mérito no autor das almas e para quem Ele disser, “Servo bom e fiel entra no teu descanso”. Nem todos adentrarão no descanso, pois com juras Ele disse “Não entrarão no meu descanso, embora fossem completadas as obras desde a fundação do mundo. ” Pois em certo lugar disse assim acerca do dia sétimo: “E descansou Deus no dia sétimo de todas as suas obras”. Pois aquele que entrou no descanso Dele, esse também descansou das suas obras, assim como Deus das suas. Lute por sua salvação, amigo, para que te aches no Espírito Eterno no dia em que Ele vir nas nuvens revelar as obras de suas mãos. O tempo é breve e já estamos no início do sétimo dia. Um dia para Ele são mil anos. Nosso tempo não é o Dele! E o homem é senhor do sétimo dia e reinará no milênio com o Cordeiro. Reino de justiça e paz.
Samyaza então revela a Gadreel o segredo do nome divino. Gadreel agora poderia entrar na nova criação divina e semear o germe do dragão. Entretanto havia um obstáculo. Como chegar ao santíssimo lugar, diante da presença divina, sem ser fulminado pela glória da visão sublime. Eles precisavam de algum artifício que pudesse ofender o Espírito de tal forma que este momentaneamente se ausentasse do sumo santuário. Precisavam conversar diretamente com o dragão e para isso usaram a pedra carmesim roubada. Assim, profanou a pedra de sangue para trazer do abismo ancestral o dragão. Munidos de poder profano conseguiram realizar a maior de todas as desonras, “O abominável da desolação” no lugar onde jamais deveria ser feito. Eu poderia relatar como e de que maneira isso foi realizado, mas o simples fato de mencionar tal hediondez é um sério pecado, por isso amigo, não entrarei em detalhes.
O dragão usou Gadreel para ocupar a serpente e então seduzir a Eva a comer do fruto do conhecimento. O dragão pôde então inserir no gênero humano sua corrupta semente. É por isto que alguns homens são verdadeiros demônios, sem qualquer tipo de compaixão ou remorso por seus atos. São filhos do diabo, promotores da morte e do engano, homicidas frios e insensíveis. Nos últimos dias, quando a ceifa estiver às portas, a distinção entre luz e trevas entre joio e trigo será fácil e assim os anjos terão pouca dificuldade em separar os bodes das ovelhas.
Nessa época, os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes aos seus pais, ingratos, ímpios, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Serão o reflexo do dragão trilhando o caminho da escuridão em profundas trevas. Do céu será revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Como disse o Revelador “veio a tua ira, e o tempo de serem julgados os mortos, e o tempo de dares recompensa aos teus servos, os profetas, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra.” Mas antes da primeira luz do dia raiar no horizonte, a noite tem que ficar mais escura!
Deus sabia qual caminho o homem iria trilhar, mas Deus nunca pune um pecado que você ainda não cometeu. Deus realmente queria que o homem fosse como Ele, não negando-lhe nem mesmo seus atributos criativos, a maior vontade de um pai e que o filho trilhe seu caminho. Mas Deus sabia que isso tinha um preço, um alto preço, pois Deus não seria tão irresponsável de dar a uma criança tamanho poder de uma vez, por que o poder corrompe e o poder absoluto corrompe totalmente! Foi então que Ele, Deus, revelou seu plano ETERNO de SALVAÇÃO, o CAMINHO, pelo qual os escolhidos chegariam a DEUS, de forma a não se corromper! Deus plantou no jardim do Éden duas arvores, a do "Conhecimento do Bem e do Mal" e a arvore "da Vida". Nas regiões celestiais, o Satã, a inimizade, a sombra, também entraria nesse plano. Gadreel entrou na serpente e fez o homem escolher um caminho que não era a vontade do VERBO. Ele roubou a identidade do homem e autoridade sobre o mundo criando inimizade entre Deus e homem e entre homens e homens! E ainda fez parecer, que ele foi o bem feitor da humanidade, revelando um segredo oculto, o qual, segundo o diabo, Deus não queria que o homem soubesse! Mas tudo isso já havia ocorrido, em Deus, nas eras ocultas da ETERNIDADE.
Então DEUS faz a promessa, a primeira profecia, sendo o profeta o próprio Deus, "Um dia, um descendente de Eva, esmagaria a cabeça da Serpente" e ela, a serpente, feriria este homem no calcanhar! O problema é que agora, o ser do homem, estava corrompido e não refletia o EU SOU, o espírito de Deus, que diferencia os homens dos animais, havia adormecido, e a sombra (que na Bíblia é conhecido como carne – A semente do dragão) tomou seu lugar. A alma do homem se inclinou e inclina para o mal, porque a essência do dragão se ligou a ela, como já havia dito. Então, Deus no tempo certo, envia seu TABERNÁCULO, de carne, o VERBO abre o CAMINHO, do alto a baixo, rasgando o véu, o escrito de dívida, que separava DEUS do homem, se misturando com o homem de forma tal que não poderia ser separado. Uma guerra foi é e será vencida... Neste CAMINHO agora o homem tem em seu corpo duas essências conflitantes e que militam entre si, o ESPÍRITO e a CARNE. Por isso que Jesus, O VERBO TABERNACULADO, desce as profundezas trevosas do inferno e toma a chave da MORTE do diabo.
Tornando Ele, o cabeça dos principados e potestades (leia Colossenses 2 - atente para o versículo 10). Agora pelo sangue do cordeiro, o diabo (Gadreel), o dragão e satã (Samyaza) podem ser vencidos, porque Jesus é também senhor do INFERNO, como desde a eternidade foi, mas que a agora em plenitude se consumou! Por fim, Jesus ressuscita e então tem se inicio o tempo da graça. Neste tempo, todos que se alimentarem da Árvore da Vida, a Videira Verdadeira (leia João 15) e exercerem a autoridade de Cristo, sobre o mal, conservando seu Espírito Santo, serão arrebatados ou morrerão em Cristo, não experimentando jamais o dolo da segunda morte. E com o cordeiro reinarão pelos séculos dos séculos.
CAPÍTULO 2 - KAIRÓS
Quero contar aqui algo que ocorreu em um tempo fora do tempo. Quero falar da primeva incepção. É uma tarefa hercúlea, mas tentarei ... É certo que o Espírito Eterno, sempre ajudando e inspirando, está aqui... Que seria eu sem o Pneuma, meu amigo? Que preenche e transborda o coração daqueles que vivem pelo Cordeiro. Espero que Ele, enquanto você lê esses escritos, que encha até transbordar as palavras e a linguagem seja muito mais viva que apenas letras mortas num papel.
Antes do tempo existir existia o Verbo, como disse João, “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.”
Todavia amigo pode ter passado em sua mente... O que havia antes do princípio, não é mesmo? Bom, tenho duas respostas para você, a mais simples é: Só Deus sabe... É... Não te satisfez... Nem a mim... Queremos saber, né? Aqui vem a segunda resposta. Nem tudo é possível saber, pois não há uma resposta que cabe na lógica atual desta criação.
Deixa te explicar melhor, se algo é o princípio de tudo, não pode haver antes... Estamos acostumados a viver em Chronos, o tempo depois do tempo, mas aqui, como disse outrora, estamos em Kairós, um não-lugar fora do tempo e do espaço. Isso por que o tempo como conhecemos também é uma Criação do Eterno.
Há perguntas que nunca saberemos a resposta. E há perguntas que não tem resposta. E estas só Deus sabe, por que Ele sabe de tudo. Em alguns casos Ele revela seus mistérios, como aconteceu com Enoch, o sétimo depois de Adão, mas isso lhe custou um alto preço. Não por que Deus é como o poderoso chefão, a Cosa Nostra, que lhe mata por que você sabe demais. Isso acontece por que há mistérios que se revelados podem modificar de tal forma a psique e o corpo que simplesmente a existência é desfeita.
Como está escrito em Gênesis que Enoch andou tanto com Deus que já não o era mais, e Deus o tomou. Esse tomar de acordo com o Codex Aleppo é אתו. Esta palavra tem sido alvo de estudos judaicos conhecidos como midrashim. Midrashim, nada mais é que estudos rabínicos mais aprofundados, tentando preservar a exegese original, que as vezes pode ter se perdido com o tempo. E podemos dizer que extraindo sua definição do Codex Aleppo ou ainda dos “Manuscritos do Mar Morto” possui uma acepção que mistura os sentidos das palavras fundir, desfazer, coexistir e coparticipar em uma única palavra.
E há Verdades em Deus e Ocultos que são tão perigosos, ou melhor, temerosos, que se revelados fora do momento escolhido enrolariam o universo como um pergaminho na mão de um escritor. E nisso não há menor graça... Nem para Deus... Nem para nós... É como saber o final do filme, antes de assisti-lo. Embora aqui não saiba nem revele estes mistérios, cuidado... Você não será mais o mesmo após ler esse livro... Eu te garanto... Quando o recebi percebi isso! É... o autor escreve, mas também o recebe, nem que seja pelo ar (Pneuma)! Não é mesmo Teófilo... Não é, meu amigo?
Voltaremos a falar depois sobre Enoch, personagem muito importante, que o livro de Judas (não o Iscariotes) cita, inclusive com alusões ao terceiro Livro de Enoch, que segundo muitos pais da Igreja, como Orígenes, deveriam estar no Cannon Bíblico, mas não estão por que os Judeus Ortodoxos, pais da Torah, o baniram pois continha profecias que os deixavam incomodados com sua exatidão sobre a vida do único e verdadeiro Cristo, Yeshua, o unigênito Filho de Deus.
O judaísmo rejeita a crença de que Jesus seja o Messias aguardado, argumentando que não corresponde às profecias messiânicas do Tanach, justamente por que mutilaram a Torah retirando o referido livro.
Quero deixar claro que não sou anti-semita muito pelo contrário. Oro pelo povo judeu, pelas suas aflições, mas sei que muito do que acontece no mundo (coisas boas e ruins) tem algum dedinho judaico. Em algum lugar está escrito que este povo será como pedra no sapato das nações. E em outro sítio diz que todas as famílias serão abençoadas pelos filhos de Abraão. Mas é certo que de fato comandam toda mídia ou pelo menos boa parte da mundial, mas com certeza da ocidental. Principalmente Hollywood. Preste atenção e verás que falo a verdade!
Quero também dizer que nada escapa a vontade de Deus. E este o permitiu, pois vivemos no tempo da graça, mas quando chegar o tempo dos Judeus estes acordarão para a besteira que fizeram, quão vergonhoso será reconhecer que eles, enganados e iludidos, favoreceram o “Abominável da Desolação”, por sua grande teimosia em não aceitar o Verbo Tabernaculado, Jesus de Nazaré. Sempre há um propósito oculto nas ações do Eterno. Principalmente na progressão do desvelo da verdade sobre o que e como se dará o desfecho de tudo. E o livro de Enoch terá importância ímpar neste processo.
Continuando... Posso dizer, ainda que grosseiramente, que Kairós é um lugar na mente de Deus, mais ou menos, como a imaginação humana, porém com realismo e detalhe maior que nosso mundo. Kairos é Deus descobrindo Deus e brincando de esconde-esconde com seu Filho e envolvendo e sendo envolvido pelo Espírito Santo. É como uma família, em seus momentos mais íntimos.
Bom... Para facilitar diremos que a primeira criação de Deus foi Deus. É como acontece no sistema de Boot de um PC. Deus cria Deus, ou melhor gera Deus. Deus na pessoa do Pai, cria o Filho, o Verbo. A BIOS de seu PC, ainda é seu computador, porém ela é o que dá o arranque em todo sistema computacional.
Por um prisma a vida pode ser vista como relacionamento. E não há relacionamento na Unidade Absoluta. Isso por que, relacionamento se expressa por pelo menos duas entidades. Deus só se relaciona com Deus em sua trindade. Entretanto, em Kairós, inicialmente só existia Deus UNO.
No princípio, havia o SER, o Verbo... Simples, compacto, total, denso e pontual. O “SER” neste ponto está impessoal e no infinitivo. Como o espectro da luz branca que carrega em unidade todas as cores. Não há o Eu, ou qualquer outro pronome, muito menos tempo verbal e ação. Apenas a existência. Embora não lhe faltasse cor alguma, faz parte da beleza de Deus compartilhar o que Ele tem...
É aqui que usar a linguagem, com suas limitações, torna tudo mais complicado. Se necessário releia esta parte. Vamos a ela...
Não havia nada, muito pelo contrário, do nada, nada se tira. O nada nunca se aplica ao ser, por isto não é! O nada como figura de linguagem pode ai sim ser alguma coisa, mas isso agora não vem ao caso. Nunca chegarei a um somando apenas zeros. Para o zero, o um é infinitamente grande, pois nem mesmo com infinitos zeros, chegamos a um. Mas com uns e zeros eu percorro o infinito. O sistema de numeração mais básico é composto de apenas dois números ou estados. Zero e Um. Ligado e Desligado. Vivo e Morto. Com estes dois dígitos posso expressar infinitos números... Ou estados... Mas o zero, ainda que seja o menor número expressando quantidade não é nada. Afinal o “é” pode lhe ser aplicado, pois este É um número.
Então o SER se esvaziou até morrer. A primeira morte é o vazio... Embora essa morte não seja a morte verdadeira... Algo como mergulhar num rio e voltar a superfície... Um batismo! Como um pai brinca com o filho com uma coberta fingindo e terminando com um put e se revelando.
As vezes esvaziar é triste e angustiante. As vezes trás alívio e gozo... Uma Catarse. Como os franceses chamam “La petit mort”. A pequena morte. Até Deus, apesar da dor de se esvaziar, sabia que o melhor é serem dois do que um! Morreu pois sabia que vale a pena morrer para que outros possam viver... Afinal... E a morte de Deus gerou o Filho. E assim dois estados ou entidades e um relacionamento em Espírito Santo.
Inicialmente esse relacionamento se processa como uma adição, uma soma, se preferir use a palavra do Codex Aleppo ???? para definir este relacionamento.
E o Filho falou... EU SOU! E um sorriso no rosto de Deus apareceu em alegria com as primeiras palavras do Filho... Ou seriam Suas? O que importa é que ele o Amou! Sim o primeiro sentimento de um relacionamento. O Espírito que une o Ser em Santidade! Agora Deus estava completo... Pai, Filho e Espírito Santo em Deus... Em Amor!
É amigo, na trindade as vezes não separamos quem é quem. Deus sabe bem expressar a palavrinha difícil, que significa fundir, desfazer, coexistir e co-participar, aquela do Codex, que da uma confusão doida na mente... Só posso dizer que a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana... Não é mesmo?
Quem nunca saboreou a cereja em cima do bolo fazendo um filho, não sabe o que é viver! A escritura afirma que o maior prazer aqui da terra é o menor dos que existem no céu! E deve ser mesmo, pois aqui cercados de pecados e de morte a expressão do amor, ainda que apenas erótico, é deveras agradável... Imagina como devem ser os relacionamentos no céu onde há pureza cristalina. Afinal o que temos aqui são apenas sombras, opacas como um espelho embaçado comparadas com o que há de vir!
Acho que estou ficando louco... Concorda?
Então continuando com essa sábia loucura... Deus, na Pessoa do Pai e Deus na Pessoa do Filho continuam um se entregando ao outro, enchendo e esvaziando, como um pulmão, renovando e purificando seu relacionamento, o Espírito de Sua Santidade que traz graça e sabor a vida, o Pneuma. Esse Amor, esse Espírito é o alimento da alma, da mente, de Deus, em Kairos, e também do nosso mais indissociável imo, o nosso EU SOU, o Arché citado no primeiro capítulo deste livro.
Quero deixar claro uma coisa. Deus é amor, mas o Amor, não é Deus. O amor, é o alimento, a fonte, o maná celestial que dá substância a matéria, mesmo que esse não a seja a matéria em si. Como disse Paulo em sua carta a Hebreus, “... entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível foi feito do invisível.” Em outras palavras, o que é físico, em sua essência, é feito daquilo que não está em Physis.
Seu fosse um cientista, e na verdade o sou, diria que a matéria não possui materialidade em si, mas o espaço, o oceano de Higgs é que lhe dá materialidade, como sua massa e densidade. O átomo é um imenso espaço vazio, com pequeníssimas partículas, uma laranja no centro de um gigantesco campo de futebol. O universo, no frigir dos ovos, é mais de 99,9999% de espaço vazio. Afinal, no principio, o grão de mostarda, átomo primordial, cabia na cabeça de um alfinete, mas pesava mais que bilhões de sois.
Falando em BIOS, que anteriormente referida como o Sistema Básico de Entrada e Saída, quero também falar de Bios, como vida biológica. Qual a principal coisa que deve existir para que haja vida? Para responder isso vamos definir vida.
Vida, conforme aprendemos na escola, de um modo geral, precisa exibir todos os seguintes fenômenos pelo menos uma vez durante a sua existência: Desenvolvimento: passagem por várias etapas distintas e seqüenciais, que vão da concepção à morte. Crescimento: absorção e reorganização cumulativa de matéria oriunda do meio; com excreção dos excessos e dos produtos "indesejados". Movimento: em meio interno (dinâmica celular), acompanhada ou não de locomoção no ambiente. Reprodução: capacidade de gerar entidades semelhantes a si própria. Resposta a estímulos: capacidade de "sentir" e avaliar as propriedades do ambiente e de agir seletivamente em resposta às possíveis mudanças em tais condições. Evolução: capacidade das sucessivas gerações transformarem-se gradualmente e de adaptarem-se ao meio.
***
Fim da mostra de meu primeiro livro... Podes reproduzir estes capítulos onde quiseres, mas lembre-se de citar o autor - Rodrigo Lima – http://seguidoresdocaminhoeterno.blogspot.com.b)
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Curioso para saber o final... Você já sabe... Mas ainda não lembra!!! Aguarde... Em breve numa livraria perto de você e na internet para baixar gratuitamente em MOBI, PDF e Epub... Espere, vai valer a pena... Enquanto isso, espalhe a mensagem!
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2017.10.24 08:50 hwqqlll A liberdade e o patrimônio da Reforma Protestante: um novo caminho para os evangélicos na vida pública

Olá /brasil!
Eu gostaria de continuar o dialogo com Taurusan e wltndd e seus textos sobre a teocracia evangélica e a teologia de domínio. Eu sou evangélico dos Estados Unidos e sou formado em história; já estudei a Reforma Protestante e a história de polêmicas teológicas em igrejas americanas durante o século XX. Eu também morei por dois anos no Brasil, onde estudei num seminário presbiteriano e trabalhei com igrejas na periferia de Recife; então eu tenho um pouco de conhecimento da situação da igreja evangélica no Brasil. Eu agradeço Taurusan e wltndd por suas abordagens claras e corretas, porque a maioria das análises do evangelicalismo que eu vejo não examinam bem as divisões dentro do evangelicalismo ou as raízes históricas das disputas que nós temos. É impossível entender uma religião usando apenas princípios gerais (por exemplo, “a fé causa violência porque ela toma o lugar do raciocínio”); temos que entender as crenças, práticas, e histórias específicas de cada religião. Desculpe se tiver algum erro de português. Também vou ter alguns links em inglês e espanhol porque não consegui achar traduções dos documentos, mas parece que a maioria de vocês no /brasil conseguem ler minha língua.
Minha intenção não é refutar o que eles disseram, mas completar o retrato que eles começaram. Acredito que a fé evangélica pode ser e tem sido uma força pela bem da sociedade. Além disso, a Reforma tem moldado o pensamento de todas as pessoas que hoje vivem numa sociedade maioritariamente cristã (como o Brasil ou os EUA).

As novas ideias da Reforma

Na Europa por volta do ano 1500, tinha um enlace quase total entre a Igreja Católica e o poder político. Quando a Espanha colonizou o mundo novo, o “requerimento” de conversão que eles apresentavam pros índios basicamente definiu a fé cristã como aceitação da soberania do rei da Espanha e do Papa. De certa maneira, Martinho Lutero introduziu a diversidade religiosa à Europa. Claro, já teve pessoas que seguiam religiões pagãs antes, mas Lutero foi o primeiro que desafiou a Igreja Católica com sucesso depois de que a Igreja consolidou seu poder. Por isso, ele teve que desenvolver uma teologia política distinta da teocracia católica medieval. Quando os protestantes enfrentaram essa nova realidade de diversidade religiosa, eles procuraram possíveis respostas na sua própria tradição teológica.
No início da Reforma, com as 95 Teses, Lutero não quis formar uma nova igreja; porém, ele introduziu algumas ideias que não eram compatíveis com a hegemonia política da Igreja Católica. Quando denunciou a prática de vender indulgências, ele também negou que o papa era capaz de oferecer remissão de pecados. Em outras palavras, as ações da igreja não mudavam realidades espirituais. Essa percepção teve grandes implicações. Se as realidades espirituais (i.e. a salvação da alma) estavam sob a jurisdição de Deus e não a da igreja, então a igreja não precisava ter controle político para efetuar a salvação das pessoas.
Logo depois, quando pregou durante a Quaresma de 1522, Lutero repudiou os reformadores que tinham incitado tumultos violentos na cidade de Wittenberg enquanto ele estava ausente. Eles tinham destruído imagens nas igrejas católicas e atacado padres enquanto celebravam as missas. Entre outras coisas, Lutero disse que a compulsão era antitética ao amor que devia caracterizar a proclamação do evangelho. Sobre as imagens, o monacato, e outras características da vida católica, Lutero falou que as pessoas tinham a liberdade de fazer ou não fazer o que não era essencial para a salvação. Isso foi uma posição bem radical, pois nem a teologia católica medieval nem a teologia dos outros reformadores previa a convivência entre pessoas com crenças diferentes sobre esses assuntos. Para Lutero, em certas ocasiões, a preferência individual tinha preferência sobre as regras da igreja.

O evangelicalismo, a sociedade, e as Escrituras

David Bebbington defina o evangelicalismo com quatro características: o biblicismo (crença na autoridade da Bíblia), o crucicentrismo (ênfase na crucificação, obra expiatória e ressurreição de Cristo), o conversionismo (ênfase na experiência da conversão), e o ativismo (a crença que o cristão deve ter uma fé ativa, visível em evangelismo, assistência social, etc.). A grande diferença entre o evangelicalismo e o protestantismo anterior é o conversionismo. Muitos historiadores dizem que o evangelicalismo (como algo distinto do protestantismo em geral) começou como o Primeiro Grande Despertamento nos anos 1730-40. De certa maneira, os primeiros evangélicos chegaram às conclusões inerentes na teologia dos Reformadores. Se a salvação é pela fé, então você não é salvo porque seus pais são cristãos e você foi batizado durante a infância. O teólogo americano Jonathan Edwards enfrentou essa questão quando ministrava durante essa época, respondendo aos abusos daqueles que acharam que sua salvação era garantida e ignoraram as exigências da fé cristã. Para Edwards e outros, a conversão era essencial porque a dependência na religiosidade da comunidade à exclusão da piedade pessoal era uma distorção da fé. Mas se a sociedade não podia garantir a religiosidade dos seus membros e às vezes impedia a fé verdadeira, qual era o propósito de ter uma sociedade cristã?
Quando a Constituição dos EUA foi escrita 50 anos depois, ela garantiu a liberdade religiosa e proibiu o estabelecimento de uma religião estadual. Essa garantia foi apoiada não somente pelos deístas mas também pelos cristãos do país, que acreditavam que o poder político não era necessário para a prática da religião e sim era capaz de distorcer e prejudicar a fé verdadeira. Várias denominações protestantes (especialmente batistas, presbiterianos, e metodistas) se opuseram ao estabelecimento do anglicanismo como religião estadual na Inglaterra e algumas colônias. É importante notar a diferença entre as concepções da liberdade religiosa entre países católicos e protestantes. Na França e outros países católicos, onde a Igreja Católica tinha poder político, o conceito do estado laico visou separar a igreja do estado. Nos EUA e outros países protestantes, já tinha uma visão de como viver a vida cristã sem ter poder político. Por isso, a concepção de liberdade religiosa nos EUA é que as pessoas são livres pra praticar sua religião e influenciar outros, porque para os protestantes, a influência cultural e controle político não são sinônimos.
Os primeiros protestantes e evangélicos desenvolveram essas ideias porque as viram nas Escrituras. Lutero apelou às epístolas paulinas e o livro de Atos para comprovar seus argumentos contra a compulsão religiosa. No Novo Testamento, a igreja é uma instituição transnacional que abrange todos os grupos étnicos e por isso não tem que se preocupar com a lei civil. Mais fundamentalmente, a história de Jesus é a história de uma pessoa que não tomou poder político. Ele até rejeitou a oferta do diabo de domínio sobre a terra. A única coroa que ele usou era uma coroa de espinhos. Embora fosse Deus, ele se esvaziou a si mesmo e tomou a forma de um homem (Filipenses 2:6-8). Não estou tentando tornar o /brasil em um ponto de pregação, mas estou tentando comunicar o jeito que a gente pensa sobre esses assuntos à luz do evangelho. Para mim, fica bem claro que a gente deve interpretar as frequentes referências bíblicas ao “Reino de Deus” como algo diferente de reinos convencionais. A história de Jesus e os primeiros 300 anos da igreja mostra que é pelo menos possível (e provavelmente recomendável) ser fiel a Jesus sem exercer poder político. Não se pode dizer isso sobre todas as religiões e ideologias políticas.

O que significa isso para o Brasil de hoje?

Não tenho muita confiança que a igreja evangélica brasileira tem aprendido as lições dessa história. Nos Estados Unidos, os evangélicos já experimentaram o poder político e foram decepcionados. Os evangélicos do Brasil ainda não tiveram essa experiência e vão ter que sentir as más consequências para aprender. Tem alguns que sinceramente amam a Jesus e vão se aprofundar no texto bíblico ao enfrentar essas questões. Vão descobrir as mesmas coisas que os reformadores descobriram e vão ver como tudo isso é aplicável à situação política atual. Tem outros que usam o cristianismo como um pretexto para o poder. Acho que alguns pastores e políticos são os herdeiros dos espanhóis que escreverem o “requerimento,” pois os dois vêem a fé cristã meramente como o exercício de poder político. Não vou mexer com a definição sociológica do evangelicalismo, mas de um ponto de visto teológico, essas pessoas são longes do reino de Deus e do evangelho.
Para quem não é cristão, espero que esse texto tenha ajudado você a aprender um pouco sobre nossa religião. Talvez ajude a evitar um “cross scare” – afinal, no contexto das referências bíblicas ao “reino de Deus” e “domínio,” essas palavras não são códigos para o estabelecimento de uma teocracia no Brasil. (Ao mesmo tempo, eu reconheço que existem vários grupos que usam essa linguagem de uma maneira diferente que eu uso.) Também, muitos paradigmas da nossa época moderna são frutos da teologia protestante. Podemos dizer que o agir de Deus não depende do poder das nossas instituições. Podemos abrir e manter um espaço para a consciência e preferência individual. O protestantismo pode ser libertador não somente para os adeptos mas também para a sociedade inteira. Além disso, se entendemos como os evangélicos dos séculos passados enfrentaram os desafios da diversidade religiosa, podemos aprender novas ideias para enfrentar nossa situação. Eu acho esses recursos teológicos essenciais para entender e lidar com essas questões (e por isso sou evangélico).
Se alguém tiver perguntas, pode perguntar. Tem muitas outras coisas que eu gostaria de incluir, mas eu queria manter o texto razoavelmente sucinto. E se alguém tiver perguntas sobre o evangelicalismo em geral ou o ambiente religioso nos Estados Unidos em comparação ao Brasil, vou tentar responder.
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2017.10.21 14:59 Taurusan A ameaça de uma Teocracia Evangélica no Brasil: uma análise introdutória

Edit: Talvez o termo mais adequado seja "teocracia informal ou tácita", no sentido de que não é plenamente institucionalizada, mas é praticada.
Nesse texto, pretendo expor de forma introdutória como há uma ameaça real e já em curso de formação de um Estado Teocrático no Brasil em que o executivo, legislativo e o judiciário (a nível municipal, estadual e federal) ficariam sob controle de pastores ou membros de igrejas evangélicas e que suas decisões seriam fundamentas a partir de uma lógica religiosa e submetidas às diretrizes de suas respectivas igrejas. O texto se subdivide em:
  1. "A Intenção", onde demonstro que os evangélicos (particularmente a Igreja Universal) têm um plano de tomada de poder com tendência antidemocrática;
  2. "Os Meios", que expõe as ferramentas que esses grupos religiosos dispõem para a tomada desse poder;
  3. "As Estratégias" para isso, focando na dimensão política apenas.
Antes de expor a análise, é necessário esclarecer que por se falar em "evangélico" aqui se entende principalmente denominações pentecostais (como a Assembleia de Deus) e neopentecostais (Universal do Edir Macedo, Mundial do Valdemiro Santiago etc.). Evangélicos de missão (ou históricos) como luteranos, presbiterianos, entre outros são relativamente distintos em termos de doutrinas, perfil sociocultural e relação com a política quando comparados com neo/pentecostais (embora tenha ocorrido uma "pentecostalização" dessas denominações nas últimas décadas. Nota-se isso principalmente entre batistas).

A INTENÇÃO

Começamos a exposição pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), do Edir Macedo, porque ela é a principal personagem dessa história. É a que tem as intenções mais claras de tomada de poder, é uma das mais organizadas politicamente (a que iniciou uma atuação evangélica mais estruturada na década de 1990), com maior poder econômico e midiático, além de ser o grupo neopentecostal com mais fiéis no país.
Em 2008, Edir Macedo (em coautoria com Carlos Oliveira) publicou o livro "Plano de poder – Deus, os cristãos e a política". No livro, Macedo afirma que Deus tem um plano político para os fiéis da IURD e para os evangélicos que sejam seus aliados: governar o Brasil.
Macedo diz que a “obra não se propõe à incitação de um regime teocrático. Até porque o Estado brasileiro é laico e a liberdade de crença é assegurada constitucionalmente”. Porém, nesses últimos quase 10 anos desde a publicação do livro, o que não falta são exemplos de violações à laicidade do Estado por parte de políticos evangélicos e, entre eles, de políticos ligados à Universal. Da mesma forma, a liberdade de crença assegurada constitucionalmente parece não existir nos discursos e ações de pastores da Universal quando se trata de religiões afro-brasileiras, de espíritas, ateus etc. Portanto, esta afirmação de Macedo não condiz com a realidade e é de se esperar que a obra seja sim uma incitação a um regime teocrático.
Além disso, na própria obra há diversos trechos que deixam isso claro. Macedo afirma que os cristãos devem participar do “projeto de nação idealizado por Deus para o Seu povo”. “[A Bíblia] não se restringe apenas à orientação da fé religiosa, mas também é um livro que sugere resistência, tomada e estabelecimento do poder político ou de governo […]". Usando de um discurso maniqueísta bastante comum no meio neopentecostal (quem não está conosco está com o diabo), Macedo diz que “Existem os agentes do mal, que são aqueles que fazem oposição acirrada em vários sentidos — inclusive, ou principalmente, na política — aos representantes do bem”. Também afirma que "A potencialidade numérica dos evangélicos como eleitores pode decidir qualquer pleito eletivo, tanto no Legislativo, quanto no Executivo, em qualquer que seja o escalão, municipal, estadual ou federal".
Quanto a outras denominações evangélicas, mesmo que não tenham - pelo menos, não de forma tão clara e organizada - um plano de poder como o da Universal, não escondem a intenção de estabelecerem uma nação regida pela moral cristã evangélica. Contudo, como essas outras igrejas (principalmente a Assembleia de Deus, maior denominação evangélica do país) tomam a Universal como modelo político a ser seguido, não é de se estranhar que outras denominações ou lideranças façam algo semelhante no futuro.
Algumas fontes dessa seção: 1, 2, 3.
Algo próximo a isso foi o artigo de opinião - publicado na Folha de São Paulo, em 2014 - intitulado "Antes pedintes, hoje negociadores", do pastor Robson Rodovalho, fundador da Igreja Sara Nossa Terra e ex-deputado federal. Falando em nome dos evangélicos de forma geral e fazendo referência à candidatura à presidência do Pastor Everaldo, mas também como intenção futura dos evangélicos na política, ele menciona a "clara mudança de posição do segmento evangélico como ‘player’ do jogo político", possuindo, agora, influência e controle para dar as cartas, definir as regras do jogo.
Uma última coisa a se mencionar é que essa intenção de domínio dos evangélicos num caráter antidemocrático, que vise impor a moral cristã ao Brasil está além de textos panfletários. Essa intenção está visível numa dimensão mais popular e abrangente, já inculcada na mentalidade dos fiéis e que pode ser melhor entendida a partir de uma expressão comum no universo evangélico: "O Brasil é do Senhor Jesus Cristo" (e suas variantes "tal cidade/estado é do Senhor Jesus", "Feliz é a nação cujo o Deus é o Senhor", sendo esta última um salmo). Essa expressão de “posse” de um território a determinada divindade e, consequentemente, a determinada religião, se sustenta, em parte, em uma característica inerente ao cristianismo e que tem sido uma das principais motivações para quase toda investida teocrática na história: o imperativo de converter todos ao cristianismo.
Assim, vemos tal expressão ser dita por lideranças, como Silas Malafaia, nesse twitter, nesse, ou nesse vídeo do Instagram.
No banner do Twitter do Marco Feliciano.
Há até um ministério evangélico que traz esse termo: Ministério o Brasil é de Jesus.
Há também o caso das várias placas, totens, outdoors espalhados pelo país e que já geraram muita polêmica e disputa judicial. Por exemplo, em 2006, a prefeitura de Sorocaba instalou um totem com esses dizeres na entrada da cidade a pedido do então vereador e pastor Carlos Cézar da Silva, da Igreja do Evangelho Quadrangular.
Outro exemplo, na cidade de Leme/SP.
Já teve até prefeito que publicou decreto entregando a "chave da cidade ao Senhor Jesus Cristo".
Até na música essa ideia está visível. O termo "O Brasil é do Senhor Jesus" intitula a canção de dois artistas gospel populares, Mattos Nascimento e a banda Voz da Verdade. Por sua vez, do músico Sérgio Pessoa, há "Desta Cidade Jesus Cristo é o Senhor”. Na canção de Mattos Nascimento, ele diz querer "Ver o presidente, o governador Se curvando à Deus, o nosso senhor". Na da Voz da Verdade, é dito que "Jesus comanda este país de terra e mar" e proclama "Jesus Cristo na nossa bandeira".

OS MEIOS

Os meios, as ferramentas para a instalação de uma teocracia evangélica no Brasil partem, particularmente, dos vastos poderes religioso, político, econômico e midiático dessas denominações.
  • Poder religioso / abrangência demográfica
Segundo o censo de 2010, 22,2% da população brasileira se declara evangélica. Um censo mais recente do Datafolha, de 2013, mostra que esse número já cresceu para 29%, sendo que 22% são neo/pentecostais. Portanto, há cerca 60 milhões de neo/pentecostais no Brasil.
Análises do perfil socioeconômico também mostram que estes milhões se encontram nas camadas mais pobres e menos escolarizadas do país, geralmente em contextos em que o poder público está totalmente ausente de suas vizinhanças e vidas. Somando-se a isso o fato de que uma estratégia de conversão comum no universo neo/pentecostal é atrair pessoas em situações de crise emocional, financeira, de saúde etc., o evangélico típico é um indivíduo de perfil manipulável e mais propenso a ser radicalizado. E considerando a participação política desses indivíduos, sabe-se que "eleitores evangélicos votam em seus pares, seus irmãos e pastores”.
Portanto, dezenas de milhões de brasileiros abertos à manipulação e radicalização prontos para votarem e apoiarem o que seus pastores sugerirem.
  • Poder econômico
Não é necessário se estender muito aqui, o poder econômico dessas igrejas é bem reconhecido. As principais lideranças religiosas neo/pentecostais são milionários e bilionários. Talvez, o que deixe mais claro, de forma sucinta, a dimensão desse poder é justamente o valor das riquezas das principais lideranças evangélicas do país divulgadas pela Forbes.
Vale ressaltar que Edir Macedo, por meio do grupo Record, também é dono de 49% de um banco, o Banco Renner.
  • Poder midiático
Mais uma vez, essa é outra dimensão de poder dessas igrejas bastante conhecida para qualquer brasileiro. E, também aqui, é a Universal que se destaca. Ela é dona da Rede Record, a segunda maior emissora no Brasil; o canal de notícias Record News; o jornal Folha Universal (circulação de mais de 2,5 milhões); a Rádio Record de São Paulo (que comanda um pool de outras 30 emissoras de rádio), a Rede Aleluia que possui 68 emissoras próprias; selos musicais. A Igreja Internacional da Graça de Deus, de R.R. Soares, ocupa o horário nobre da rede Bandeirantes, todas as noites, e conta também com uma concessão de televisão, a RIT (Rede Internacional de Televisão), que conta com 8 emissoras e mais de 170 retransmissoras. A Igreja Mundial do Poder de Deus, de Valdemiro Santiago, é dona da emissora Rede Mundial. A Igreja Apostólica Renascer em Cristo, de Estevan e Sônia Hernandes, opera várias emissoras de rádio em São Paulo e um canal de televisão, a Rede Gospel. Seria possível mencionar muitas outras igrejas, mas ficaremos apenas nessas.
Porém, a influência midiática das lideranças evangélicas tem ido além das tradicionais rádio e TV. Silas Malafaia, do ministério Vitória em Cristo, ligado à Assembleia de Deus, por exemplo, possui mais de 1 milhão e 300 mil seguidores no Twitter, além de 300 mil seguidores em seu canal no YouTube. Marco Feliciano, também ligado à Assembleia, tem meio milhão de seguidores no Twitter.
Fonte: 1
  • Poder político
Os evangélicos adentram a política nos anos 1980 e, desde então, só crescem em números e influência. Nos governos do PT, eles passam a ganhar papel de destaque nacionalmente e, no governo Temer, uma República Evangélica começa a ganhar seus contornos.
A força desse grupo se encontra particularmente no legislativo (municipal, estadual e federal), contudo, a tomada de cargos do executivo está em ascensão e é uma de suas estratégias políticas recentes, como será visto adiante. Em nível federal, a representação legislativa mais evidente deste grupo é a Frente Parlamentar Evangélica, conhecida popularmente como Bancada Evangélica. São 198 deputados e 4 senadores¹. Portanto, quase 40% dos deputados federais no Brasil pertencem à bancada Evangélica.
Lista de alguns prefeitos evangélicos mais significantes: Marcelo Crivella (Rio de Janeiro/RJ), Anderson Ferreira (Jaboatão dos Guararapes/PE), Dr. João (São João do Meriti/RJ), Edinho Araújo (São José do Rio Preto/SP), Fabiano Horta (Maricá/RJ), Marquinho Mendes (Cabo Frio/RJ), Max Filho (Vila Velha/ES), Washington Reis (Duque de Caxias/RJ).
Ministros da República evangélicos: Ronaldo Nogueira de Oliveira (M. do Trabalho), Marcos Antônio Pereira (M. da Indústria, Comércio Exterior e Serviços), homem de confiança de Edir Macedo. Vale ressaltar que a Secretária de Políticas para as Mulheres, órgão subordinado ao Ministério da Justiça, é uma Evangélica, a Fátima Pelaes (ela já disse que, por conta de suas convicções religiosas, é contra o aborto mesmo em casos de estupro).
Em termos partidários, destaca-se o Partido Republicano Brasileiro (PRB), porque ele é o braço político da Igreja Universal. O Ministro Marcos Pereira e o prefeito Crivella são desse partido. No entanto, a Assembleia de Deus (ou, pelo menos, algumas alas dessa denominação com muitas ramificações) também pretende criar seu partido, o Partido Republicano Cristão (PRC), que já tem mais de 300 mil assinaturas coletadas e pretende concorrer já às eleições 2018. O coordenador político da convenção das Assembleias de Deus, pastor Lélis Marinhos, diz que a principal bandeira da nova sigla será a família, "Aquela chamada tradicional, com o princípio básico bíblico da família hétero".
¹ Alguns desses parlamentares renunciaram por terem sido eleitos prefeitos em 2016 ou estão afastados para exercerem cargos públicos. Há parlamentares que não são evangélicos, mas católicos. Há também aqueles que apesar do apoio de igrejas evangélicas, não são vinculados a elas.
Fontes: 1, 2
  • Adendo: Poder de coerção
Essa teocracia vem sendo gradualmente instalada no país por meio de atuação política e pressão popular, contudo, a possibilidade de criação de organizações evangélicas policialescas, paramilitares ou similares é possível, embora – por enquanto – ainda pareça pouco provável. Alguns indícios:
Gladiadores do Altar
“Em frente ao Templo de Salomão, jovens fardados e alinhados batem continência em sincronia. Embora carreguem consigo a disciplina de militares, trata-se de outro tipo de soldado: aqueles que lutam em nome da Palavra de Deus. Eles fazem parte do projeto chamado “Gladiadores do Altar”, que surgiu no final de ano passado e tem como objetivo preparar integrantes do grupo Força Jovem Universal (FJU) para colaborar no futuro como pastores.” Fonte
E o vídeo que viralizou há um tempo.
Considerando que esse projeto/organização vem da Universal, a com a intenção e meios mais claros, é preocupante.
“Traficantes evangélicos”
É, contudo, entre os traficantes do Rio de Janeiro que a possibilidade de uma milícia evangélica parece mais real. Isso ocorre porque há indícios de que criminosos estejam atuando com base na orientação de lideranças religiosas com o objetivo de aumentar a influência sobre comunidades carentes. Vídeos que circularam este ano mostram a ação de alguns desses traficantes (que teriam se convertido ao neopentecostalismo quando cumpriam pena em presídios) obrigando sacerdotes de religiões afro-brasileiras a destruírem seus próprios templos:
Vídeo 1, vídeo 2.
Fontes: 1, 2, 3, 4

AS ESTRATÉGIAS

A professora da UFF, Christina Vital, que se dedica às relações entre evangélicos e política, em entrevista para a Folha de São Paulo, expõe algumas estratégias políticas recentes dos evangélicos no intuito de estabelecer seu poder sobre o país:
  1. Uma estratégia eleitoral de ocultação da identidade evangélica dos candidatos,
  2. assumir cargos do executivo, com foco na presidência,
  3. e assumindo a presidência, chegar ao Supremo Tribunal Federal.
Quanto à primeira estratégia, ela diz: "[...] eles adotaram um jogo de visibilidade e ocultação da identidade evangélica dos candidatos. Crivella não se registrou na Justiça como bispo Crivella, diferente do que fez o pastor Everaldo [candidato presidencial do PSC em 2014]".
Quanto às segunda e terceira, ela afirma “[...] desde pelo menos 2014, há um investimento de importantes lideranças evangélicas em torno de unidade para ocupação dos Executivos”.
"No nosso livro que será lançado, o pastor Everaldo falou claramente na estratégia de assumir a 'cabeça', falou exatamente a palavra 'cabeça', em uma referência à importância da ocupação da Presidência, que é por onde passa a indicação para o Supremo Tribunal Federal. A gente acompanha o crescimento de mobilização de juízes evangélicos ou sensíveis à causa evangélica na Associação de Juristas Evangélicos".
“[...] conseguir chegar à Presidência da República é importante para eles como estratégia para barrar no Supremo Tribunal Federal temas de minorias -como a pauta gay- que travam embate com esses religiosos”(Folha).
E nessa estratégia de chegar à presidência é que entra Jair Messias Bolsonaro:
Os evangélicos já ensaiaram a candidatura própria para presidente em 2014 com o Pastor Everaldo, no entanto, não teve muito sucesso. Isso está para mudar com o novo candidato dos evangélicos para 2018: Bolsonaro.
Bolsonaro, apesar de católico, é membro da Bancada Evangélica (há outros católicos também), assim como seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro. Porém, ano passado, Bolsonaro-pai foi batizado por ninguém menos que o Pastor Everaldo nas águas do Rio Jordão. Uma demonstração simbólica de aproximação com o eleitorado evangélico e com a alta cúpula (na época) dos políticos evangélicos.
Retomando a Christina Vital, ela diz que "A possível candidatura presidencial de 2018 em torno do Bolsonaro é talvez mais representativa de um movimento de unidade de diferentes denominações". Essa unidade está um pouco abalada hoje em dia, já que Bolsonaro saiu do Partido Social Cristão (PSC), partido dominado por lideranças da Assembleia de Deus. Outros grupos político-religiosos já demonstraram interesse em tê-lo, um deles, o PRB da Universal, que o sondou no início do ano. Contudo, ele parece querer ir a um partido evangélico em que tenha mais comando político. Porém, apesar dessa unidade abalada, ele ainda é visto como candidato dos evangélicos e com chances concretas de ganhar.
E há uma declaração de Bolsonaro que deixa muito claro qual é sua opinião sobre a relação Estado/religião e quais suas intenções caso seja eleito Presidente da República. No início deste ano, ele disse:

– Deus acima de tudo. Não tem essa historinha de estado laico não. O estado é cristão e a minoria que for contra, que se mude. As minorias têm que se curvar para as maiorias.

A eleição de Bolsonaro seria a “cereja do bolo” nesse longo sonho de controle político da nação por parte dos evangélicos mais fundamentalistas, de se tornarem players do jogo político no país. Essa frase deixa clara a possibilidade da implementação de uma teocracia no país, apoiada por milhões de brasileiros radicalizados e um grupo cheio de poder político, econômico e midiático.
Algumas considerações finais
Mesmo que Jair Bolsonaro não ganhe as eleições presidenciais de 2018, a ameaça teocrática não acaba por aí, virá outro candidato em 2022, assim como em 2020, mais prefeitos (e vereadores) evangélicos fundamentalistas serão eleitos. Esse projeto de poder vai muito além de Bolsonaro, embora ele seja no momento uma peça essencial para concretizá-lo.
Por último, umas semanas atrás, vi aqui no sub alguém comentar isso: "Pessoal se preocupa (ainda que tenha uma ponta de razão) com a possível ditadura militar enquanto a teocracia evangélica está em curso, com um plano de poder muito melhor organizado, e ninguém combate por medo ou receio de perder muitos votos nas periferias" (mtgr19877).
Isso é verdade. Se você se preocupa, acha possível uma ditadura militar no Brasil, uma teocracia evangélica é muito mais provável, porque ela já está em curso, é abertamente declarada e a cada ano se torna mais e mais real. É uma bomba prestes a explodir e destruir o que há de liberdades civis, políticas no Brasil... em nome de Deus! Essa é a maior ameaça antidemocrática nesse país.
Edit: a convite do blog/portal de notícias Aventar, de Portugal, esse texto foi publicado também.
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2017.06.23 20:40 AntonioMachado [1993] François Ewald - Two Infinities of Risk

Texto aqui. Ideias-chave:
[221 e 222]
ver também, entrevista:
  • seguro é a tecnologia fundamental do moderno estado-providência.
  • noção de histórias que são inscritas na História (página 7).
  • conceito de segurança social surge na sequência da revolução Francesa e do tipo de governamentalidade que inaugurou; mais tarde, seguros surgem como imaginário político e resposta concreta aos desafios colocados pela industrialização e, especificamente, pelos acidentes de trabalho.
  • todos os países industrializados se depararam com o problema dos acidentes de trabalho e sua responsabilização e, se bem que essa solução adotou contornos específicos diferentes, consoante a história e especificidade de cada país, todos os países encontraram a mesma solução nos seguros, uma nova forma de pensar e de entender a responsabilidade.
  • seguro como forma de gerir responsabilidade: em vez de uma racionalidade "civilista" que funciona em termos de 'culpa', uma racionalidade "social", que opera em termos de 'risco'.
  • em domínios totalmente independentes como os acidentes de trabalho ou a construção civil, ecologia ou saúde, surge a mesma forma de resolver problemas de responsabilidade sem recorrer à lei jurídica e sem fazer apelos metafísicos.
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2016.06.12 21:24 shirleioliveira A IMPORTÂNCIA DAS FÁBULAS NA LITERATURA INFANTO - JUVENIL

Acadêmicos: Cristiane Cardoso da Silva Mat: 327818, Damarys Oliveira da Silva de Paiva Mat: 714725 Karita Marreiros Mat: 917241 Rita de Cassia Mat: 863453 Shirlei de Sousa Oliveira Mat: 785936 Professor-Tutor Externo: Clebson Peixoto Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI Curso (LED 0259) – Prática do Módulo V 21/05/16
RESUMO: A intenção desse trabalho é mostrar que a literatura é uma manifestação artística e que possui uma comunicação importante que atua como tecelã da linguagem e a transmissão do conhecimento das expressões humanas. O objetivo deste trabalho é abordar quanto ao gênero, fábulas e a importância da literatura na formação do ensino fundamental e no EJA (Educação de Jovens e Adultos) da Escola Elcione Barbalho, localizada no bairro Liberdade da cidade de Marabá-PA, na literatura infanto - juvenil buscamos através de referência documentos, revistas, jornais, livros, pesquisa de campo e internet. Este estudo aborda o papel da escola na formação do individuo, buscando incentivar a escrita e a leitura para assim facilitar o seu desenvolvimento social e emocional, onde iremos utilizar a didática pedagógica da literatura infantil, baseado nas ideias dos seguintes autores: Cândido Antônio, Azevedo, Bruno Betteilheim.
Palavras Chaves: Fábula. Ensino. Educação. Literatura Infanto-Juvenil.
1 INTRODUÇÃO: Neste trabalho apresentamos a didática para a utilização da importância das fábulas na literatura infanto - juvenil, onde levaremos em consideração a importância dos contos de fábulas para a construção do seu imaginário. Este estudo se baseará em autores como Bruno Betteilheim, Cândido Antônio e Azevedo, que tratam de contos de fábulas, cada autor tem uma área específica.
 O objetivo desse trabalho é mostrar que a literatura é uma manifestação artística e também observar a influência dos contos de fábulas no imaginário infanto - juvenil da escola Elcione Barbalho na cidade de Marabá-PA. Acreditamos que os contos de fábulas ajudarão os jovens no ensaio de vários papéis sociais, proporcionando a construção de uma personalidade sadia e também promover a socialização. A troca de experiência é uma maior inserção no grupo social assim promovendo o desenvolvimento da imaginação, da criação, da percepção de mundo a partir das possíveis interpretações dos contos de fábulas. A importância do nosso paper que seja ,um arquivo para pesquisas futuras. Este trabalho utilizou-se em duas etapas de pesquisas sendo que uma etapa foi de observação da prática pedagógica das professoras e uma segunda etapa onde ela trabalha a oralidade e a produção textual , ortografia e linguística. Dentro das problemáticas encontradas buscamos analisar, investigar a importância das fábulas como gênero literário dentro de sala de aula e também levantamos questionamentos em relação a problemas na prática da docência em relação ao gênero literário. Como as professoras utilizam as fábulas em sala de aula na aprendizagem e aumento da cognição do aluno? Como a instituição escola trabalha a literatura para fazer leitores nos estudos observados. 
2 Entendemos por literatura: Uma comunicação de caráter humano, que utiliza de vários recursos seja humano, físico, material, intelectual, social, estético, formador, educador, lúdico entre outros recursos , transferindo aprendizagem, saber, conhecimento, instrução e valores próprios da alma humana através do diálogo significativo ficcional / real desta forma de expressão e produção intelectual humana objetivando a interiorização, a identificação, a inserção e a transformação do indivíduo em seu meio ou sociedade. Podemos definir a literatura como: produção intelectual, expressão artística humana. Azevedo (2007, p.215) afirma que:
“A importância da literatura é indiscutível pois é através dela que nos relacionamos com os valores humanos mais nobres e os mais baixos como o amor e ódio, a bondade e a maldade, a inveja e a solidariedade, a angústia e a alegria , o ciúme e a caridade a soberba e a humildade entre outros”. Cabe a Literatura a finalidade de transformar por meio da escola a expressão artística com o decoro a instrução dos jovens. Neste paper a literatura é considerada em sua funcionalidade formadora e educadora para criar leitores. Antônio Cândido nomeia três funções para a literatura: Função Psicológica : Capacidade individual de fantasiar pela ficção, Função Formadora: Formação e educação do ser humano movida por ideais, Função Humanizadora: Humaniza em sentido profundo porque faz viver. O atuar do diálogo com o texto quer seja por meio do professor para com o aluno, ou por meio de indivíduo para um grupo de pessoas nos ajuda a compreender a literatura. Através de uma aprendizagem sócio interacionista e sócio construtivista (Piaget e Vygotsky). Observamos então a importância de fazer leitores assíduos pelos textos literários, que auxiliam na cognição do indivíduo com criatividade e compreensão do mundo que o rodeia . A fábula o qual trabalhamos no paper e procuramos investigar através de pesquisa documental em arquivos de órgãos públicos e instituições privadas assim também informativos, revistas, anais, relatórios de pesquisa, periódicos , cujo autores que baseiam e norteiam a nossa pesquisa de caráter, qualitativo e quantitativo são Antônio Cândido, Bruno Bettelheim e Azevedo, trabalhamos também com a pesquisa de campo entrevistando alunos e duas professoras de língua portuguesa de uma escola de ensino fundamental localizada no bairro da liberdade no município de Marabá, uma escola que faz parte de um projeto social do governo federal para alunos do EJA ( alunos com idade variante de 15 a 25 anos ) cuja pesquisa foi feita com questionários com perguntas previamente elaboradas. Segundo o dicionário Aurélio (2000, p.30) a fábula é uma narração breve cujas personagens via de regra são animais que pensam, agem e sentem como os seres humanos. Esta narrativa tem por objetivo transmitir uma lição de moral. Alguns escritores de fábulas são : Esopo, temos também os brasileiros Monteiro Lobato e Leonardo Boff obra em destaque (a águia e a galinha ) cuja fábula será abordada neste paper. No primeiro passo da pesquisa, será mostrado aos alunos através de recursos audiovisuais e no segundo passo os alunos serão observados para análise de interpretação de texto, ortografia , linguística e oralidade. Os objetivos deste paper abordam a questão da importância do trabalhar as fábulas em sala de aula descrevendo e realizando o diagnóstico necessário no cotidiano escolar. Sendo que esta pesquisa está dividida em três capítulos distintos: No primeiro capitulo Observação didática sobre a fábula pela professora regente da turma, no segundo capitulo a análise foi feita para Verificando se a professora reconhece a importância de trabalhar as fábulas em sala de aula o terceiro capítulo procura Analisando o impacto que a fábula tem sobre a realidade do educando. Para a realização deste trabalho a fábula foi escolhida por ser um gênero literário de narrativa curta e de fácil entendimento para o aluno auxiliando-o na aprendizagem de uma forma diferenciada , prazerosa e atrativa. A fábula estudada foi encontrada na internet assim como o vídeo . As professoras trabalham em sala de aula com um livro chamado o Guia de Estudo Integrado Unidade Formativa I , que possui todas as disciplinas fundamentais como Português, Matemática , Geografia ,Ciências, Inglês e História. Todos os alunos possuem livros que foram dados pelo Governo Federal. Este paper busca compreender, analisar e investigar a importância da fábula como gênero literário dentro da sala de aula, e levantar questionamentos em relação a problemas como é a prática da docente em relação gêneros literários? A fábula utilizada está de acordo com o nível de desenvolvimento do aluno ? Neste estudo foi observado a prática pedagógica das duas professoras de língua portuguesa, de que forma as atividades literárias estão sendo desenvolvidas em sala de aula e se estas professoras estão formando leitores que apenas leem ou leitores que leem e tem uma visão critica acerca da leitura e quais as dificuldades encontradas por estas professoras ao usar a fábula em sala de aula e de que forma elas podem intervir para resolver os problemas. O ambiente de sala de aula foi preparado para receber os alunos como se fosse um clima de cinema, na sala estava instalado o data show com o vídeo da fábula a na biblioteca da escola, os alunos estavam sentados confortavelmente em suas carteiras, sendo que aos alunos foi permitido que levassem pipoca,com a luz apagada eles assistiram ao vídeo logo após foi feito pelas professoras uma explanação oral sobre a fábula e a culminância desta atividade se deu de forma de uma produção textual ( síntese ) escrita sobre a compreensão daquela fábula. A professora da turma acredita que as fábulas motivam os alunos a estudar, auxiliando na oralidade e a produzir textos. Ao passo que a expectativa das duas professoras de língua portuguesa em relação a aprendizagem do aluno eram : Falar sobre o significado da representação do papel de cada animal apresentado e qual a funcionalidade moral da fábula e compreender a literatura, objeto de aprendizagem, que assimila a vida real através da ficção os resultados obtidos a partir deste estudo foram satisfatórios pois pudemos sanar algumas dúvidas e questões em relação ao tema fábulas. 3 Observação didática sobre a fábula pela professora regente da turma. As educadoras se preocuparam com aspectos a temas motivacionais com as fábulas , que transmitem esperança , perseverança já que os alunos do EJA são pessoas que trabalham o dia todo e a noite ainda vão estudar, sendo que a maioria dos estudantes são mulheres , tem um caso de uma aluna que vai estudar e o marido que não é estudante da escola, fica esperando na cantina as quatro horas de aula a mulher terminar os estudos. Tem casos também de mulheres que engravidaram e tiveram que deixar de estudar, mas como o programa oferece creche para as alunas, tiveram oportunidade de estudar ou são pessoas que abandonaram os estudos por vários motivos: dificuldades econômicas, sociais, geográficas, culturais etc.. A professora também preocupou se os alunos já tinham conhecimento prévio da fábula, todos responderam que não. Outra preocupação em trabalhar fábulas para EJA de ensino fundamental é não praticar infantilização dos textos pois são pedagogias diferentes. A simbologia da fábula a águia e da galinha é interessante e vai de acordo com o interesse que cativam o aluno, a fábula trabalha o paradoxo e a ambivalência entre os dois animais pois a águia tem o significado de que ela é uma vencedora e ela pode voar e conquistar novos horizonte , enquanto a galinha é um animal da terra que fica ciscando o chão, que está preso a terra e não pode voar. Inicialmente a produção das fábulas no novo mundo foi disseminada por Esopo foi somente com Jean de La Fontaine que elas tiveram uma característica educacional e artística, as fábulas com o decorrer da história foram de adaptando aos novos tempos sendo que com Jean de La Fontaine as fábulas apresentaram característica oral e foram trabalhadas as simbologias, exemplificando a águia tem uma simbologia de vencedora enquanto a galinha tem uma simbologia de conformidade. Como as fábulas possuem caráter antropomórficos em que os animais possuem a capacidade de projetar-se como seres humanos com sentimentos e valores morais humanos, foi feita esta comparação simbolicamente para que os alunos se identificassem com a história e quiçá transformassem o meio em que vivem . Podemos perceber que as professoras tinham uma boa formação pedagógica a fábula não ficou infantilizada e auxiliou no desenvolvimento e aprendizagem dos alunos. Fábula utilizada em sala de aula : A águia e a galinha Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro para mantê-lo cativo em sua casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto com as galinhas. Comia milho e ração própria para galinhas. Depois de cinco anos, este homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista: – Esse pássaro aí não é galinha. É uma águia – De fato – disse o camponês. É águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais uma águia. Transformou-se em galinha como as outras, apesar das asas de quase três metros de extensão. – Não – retrucou o naturalista. Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas. – Não, não – insistiu o camponês. Ela virou galinha e jamais voará como águia. Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e desafiando-a disse: – Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe! A águia pousou sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas. O camponês comentou: – Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha! – Não – tornou a insistir o naturalista. Ela é uma águia. E uma águia será sempre uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã. No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe: – Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe! Mas quando a águia viu lá embaixo as galinhas, ciscando o chão, pulou e foi para junto delas. O camponês sorriu e voltou à graça: – Eu lhe havia dito, ela virou galinha! – Não – respondeu firmemente o naturalista. Ela é águia, possuirá sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar. No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a águia, levaram para fora da cidade, longe das casas dos homens, no alto de uma montanha. O sol nascente dourava os picos das montanhas. O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe:- Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe! A águia olhou ao redor. Tremia como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, para que seus olhos pudessem encher-se da claridade solar e da vastidão do horizonte. Nesse momento, ela abriu suas potentes asas, grasnou com o típico kau-kau das águias e ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto, a voar cada vez mais para o alto. Voou… voou… até confundir-se com o azul do firmamento…” (Fonte http://www.catequisar.com.bmensagem/reflexoes/06/msn_147.htm)
4 Verificando se a professora reconhece a importância de trabalhar as fábulas em sala de aula : No momento da entrevista duas professoras respondiam ao questionário e com suas respostas conseguimos chegar ao objetivo geral do paper aonde trabalhamos a importância de se trabalhar fábulas em sala de aula. Nesta fase a professora número 1 respondeu que a importância é que a fábula motivava os alunos, enquanto a professora 2 respondeu que a fábula desperta a construção do caráter da cidadania dos alunos. Analisando as perguntas e as respostas desta pesquisa podemos perceber quando a professora 1 responde que trabalhar fábulas em sala de aula motiva os alunos, logo eles conseguem se identificar com os personagens da fábula pois quando o escritor cria um modelo de personagem tem essa concepção de ser , de fazer com que o leitor se identifique com um dos personagens, identificando quer seja com a simbologia ou característica que este personagem tem na sua vida , acontece então esta transcendência do mundo fictício para o mundo real Betteilheim (2007, pag. 54). Quando a professora 2 responde sobre a utilização de fábulas para os alunos é que ela desperta a construção do caráter do aluno , podemos então entender nesta frase a função formadora de instrução educacional da fábula. Segundo Coelho (2000, pag. 40) a terceira fase da leitura que abrange as crianças e os adolescentes, ou seja, a fase do leitor critico ( a partir dos 12/13 anos ) Aonde o leitor já possui uma capacidade , habilidade de refletir e ter pensamentos críticos em relação a textos e em relação a leitura que lhe é apresentada. Outra importância de se trabalhar fábulas em sala de aula, que as professoras reconheceram foi a facilidade que a fábula tem na produção e interpretação do texto, auxiliando também na oralidade, na ortografia e na linguística. Percebe-se isto na resposta das entrevistas quando a professora 1 disse que o objetivo de utilizar fábulas em sala de aula seria a sua facilidade no entendimento que ajuda na interpretação de textos, sendo que a professora 2 respondeu que a fábula possui um valor diagnóstico pois identifica qual aluno possui mais facilidade na interpretação de texto, quando foi perguntado para a professora quais os resultados alcançados a professora 1 respondeu que a fábula auxilia na produção de pequenos textos , na interpretação , na oralidade, ortografia e na linguística . A fábula sendo uma narrativa geralmente curta ,considerada um gênero de característica universal aonde pode ser captada de um modo simples que remonta aos antepassados humanos desde a contação de estórias nos interiores das cavernas ou entre os descansos após as caçadas. Justificando assim a facilidade do gênero fábula em se trabalhar interpretação produção e oralidade em sala de aula , pois o aluno ao produzir e interpretar textos é desafiado a usar a criatividade, a reflexão , o senso critico na escrita auxiliando na ortografia pois ele vai ter que exercitar a gramática da língua portuguesa em sua atividade de sala de aula , em quanto o auxilio na fábula na oralidade se dá, quando a professora questiona oralmente ao aluno quanto ao o que ele entendeu sobre a fábula apresentada no ambiente escolar, esta metodologia incentiva até os alunos mais tímidos a se expressar oralmente, entretanto quando a professora 1 fala que a fábula auxilia também na linguística do aluno ela se refere que a fábula pode também trabalhar as variações linguísticas e o regionalismo em sala de aula, o exemplo deste, são as fábulas do famoso escritor brasileiro Monteiro Lobato. 5 Analisando o impacto que a fábula tem sobre a realidade do educando . Utilizamos a amostragem de 35 alunos para compreendemos esta investigação. Através do método de observação e realização de um formulário quantitativo Por mediação da literatura os valores da humanidade são apresentados aos alunos quando no primeiro momento de nossa pesquisa a professora dentro da biblioteca e apresentando o vídeo perguntou no final se eles entenderam a fábula e se eles queriam ser águia ou galinha? Todos os alunos responderam que queriam ser águia , os alunos se identificaram com águia de simbologia vencedora, conquistadora e heroica despertando neles sentimentos motivados por valores humanos como orgulho, desejo, vontade , esperança, virtude e coragem, desejo de serem vencedores como a águia . Portanto a maioria dos alunos são de baixa renda e através da educação poderia conseguir um bom emprego como foi o caso de uma aluna que comentou que estava estudando para concluir o ensino fundamental porque ela no serviço de faxineira de uma siderúrgica tinha perdido uma promoção , de trabalhar de secretária porque não tinha o ensino médio. Com a sua função humanizadora, a fábula, formou leitores e produtores de pequenos textos, apesar de alguns problemas enfrentados ( ponto fraco em relação a fábula é que quando existem alunos semianalfabetos, ou analfabetos funcionais as fábulas devem ser trabalhadas oralmente ou através de recursos audiovisuais) pela professora e pelos alunos, na questão de alfabetização e letramento e dificuldades ortográficas , pois alguns alunos não sabiam ler e escrever corretamente entretanto a intervenção da professora para sanar estes problemas foi aulas de reforço escolar. A fábula trabalhada em sala de aula teve um impacto social na vida destes alunos pois a fábula a águia e a galinha despertou a vontade de transformação e inclusão social deste alunos. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS De acordo com a regência feita em sala de aula , os resultados obtidos a partir dos estudos foram esclarecedores . Analisamos que as fábulas desenvolvem a capacidade da criança e do jovem de fantasiar , e na criatividade, outras contribuição foram interpretação e produção de textos, ortografia e linguística, os problemas que surgiram durante a pesquisa foram dificuldades de letramento e alfabetização aonde a intervenção foi aulas de reforço. Observamos também que é boa a prática pedagógica das professoras, e os textos estavam de acordo com o desenvolvimento dos alunos, sendo que esta pesquisa nos levou ao conhecimento e contribuição para futuras pesquisas aos estudos de fábulas e entendimento sobre que as fábulas têm no processo de formação da criança e jovens.
 Questionário 
1) Qual a importância da utilização de fábulas para os alunos ? Professora 1 R= A motivação que a fábula proporciona ao aluno Professora 2 R= Temos que despertar a construção do caráter da cidadania dos alunos 2) Qual o objetivo de usar fábulas ? Professora 1 R= Porque a fábula é um Gênero Textual de fácil entendimento auxiliando na interpretação de textos . Professora 2 R= A fábula tem um valor diagnóstico pois através dela podemos perceber quais os alunos possuem facilidade de interpretação 3)Como a professora utiliza estas fábulas em sala de aula ? Professora 1 R= Usamos com a ajuda de recursos audio visuais no primeiro momento em sala de aula depois fazemos atividades orais e escrita. Professora 2 R= Data Show , depois questionário com pergunta e respostas. 4)Quais eram as fábulas utilizadas? Professora 1 R= O Coordenador envia as fábulas que são iguais para todos os professores foram elas a fábula da galinha e da águia, a fábula do porco espinho e a fábula da raposa e do lenhador. Professora 2 R= A fábula do porco espinho ,a fábula da raposa e do lenhador, a fábula da galinha e da águia 5) Quem eram os autores ? Professora 1 e Professora 2 R= Esopo ,Leonardo Boff, Irmãos Grimm 6) Quais os resultados alcançados ? Professora 1 R= A fábula auxilia na interpretação de textos, na produção de pequenos textos, na ortografia e na linguística Professora 2 R= Ajuda na interpretação de texto , na oralidade pois os alunos tem que contarem o que eles entenderam do texto.
 Tabela com a observação de alunos 
1) Quantos alunos se mostraram interessados em assistir o vídeo da fábula a águia e a galinha. Todos os 35 alunos 2) Quantos alunos se identificaram com a fábulas ? Todos os 35 alunos 3) Quantos alunos se expressaram oralmente 3 três 4) Quantos alunos conseguiram fazer a síntese do texto ? 25 alunos 5) Quais problemas enfrentaram ? Letramento e alfabetização
6) A fábula estava de acordo com a faixa etária do aluno , para que não ocorresse infantilização do Texto? Sim 35 alunos
 Foto 1 Apresentação do vídeo da fábula aos alunos Fonte : https://projovemelcionebarbalho.blogspot.com/ Foto 2 No segundo momento os alunos estão fazendo a produção textual escrita, sobre a fábula. Fonte : https://projovemelcionebarbalho.blogspot.com/ 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BETTELHEIM , Bruno. A psicanálise dos contos de fadas. 26. ed. São Paulo: Paz e Terra.2007 RIBEIRO, Helena. Livro, 2012. Disponível em: < http://www.helenaribeiro.com/livro-voce-a-aguia-e-a-natureza/a-historia-da-aguia-e-a-galinha>Acesso em 29 mar.2016 ROCHA,Janaina. Monografia, 2011. Disponivel em : http://www.uneb.bsalvadodedc/files/2011/05/Monografia . Acesso em 30 mar.2016 SANTOS, Abraão Junior Cabral. et al. Literatura infantojuveni. Indaial, SC: Uniasselvi, 2013. Fontes: Cartilha do curso de licenciatura em letras Diretrizes da disciplina seminário da Prática http://www.webartigos.com/artigos/a-importancia-da-literatura-para-o-desenvolvimento-da-crianca/9055/ http://www.catequisar.com.bmensagem/reflexoes/06/msn_147.htm http://www.estudopratico.com.bfabula/ http://www.histedbr.fe.unicamp.bacer_histedbjornada/jornada11/artigos/9/[email protected] http://www.infoescola.com/literatura/literatura-infanto-juvenil/ http://literatura.uol.com.bliteratura/figuras-linguagem/37/artigo225090-1.asp https://projovemelcionebarbalho.blogspot.com/
http://www.recantodasletras.com.bteorialiteraria/278085 http://www2.uefs.bdla/graduando/n4/n4.13-23.pdf
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